O crepúsculo cobria o reino de Virelle como um véu silencioso. Das altas torres do castelo, a luz do entardecer filtrava-se pelas janelas de vitrais, tingindo os salões de dourado e púrpura. O ambiente, porém, não carregava a mesma beleza nos corações que ali habitavam. Elira caminhava pelos corredores com os passos contidos, como se cada movimento fosse vigiado — e era.
A Duquesa Mavara, sogra da rainha, mantinha olhos e ouvidos por todos os cantos do castelo. Era conhecida por sua frieza e controle férreo sobre a corte. Elira aprendera rapidamente a se esquivar de sua presença, limitando-se à diplomacia obrigatória. Ainda assim, os encontros ocasionais eram como punhaladas silenciosas.
— Vestido novo, majestade? Uma escolha curiosa para quem mal tem o marido ao lado — comentara Mavara naquela manhã, com um sorriso que não tocava os olhos.
Elira não respondera. Apenas curvara a cabeça com educação e se retirara. Havia aprendido que silêncio era uma arma tão afiada quanto palavras.
Àquela hora do entardecer, refugiava-se no jardim interior, onde fontes murmuravam promessas antigas e o perfume das gardênias envolvia o ar. Foi ali que Auren surgiu, como uma sombra moldada em luz. Os cabelos dourados refletiam os últimos raios do dia, e os olhos — tão claros quanto a aurora — buscavam os dela com familiaridade.
— Majestade — cumprimentou, com um sorriso breve.
— Achei que estivesse em campanha de treinamento — disse ela, surpresa.
— Estava. Mas voltei antes para vê-la — respondeu com naturalidade, como se não tivesse dito algo perigoso.
Elira sentiu o coração tropeçar. O modo como ele falava, como a tratava, fazia com que ela se lembrasse de quem era antes de se tornar rainha. Antes de se tornar prisioneira em um palácio de ouro.
— E o que pretende ver em mim? — arriscou ela, os olhos semicerrados.
— Aquilo que você esconde de todos — respondeu ele. — O que resta de liberdade em sua alma.
Sentaram-se à sombra de uma pérgula coberta por flores. Auren ofereceu-lhe uma fruta cortada, e Elira aceitou com um leve aceno. Era nesses pequenos gestos que ele desarmava suas defesas. Não com promessas, mas com presença.
— Virelle está em silêncio. Mas por trás dos muros... ouve-se o ranger de correntes — murmurou Auren.
Elira o olhou, surpresa pela franqueza. Ninguém falava assim do rei. Ninguém ousava.
— Você devia tomar cuidado com essas palavras.
— E você devia deixá-las entrar — retrucou ele. — Antes que se perca de si mesma.
O vento soprou entre as flores, e por um instante, Elira desejou que aquele momento se congelasse. Que o mundo lá fora desaparecesse, restando apenas aquele jardim e a promessa muda que crescia entre eles.
Quando ele estendeu a mão e tocou o dorso da mão dela com os dedos, ela não recuou. O toque era leve, como um sopro, mas queimava sob a pele. Ela o olhou, e havia algo novo ali — algo que não era mais apenas afeição.
— Preciso voltar — disse ela, num sussurro.
— Sei — respondeu ele. Mas não soltou sua mão imediatamente.
Ao se levantar, ela hesitou. Depois, inclinou-se levemente. O rosto dele se ergueu. Por um instante, o tempo parou. Mas não houve beijo. Apenas a promessa dele, selada em um olhar.
Naquela noite, Elira não dormiu. Os dedos ainda ardiam onde ele a tocara. E, no fundo, algo em seu peito clamava por mais.
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Atualizado até capítulo 20
Comments
Maria Suely
E ela vai ficar em sombras de só gos com ele pois com ele vai fazer pra lhe ter como sua Rainha pois sei que ele não lhe quer como amante e sei que ela também não já que o Rei nunca a touca como mulher.../Shhh//Chuckle//Tongue//Tongue//Shhh//Shhh//Shhh/
2025-04-13
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