Vinthezo
Assim que meus olhos pousaram naquela garçonete, algo em mim despertou.
Havia algo diferente nela. Uma mistura de doçura e fragilidade, quase desconfortável para alguém como eu.
Chamei Katherine com um simples aceno de mão e, sem tirar os olhos da garota, perguntei:
— Quem é ela?
Katherine hesitou por um instante. Sua expressão ficou rígida.
— O nome dela é Luíze Bellini... só isso que sei.
Ela não me deu mais informações, mas era o suficiente.
Assim que ela saiu, tirei o celular do bolso e disquei para o meu investigador pessoal.
— Quero um relatório completo sobre uma garçonete chamada Luíze Bellini. Nome, histórico, família, rotina. Tudo. E com urgência.
Desliguei antes que ele pudesse responder. Eu sabia que ele faria.
Aquela garota seria a solução dos meus problemas com o Conselho.
Eles exigem estabilidade. Um casamento. Uma imagem de família. E eu… eu sou um homem de estratégia.
Ela seria minha peça.
Minutos depois, ela mesma trouxe meu jantar. Os passos leves, quase hesitantes, entregavam seu desconforto.
Seu olhar não encontrava o meu, como se soubesse que havia algo de errado comigo, mesmo sem me conhecer.
Ela serviu o prato com discrição e se afastou em silêncio.
Mas eu continuei a observá-la, com a tranquilidade de um predador à espreita.
— Katherine — chamei novamente —, não a deixe ir embora. Quero falar com ela.
Katherine
Me aproximei dele um pouco apreensiva. A expressão dele era indecifrável.
— O senhor vai falar com ela? Mas... é só uma garçonete.
Vinthezo
Me virei lentamente em direção a Katherine, lançando-lhe um olhar cortante.
— E desde quando você passou a questionar minhas ordens?
Acha mesmo que me deve explicações ou que tem algum direito de saber o que faço?
Katherine
Engoli em seco. Meus olhos baixaram imediatamente.
— Desculpe, senhor. Não foi minha intenção.
Vinthezo
Terminei meu jantar em silêncio, analisando cada detalhe da minha decisão.
Ao terminar, levantei o guardanapo com calma e deixei sobre a mesa.
— Traga-a até mim.
Katherine assentiu e foi cumprir minha ordem.
Katherine
Fui até Luíze, que estava recolhendo pratos na outra ponta do salão.
Seu rosto mostrava cansaço, mas também uma leveza que logo seria arrancada dela.
— Ele quer falar com você agora.
Ela me olhou sem entender.
— Ele... quem?
— O cliente da mesa do canto. Aquele que você atendeu há pouco.
Você sabe quem é ele?
Ela franziu a testa e balançou a cabeça.
— N-não... por quê?
Cruzei os braços e soltei o aviso, quase como uma ameaça:
— Pois fique sabendo que aquele homem é Vinthezo Collato, o chefe da máfia Collato. O mais temido de toda a Itália.
Se ele quer falar com você, é melhor não contrariá-lo. Ele odeia esperar. E odeia ser desobedecido.
Vi o rosto dela empalidecer no mesmo instante.
— Vai — disse, num sussurro firme — antes que seja tarde demais.
Luíze
Quando ouvi o nome Vinthezo Collato, um arrepio me percorreu a espinha.
Meu corpo travou. Meu estômago revirou. E por um instante, pensei em fugir pelos fundos do restaurante.
Mas fugir de quem comanda toda uma rede de poder? Seria suicídio.
Respirei fundo.
Meus pés pesavam como chumbo, mas fui até ele.
Aproximei-me com o máximo de respeito que pude reunir, e disse com a voz baixa:
— Pois não, senhor?
Ele ergueu os olhos lentamente. Eram frios. Escuros. Como um abismo.
Não sorriu. Não disse nada de imediato. Apenas analisou meu rosto por longos segundos, e eu quase implorei para que aquele olhar terminasse.
Meu coração batia descompassado. Cada segundo em silêncio me torturava.
— Sente-se — ele ordenou, sem levantar a voz.
Sentei. De cabeça baixa. As mãos suadas em meu colo.
Vinthezo
Observei sua postura tímida, o medo evidente.
Era isso que eu precisava: alguém controlável, vulnerável.
Alguém que o Conselho aceitaria como uma esposa perfeita para mim.
— A partir de hoje, você será minha noiva — anunciei com frieza.
— Em dois dias, você se casará comigo.
Ela ficou imóvel, como se o tempo tivesse parado. Seus olhos arregalados buscaram os meus com incredulidade.
— E se recusar — continuei, com uma calma que era mais assustadora que um grito —, mato você e sua querida mãe.
Luíze
As palavras dele me atingiram como tiros. Meu corpo congelou.
Quis gritar. Correr. Negar.
Mas fiquei ali. Paralisada. Desesperada.
Minha mãe.
A única pessoa que me resta neste mundo. Ele a usaria contra mim como uma moeda de troca.
E eu... eu não tinha poder nenhum para impedir.
Vinthezo
Me levantei com elegância e ajeitei o terno.
— Meu segurança vai te levar para casa.
Fiz uma pausa e a encarei com firmeza.
— Amanhã à noite será o jantar de noivado. Pela manhã, você receberá as regras do nosso casamento.
E entre elas, estará detalhado como você deve se comportar.
Me afastei sem esperar resposta. Ela não tinha escolha.
Luíze
Fiquei ali, sentada, atordoada, com a respiração entrecortada.
O mundo parecia ter perdido a cor.
Minha vida havia mudado... com uma simples sentença.
Fui condenada por um olhar. Por um capricho. Por uma ordem.
E, agora, era tarde demais para escapar.
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Atualizado até capítulo 69
Comments
marciamattos mattos
coitada da Luize não tem escolha
2025-04-26
0
Anilda Alves da Cruz
Ela deveria não mostrar tanto medo
2025-04-21
0
Yanaramadalenacostapaz
depois dessa eu nem falava mais
2025-04-20
0