Folhas de Outono (BakuDeku)
Capítulo 2 – Folhas Novas, Laços Novos
O vento de outono soprava mais forte naquela manhã. As árvores da escola balançavam suavemente, cobrindo os corredores externos de folhas alaranjadas e vermelhas. Izuku caminhava com os ombros curvados, encolhido dentro do casaco surrado que sua mãe lhe dera. Ainda era novo ali, ainda sentia todos os olhares, ainda aguentava os comentários ácidos — especialmente de Bakugou.
Desde aquela tarde no jardim, eles não trocaram mais palavras.
Mas os olhares… esses sim, continuavam.
Bakugou o encarava com a mesma intensidade de sempre, como se o desafiasse a entender algo que ele mesmo não queria explicar. Izuku fingia não notar, mas era impossível ignorar. O problema é que quanto mais ele tentava manter distância, mais o coração insistia em se aproximar.
Uraraka
— Midoriya!
(uma voz doce o chamou.)
Izuku se virou e deu de cara com uma garota de cabelos castanho-claro presos num coque redondo e sorriso gentil. Ela se aproximou com um aceno animado.
Uraraka
— Oi! Eu sou a Ochako Uraraka. A gente tá na mesma turma, lembra?
(disse, com um sorriso caloroso.)
Izuku
— Ah, sim! Uraraka-san! Claro… prazer!
(respondeu, um pouco atrapalhado.)
Uraraka
— Vi você sentado sozinho no almoço ontem. Se quiser, pode comer com a gente hoje!
Uraraka
— Sim! Eu e o Todoroki. Quer dizer… o Shoto. Ele não fala muito, mas é gente boa.
Izuku sorriu, sentindo pela primeira vez em semanas um calor diferente no peito. Um tipo de aconchego. Talvez ele finalmente estivesse encontrando um lugar ali.
Na hora do almoço, Izuku se juntou a Uraraka em uma mesa mais afastada do refeitório. Logo, um garoto de cabelos metade vermelhos, metade brancos se sentou ao lado, sem dizer nada. Apenas deu um leve aceno de cabeça.
Uraraka
— Midoriya, esse é o Shoto. Shoto, esse é o Midoriya.
Izuku
— Prazer
(disse, meio nervoso.)
Shoto
— Hm.
(respondeu, sem tirar os olhos da marmita.)
Apesar do silêncio do novo colega, Izuku não se sentia desconfortável. Era como se aquela presença calma equilibrasse tudo ao redor.
Uraraka
— Vi que o Bakugou te perturba muito
(comentou de repente, mexendo no suco.)
Izuku
— E-Ele? Não é nada demais… só provocações bobas…
(engasgou com o arroz.)
Shoto
— Ele não provoca qualquer um
(disse, pela primeira vez olhando diretamente para Izuku.)
Shoto
— Bakugou só cutuca o que chama atenção dele.
Izuku ficou em silêncio. O coração deu uma batida estranha.
Shoto
— Você é diferente. Não baixa a cabeça. Isso irrita ele. Ou confunde ele (completou.)
Izuku corou, desviando os olhos.
Uraraka sorriu e colocou a mão no ombro dele.
Uraraka
— Enfim, agora você tem a gente. Se ele encher o saco de novo, me avisa, tá?
Izuku assentiu, sentindo um nó se desfazer dentro do peito. Pela primeira vez desde que chegara àquela escola, ele não se sentia completamente sozinho.
Na saída, Izuku guardava seus materiais quando sentiu alguém se aproximar. O cheiro familiar de fumaça e folhas queimadas invadiu seu espaço. Ele nem precisou olhar para saber quem era.
Bakugou
— Então agora você tem um clubinho?
(sua voz rouca ecoou atrás dele.)
Izuku
— E daí? (suspirou.)
Bakugou
— Nada. Só achei engraçado.
Izuku
— Engraçado mesmo é você estar sempre por perto, mesmo dizendo que me odeia
(rebateu, sem pensar.)
Bakugou
(ficou em silêncio por um momento.)
— Não se ache tanto, nerd.
Mas quando Izuku se virou, viu que ele já estava indo embora, as mãos nos bolsos e o cachecol vermelho esvoaçando com o vento.
Enquanto o céu se tingia de dourado e laranja, Izuku não sabia dizer se o frio que sentia vinha do vento... ou daquela presença que o confundia mais a cada dia.
Mas algo estava mudando. Ele podia sentir.
E mesmo que ainda fossem inimigos, agora Izuku não estava mais sozinho.
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Divo do Luke✨️
OLHAE-UAKI📍
2025-04-22
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