Capítulo 5 - Explorando o ciclo da vida com psicologia

Uruma observava atentamente enquanto o animal agressivo, uma raposa de olhos penetrantes e pelagem escura, se agitava atrás das grades.
Seus instintos estavam aguçados, e a pressão em sua mandíbula parecia evidente a cada movimento que fazia.
Sua respiração estava pesada, quase como se estivesse sempre à beira de um ataque.
Ao lado da raposa, em uma gaiola separada, um coelho branco tremia, com os pelos macios e o olhar assustado, como se soubesse do perigo iminente que pairava sobre ele.
Kyou observava a cena com uma expressão de curiosidade misturada com apreensão.
Ele sabia que, mais uma vez, Uruma estava prestes a fazer algo que, de alguma forma, parecia explorar as profundezas do comportamento humano e animal.
Ele não sabia o que esperar, mas a inquietação já o tomava.
Kyou
Kyou
O que você está tentando entender com isso?
Uruma, com um leve sorriso no rosto, fez um gesto vago em direção à raposa e ao coelho.
Uruma
Uruma
O comportamento humano, Kyou
Uruma
Uruma
Eles são como nós, você não vê? Ambos são criaturas com instintos, mas diferentes em suas naturezas.
Uruma
Uruma
A raposa representa a agressividade, a fome de poder e controle. O coelho, por outro lado, é a representação do medo e da inocência, da fragilidade diante da brutalidade.
Uruma
Uruma
Mas o que acontece quando essas duas forças se encontram? O que vemos dentro de nós quando somos confrontados com o medo ou a violência?
Kyou olhou para o coelho, seu coração apertando um pouco ao ver o animal tão vulnerável. Ele sabia o que Uruma queria dizer, mas ao mesmo tempo, não conseguia compreender totalmente.
Como seres humanos, nós lidamos com o medo e a agressividade da mesma forma que esses animais? Será que nossas ações também eram tão predeterminadas quanto os instintos dos animais?
Uruma deu um passo à frente, aproximando-se da gaiola da raposa. Ele levantou a mão, tocando as grades com a ponta dos dedos, e a raposa imediatamente se virou, seus olhos brilhando com uma raiva cega.
Uruma
Uruma
A vida é um ciclo, Kyou
Uruma
Uruma
Como a raposa, nós caçamos, matamos, somos caçados, e eventualmente, morremos.
Uruma
Uruma
A natureza não conhece a misericórdia. Tudo é uma questão de sobrevivência. Mas, e o coelho? Ele representa o que fazemos quando estamos no limite do medo, quando nossa única opção é correr, fugir da agressão e da morte.
Uruma
Uruma
O coelho não tem a agressividade da raposa, mas ele possui uma força igualmente vital: a vontade de sobreviver, de se proteger.
Ele deu um passo atrás, observando os dois animais, agora em um silêncio tenso. A raposa parecia se acalmar, embora ainda olhasse fixamente para o coelho, como se aguardasse o momento certo para atacar. O coelho, por sua vez, não se movia, mas seu corpo tremia, como se soubesse do perigo iminente.
Kyou
Kyou
O que acontece quando esses dois se encontram? O que você quer dizer com isso? Vai deixar a raposa atacar o coelho?
Uruma
Uruma
Não, Kyou. Não é isso
Uruma
Uruma
O que eu quero mostrar é que a vida, em seu núcleo mais primitivo, é definida por esses confrontos.
Uruma
Uruma
Os instintos de agressão, os impulsos de medo, o desejo de controle, tudo isso forma o ciclo da vida. O que queremos entender é como o medo e a violência se entrelaçam dentro de nós.
Uruma
Uruma
Não importa o quanto tentemos esconder ou controlar, eles estão lá, presentes e inevitáveis.
Uruma
Uruma
A agressividade e o medo não são simplesmente forças externas que nos afligem, Kyou.
Uruma
Uruma
Eles estão dentro de nós, em cada ação que tomamos, em cada escolha que fazemos.
Uruma
Uruma
Muitas vezes, escolhemos ser a raposa — atacar, dominar, conquistar. Outras vezes, nos vemos como o coelho — fracos, vulneráveis, fugindo de algo maior do que nós mesmos.
Uruma
Uruma
Mas, no final, todos somos parte do mesmo ciclo. Todos somos predadores e presas. Todos estamos em busca de sobrevivência.
Kyou ficou olhando para Uruma, sem dizer uma palavra.
Uruma
Uruma
Você entende agora, Kyou?
Uruma
Uruma
A vida é assim. A violência e o medo estão em tudo, em cada movimento, em cada ser.
Uruma
Uruma
Mas a questão que você deve se fazer é: até onde você está disposto a ir dentro desse ciclo?
Uruma
Uruma
Esta lição, este experimento com a raposa e o coelho, é mais do que apenas observar os instintos primitivos dos animais.
Uruma
Uruma
Ele está intimamente ligado à nossa primeira lição, com os coelhos branco e preto.
Uruma
Uruma
Lembra-se da ideia de dualidade que discutimos? O que esses animais representavam?
Kyou
Kyou
Você está dizendo que o coelho e a raposa... representam algo mais do que apenas medo e agressividade?
Uruma assentiu lentamente, com um leve sorriso nos lábios.
Uruma
Uruma
Exatamente. A dualidade que vimos no primeiro experimento, entre o branco e o preto, está aqui de novo, mas de uma forma mais visceral.
Uruma
Uruma
A raposa é o preto, a agressividade sem restrições, a vontade de dominar, de consumir. O coelho é o branco, a fragilidade, o medo que nos consome quando nos vemos diante de algo maior do que nós.
Uruma
Uruma
Mas o ciclo da vida, Kyou... ele não se resume a um simples confronto de opostos. O que você percebe aqui é que, quando um desses extremos se manifesta, ele não apenas destrói o outro, mas também nos define.
Uruma
Uruma
No final, não há pureza, Kyou. Não há um bem ou mal definidos.
Uruma
Uruma
Existe a luta constante, e somos nós quem escolhemos em que parte dessa luta estaremos.
Uruma
Uruma
No início, você poderia ter olhado para a agressividade da raposa e julgado-a como má, e visto o coelho com seus olhos inocentes e achado que era bom.
Uruma
Uruma
Mas não há tal divisão. A raposa não está errada em sua natureza, ela está apenas tentando sobreviver, assim como o coelho.
Uruma
Uruma
Ambos têm suas razões, seus impulsos. Eles não são bons ou maus, eles apenas são.
Uruma
Uruma
A primeira lição nos mostrou que tudo tem um papel na mente humana. Os opostos existem dentro de nós, Kyou, e é isso que nos torna humanos.
Uruma
Uruma
O medo, a raiva, a inocência e a agressividade... Eles se entrelaçam de maneira complexa.
Uruma
Uruma
O que vemos no mundo, o que fazemos, não é só uma questão de certo ou errado, mas de qual impulso prevalece dentro de nós a cada momento.
Kyou ficou em silêncio por alguns segundos, refletindo sobre a complexidade das palavras de Uruma. Ele começava a perceber que a linha entre o bem e o mal não era tão nítida quanto pensava.
O medo e a agressividade não eram apenas impulsos animalescos, mas manifestações de algo muito mais profundo, algo que existia dentro de todos nós, humanos ou não.
Kyou
Kyou
Então... tudo isso, essas lições, são sobre entender essa luta interna?
Kyou
Kyou
Sobre escolher quem somos diante desses impulsos?
Uruma
Uruma
Exatamente, Kyou. A vida é sobre essa luta constante. E a psicologia humana, no fundo, não é diferente do comportamento animal.
Uruma
Uruma
Somos todos governados por nossas naturezas, por nossos instintos. O que você decide fazer com isso... essa é a verdadeira questão.
Uruma
Uruma
Eu não estou apenas experimentando com eles. Estou lhe mostrando como a mente humana funciona, em sua essência mais primitiva. Como os seres humanos respondem aos instintos, ao medo, à agressividade, ao desejo de controle.
Kyou olhou para Uruma, absorvendo cada palavra. Ele já começava a entender que as lições estavam além da observação dos animais em si.
Uruma
Uruma
Quando você vê um coelho tremendo de medo, ou uma raposa faminta e agressiva, você não está apenas vendo um animal em uma situação. Você está vendo a representação dos próprios instintos humanos.
Uruma
Uruma
Medo e agressividade. O desejo de sobreviver. O impulso para destruir ou proteger. Esses sentimentos não são exclusivos de animais, Kyou.
Uruma
Uruma
Eles estão em cada um de nós, bem no fundo. O que fazemos com esses impulsos, como reagimos a eles, é o que realmente define a nossa psique. E é exatamente isso que estou tentando lhe mostrar.
Uruma
Uruma
Nós, como seres humanos, nos vemos como mais do que simples instintos, mas a verdade é que muitas das nossas ações, das nossas escolhas, vêm desses impulsos primitivos.
Uruma
Uruma
O que você pensa sobre o bem e o mal, Kyou? Você consegue ver como o medo, a raiva, e a defesa de nossa própria sobrevivência moldam nossas decisões?
Uruma
Uruma
Não importa o quão civilizados nos consideremos, por dentro, ainda somos governados por esses impulsos.
Kyou
Kyou
Então... você está me dizendo que tudo o que fazemos, nossas escolhas, até nossas crenças sobre o certo e o errado, não passam de reações a esses instintos?
Uruma
Uruma
Exatamente. O medo, a raiva, a necessidade de controle...
Uruma
Uruma
Essas forças são fundamentais na construção do que chamamos de "mente humana". A diferença entre os humanos e os animais não está na presença desses instintos, mas na maneira como os manipulamos, como os racionalizamos e os interpretamos.
Uruma
Uruma
Quando você vê uma pessoa matando por vingança ou agindo por proteção, está vendo algo que nasce diretamente desses impulsos. O que muda é o contexto, a maneira como justificamos nossas ações, mas a raiz é sempre a mesma.
Uruma
Uruma
Isso é psicologia, Kyou. Estamos apenas começando a tocar a superfície da mente humana.
Uruma
Uruma
Você tem medo, Kyou. Você sente raiva, sente uma vontade de controlar, de dominar.
Uruma
Uruma
Mas você não pode ignorar que, no fundo, tudo o que você sente nasce desses mesmos impulsos.
Uruma
Uruma
Não há diferença. O que muda é a maneira como você decide canalizá-los. Isso é o que define sua natureza, o que você escolhe ser.

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