Lara não conseguiu tirar Miguel Salvatore da cabeça. Desde a reunião, suas palavras reverberavam em sua mente, e a proposta de parceria parecia ter sido deixada na superfície, como se algo maior estivesse sendo escondido por trás daquilo. Não podia negar que a ideia de expandir sua marca, com todo o apoio financeiro e os contatos que ele prometia, era tentadora. Mas havia algo em Miguel que a incomodava.
Ele não era como os outros empresários com quem ela já havia trabalhado. Seu olhar era penetrante, seus gestos calculados, e havia uma aura de poder e controle que parecia muito além de sua fortuna.
Naquela tarde, Lara se viu sentada em seu ateliê, tentando se concentrar no desenho de sua próxima coleção, mas seus pensamentos continuavam a voltar para ele. O cheiro de café fresco invadiu o ambiente, e quando ela olhou para a porta, viu Júlia entrar com uma expressão curiosa.
— Você ainda está pensando nele, não é? — perguntou Júlia, com um sorriso travesso.
Lara suspirou e afastou os papéis de desenho.
— Eu não sei o que pensar, Júlia. Ele não parece o tipo de pessoa que faria uma proposta como a dele sem um motivo.
Júlia se sentou ao lado de Lara, com um olhar investigativo.
— E o que você acha que ele quer?
— Não faço ideia. — Lara passou a mão pelos cabelos, claramente frustrada. — Ele me disse que quer expandir minha marca, mas a forma como ele falou sobre "ganhar algo em troca"... Não sei se isso é apenas negócios ou se há algo mais.
Júlia sorriu, inclinando-se para frente.
— Ah, Lara, você não pode negar que ele é... encantador, certo? O homem é irresistível. Eu mesma, se fosse você, já teria aceitado a proposta.
Lara balançou a cabeça, tentando se concentrar nas questões práticas.
— Não é só isso. — Ela parou por um momento, como se estivesse tentando organizar os próprios pensamentos. — A proposta dele é boa demais para ser verdade. Mas o que mais me incomoda... é o jeito dele. O olhar dele. Tem algo de... sombrio.
Júlia franziu a testa, surpresa.
— Sombrio? Mas ele parece tão... controlado. É como se ele tivesse tudo sob controle.
— E é exatamente isso que me preocupa. — Lara mordeu o lábio inferior. — Ele não é normal. O tipo de poder que ele exala não é apenas financeiro. Ele tem algo mais, algo... perigoso. Eu consigo sentir.
Júlia a observou em silêncio por um momento.
— Você está se deixando levar pela sua intuição, Lara. Isso é bom, mas cuidado. Nem todo homem com poder é um monstro.
Lara não respondeu imediatamente. Ela estava dividida. Por um lado, Miguel oferecia uma chance de crescer, de levar sua marca para um novo nível, mas por outro, algo em seu comportamento parecia desviar da linha entre a confiança e a ameaça.
Na noite seguinte, o som do telefone de Lara interrompeu o silêncio em seu apartamento. Ela olhou o número desconhecido no visor e hesitou antes de atender.
— Alô?
— Senhorita Martins, é Miguel Salvatore. — A voz dele era baixa, controlada, mas havia algo que fazia o coração de Lara bater mais rápido. — Espero não estar incomodando.
Ela respirou fundo, tentando manter a calma.
— Não, claro que não, senhor Salvatore. Em que posso ajudá-lo?
— Estava pensando em você. Em nosso acordo. Talvez eu possa levá-la a um evento importante, onde você possa conhecer alguns de meus parceiros. É uma oportunidade para estreitar nossos laços comerciais, como havíamos discutido. — Sua voz se suavizou um pouco, mas havia uma tensão quase imperceptível.
Lara sentiu a pele arrepiar-se. Ele estava oferecendo algo que não parecia ter apenas fins comerciais. O jeito como ele a abordava, a forma como o tom de sua voz se suavizava, tudo aquilo parecia muito mais pessoal do que um simples negócio.
— Eu preciso pensar melhor sobre isso, senhor Salvatore. Ainda estou considerando sua proposta.
— Claro. — Ele fez uma pausa, como se estivesse analisando suas palavras. — Mas não deixe de pensar em mim, senhorita Martins. Vou estar esperando sua resposta.
Miguel desligou sem esperar por mais nada, deixando Lara com um nó na garganta. Algo nele parecia... enigmático, como se estivesse em constante controle, manipulando as situações ao seu favor.
O evento que ele mencionou ocorreu poucos dias depois. Lara se viu mais uma vez diante de Miguel, desta vez em um dos lugares mais luxuosos da cidade, onde ele organizava uma reunião exclusiva para os empresários com quem trabalhava. Ela estava vestida de maneira simples, mas elegante, e seu olhar se desviava para Miguel, que estava no centro da sala conversando com outros homens de negócios. Ele parecia completamente à vontade, sua postura relaxada contrastando com a tensão que ela sentia.
Lara hesitou por um momento, mas logo percebeu que ele já estava se aproximando. Ele cruzou o salão com facilidade, como se fosse o dono de cada centímetro daquele espaço.
— Senhorita Martins. — Miguel parou diante dela, o sorriso habitual nos lábios, mas seus olhos estavam mais profundos do que ela lembrava. Ele a observava com uma intensidade crescente. — Que bom que veio.
Lara o observou com uma mistura de apreensão e curiosidade.
— O senhor realmente gosta de um bom evento, não é? — perguntou, tentando desviar do clima tenso.
Miguel deu um leve sorriso, mas não foi o suficiente para suavizar o olhar penetrante.
— Eu gosto do que vejo, senhorita Martins. E o que vejo aqui... é muito interessante.
Lara se sentiu desconfortável com a forma como ele a analisava, como se a estivesse estudando de forma meticulosa.
— Eu não estou aqui apenas para "ver", senhor Salvatore — respondeu ela, firme, tentando se distanciar emocionalmente da situação. — Estou aqui para conhecer mais sobre o tipo de "negócio" que você está me oferecendo.
Miguel se inclinou ligeiramente para ela, os olhos brilhando com uma luz que parecia pouco amigável.
— O que estou oferecendo é muito mais do que um simples negócio, Lara. É uma oportunidade que poucos têm. E não vai ser fácil deixar passar, não é?
A tensão entre eles estava no auge, como se as palavras tivessem o poder de ligar ou desconectar o que fosse que estivesse acontecendo ali.
Lara sentiu seu coração disparar, mas tentou manter a postura.
— O que eu decido é por minha conta, senhor Salvatore. Você deve saber que as pessoas que têm poder não podem controlar tudo. — Ela sorriu, mas não havia humor em suas palavras.
Miguel a olhou em silêncio por um longo momento. Então, finalmente, ele falou, sua voz mais grave e segura.
— Ah, mas você ainda não entendeu, senhorita Martins. Eu já controlo mais do que você imagina.
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Atualizado até capítulo 44
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