Mundos Iguais , Épocas Diferentes
O Enigma de Mei Lin
Mei Lin acordou com o som de passos do lado de fora do quarto. Por um momento, pensou que tudo foi um pesadelo. Talvez o baijiu tivesse sido mais forte do que imaginava. Mas ao olhar ao redor, viu o quarto luxuoso e desconhecido, os tecidos finos e os móveis esculpidos à mão. Não estava mais em Chengdu.
Antes que pudesse refletir mais, a porta se abriu. Uma mulher de aparência rígida entrou, trajando roupas que exalavam autoridade. Era elegante, mas severa. — "O Imperador ordenou que você se vestisse adequadamente. Ele quer vê-la na sala de audiências."
Mei Lin
- “Audiência? Por quê?” Mei Lin perguntou, ainda atordoada.
A mulher a ignorou, entregando-lhe um conjunto de roupas — outra peça de seda luxuosa, mas mais simples. — “Não faça perguntas tolas. Apenas se prepare. O Imperador não gosta de atrasos.”
Ainda confusa e relutante, Mei Lin vestiu-se sendo escoltada até a sala de audiências. O ambiente era imponente, com pilares de jade decorados e um trono elevado, onde Yan Cheng estava sentado. Ele parecia ainda mais intimidador à luz do dia. O seu semblante frio era como uma máscara, e os seus olhos a observavam com uma mistura de desconfiança e curiosidade.
Yan Cheng ( Imperador e general)
— “Mei Lin,” ele começou, a sua voz ecoando pela sala. — “Passei a noite refletindo sobre a sua presença aqui. Diz não ser uma espiã, mas sua história é absurda. Uma poça? Outro mundo? Por que eu deveria acreditar em você?”
Mei Lin
Mei Lin respirou fundo, tentando encontrar as palavras certas. — “Eu sei que a minha história parece loucura. Para ser honesta, nem eu acredito completamente no que aconteceu. Mas não sou uma ameaça. Sou só uma estudante comum que acabou... aqui, de alguma forma.”
Yan Cheng ( Imperador e general)
Yan Cheng inclinou a cabeça, os olhos avaliando cada “nuance” da sua expressão. — “Se é verdade que veio de outro mundo, prove. Mostre algo que somente alguém de lá saberia.”
Ela hesitou. Como provar? Não tinha nada consigo, nenhum objeto que pudesse comprovar a sua origem. Então lembrou-se de algo.
Mei Lin
— “Eu conheço números e técnicas que talvez você não conheça. Algo chamado álgebra... ou estratégias militares modernas. Posso mostrar?”
Yan Cheng ( Imperador e general)
Ele arqueou uma sobrancelha, interessado, mas cauteloso. — “Continue.”
Mei Lin pediu um pincel e papel. Com mãos tremulas, começou a desenhar padrões e explicar conceitos matemáticos que aprendera na escola, incluindo sistemas que poderiam melhorar a organização dos exércitos. Apesar de não ser uma especialista, ela sabia o suficiente para impressionar os conselheiros presentes, que murmuraram entre si.
Quando terminou, Yan Cheng caminhou até ela.
Yan Cheng ( Imperador e general)
“Você é inteligente, sem dúvida. E ousada. Mas isso não prova a sua origem. Apenas confirma que é... incomum.”
Antes que ela pudesse responder, um soldado entrou apressado na sala, ajoelhando—se diante de Yan Cheng. - “Majestade, temos notícias urgentes do norte. Um ataque foi relatado nas nossas fronteiras.”
Yan Cheng ( Imperador e general)
Yan Cheng voltou a sua atenção para o soldado, a sua postura endurecendo. — “Quantos homens?”
“Cerca de mil, liderados pelo general rebelde Han Yi.”
Yan Cheng ( Imperador e general)
Yan Cheng fechou os olhos por um momento, A premissa é inegavelmente verdadeira? ponderando. Então, voltou-se para Mei Lin. - “Você diz ser boa com estratégias. Agora é sua oportunidade de provar.”
Mei Lin
Mei Lin arregalou os olhos. — “Você quer que eu ajude... numa guerra? Eu sou só uma estudante!”
Yan Cheng ( Imperador e general)
— "No entanto, você parece mais preparada do que muitos dos meus conselheiros,” respondeu ele com frieza. - “Se quer minha confiança, mostre que é útil.”
As próximas horas foram intensas. Mei Lin viu-se cercada por mapas e comandantes, todos olhando-lhe com ceticismo. Com base no que sabia da sua vida anterior — e um pouco de improvisação —, sugeriu uma emboscada num terreno elevado, usando o conhecimento básico de geografia e táticas de distração.
Enquanto os comandantes discutiam as suas sugestões, Yan Cheng permaneceu em silêncio, observando. Por fim, ele levantou a mão, silenciando a sala.
Yan Cheng ( Imperador e general)
- “Seguiremos o plano dela.”
Yan Cheng ( Imperador e general)
Houve protestos imediatos, mas Yan Cheng os cortou com um olhar. — “Se falhar, ela será punida. Se tiver sucesso, todos aprenderão a respeitar a sua inteligência. É simples.”
Mei Lin engoliu em seco. Ela não tinha certeza se o seu plano funcionaria, mas sabia que não tinha escolha.
Naquela noite, sozinha no seu quarto, Mei Lin mal conseguiu dormir. O peso da sua situação era esmagador. Como poderia sobreviver num mundo que não era o seu? E por que Yan Cheng parecia tão... impossível de decifrar?
Ela pensava nele mais do que gostaria de admitir. Apesar da sua frieza, havia algo magnético nele. Algo que a fazia querer entender o homem por trás da máscara de Imperador.
Quando finalmente adormeceu, sonhou com a poça que a trouxera para ali, e com os olhos penetrantes de Yan Cheng, que pareciam sempre observá-la, mesmo nos seus sonhos.
O plano foi um sucesso. O exército de Yan Cheng derrotou os rebeldes com poucas baixas, e os comandantes ficaram impressionados. Na sala de guerra, ele aproximou-se dela novamente. Desta vez, havia um leve sorriso nos seus lábios, quase impercetível.
Yan Cheng ( Imperador e general)
- “Você provou seu valor,” disse ele, sua voz mais suave do que antes. - “Mas ainda há muito que quero saber sobre você.”
Mei Lin
Mei Lin suspirou, exausta, mas sentiu uma fagulha de orgulho. - “E eu sobre você, Yan Cheng. Porque, apesar de tudo, acho que há mais no Imperador do que apenas um semblante frio.”
Yan Cheng ( Imperador e general)
Ele arqueou a sobrancelha, claramente intrigado. — “Cuidado, Mei Lin. Não se aproxime demais. O meu mundo não é seguro para alguém como você.”
Mas ela sabia que não tinha escolha. Estava presa naquele mundo e, talvez, presa ao homem que começava a ocupar os seus pensamentos.
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