Capítulo 2: Legumes e frutas parte 3

Abro os olhos e me vejo outra vez naquela densa floresta, onde as três macieiras que eu havia feito crescer permaneciam imponentes. O sonho ainda estava fresco em minha mente. Aquela garota... claramente era a mesma que entrou no meu apartamento. Se o que aconteceu foi real, então esse corpo, essa vida... tudo veio dela e da escama do Dragão Negro.
A verdade é esmagadora: eu preciso ajudar o príncipe. Mas o problema é como? Se nem ao menos sei por onde começar.
Olho para o pequeno lobo adormecido em meu colo. Seus pelos brancos eram incrivelmente macios, e por um instante, um sorriso leve surge em meu rosto. Ele parecia tão tranquilo, completamente alheio à confusão em minha mente.
Bem,— penso, tentando organizar meus pensamentos.—Agora que já fiz as frutas, tudo o que preciso é vendê-las.
Um sorriso maldoso se forma em meus lábios. Talvez essa seja a primeira solução para ganhar dinheiro neste mundo. No entanto, minha animação dura pouco, pois a realidade logo me atinge como um balde de água fria: está escuro, frio, e eu sequer tenho um lugar para morar.
Éden
Éden
Merda. Como vou sobreviver se nem tenho onde me abrigar?
Murmuro, sentindo o peso da situação.
De repente, algo toca meus pés. Dou um salto para trás, o coração disparado, e olho para o chão. Vejo raízes saindo da terra, se contorcendo e se movendo de forma quase viva.
Meu corpo congela por um momento. A cena era, no mínimo, assustadora, mas então percebo uma leve aura dourada emanando das raízes. Elas se entrelaçam e começam a se erguer, moldando-se em algo maior.
Pouco a pouco, as raízes formam a estrutura de uma pequena casa de madeira. Simples, mas acolhedora. Uma porta aparece, seguida por janelas rústicas. Quando tudo termina, fico parado, boquiaberto.
Éden
Éden
Isso foi... incrível.
Ainda sem acreditar, toco a madeira. Era sólida, quente ao toque, como se tivesse sido feita para mim. O pequeno lobo em meu colo se remexe e abre os olhos, olhando para mim e então para casa logo abaixando a cabeça como se não houvesse nada com que se preocupar.
Éden
Éden
Bom trabalho, eu acho...
Digo acariciando a madeira, ainda tentando processar o que aconteceu.
Não sei se foi a escama, a magia da ninfa, ou algum reflexo da energia que usei antes, mas agora eu tinha um lugar para começar. Uma casa no meio da floresta, com macieiras ao redor e um lobo mágico como companhia.
Talvez, só talvez, eu conseguisse sobreviver a este mundo.
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Entro na casa recém-formada pelas raízes e sou recebido por um espaço aconchegante, embora simples. No centro, uma mesa com quatro cadeiras, uma bancada e alguns armários. Ao lado, um fogão a lenha completava o ambiente, deixando-o com um ar rústico e acolhedor. Havia duas portas adicionais, além da entrada.
Curioso, abro a primeira porta e encontro um quarto. Dentro, havia uma cama de madeira com um baú posicionado aos seus pés. Uma janela, coberta por cortinas finas, permitia que a luz suave da lua iluminasse o espaço.
Deixo o pequeno lobo de pelos brancos sobre a cama. Ele logo se ajeita, dando uma volta preguiçosa antes de cair em um sono tranquilo. Observo por um instante, sentindo um inesperado alívio em não estar completamente sozinho.
Caminho até o baú e o abro com cuidado. Dentro, encontro uma muda de roupas, simples mas limpas, e alguns livros. Um deles é o mesmo que havia pego na biblioteca mais cedo. Passo os dedos pela capa, surpreso com o nível de detalhe daquela magia.
Éden
Éden
A magia realmente é algo incrível.
Murmuro, sentindo admiração por tudo aquilo ter sido feito num piscar de olhos.
Pego a muda de roupas e saio do quarto, dirigindo-me à segunda porta. Ao abri-la, dou de cara com um banheiro. Uma banheira de madeira estava cheia de água limpa, provavelmente aquecida pela mesma magia que havia criado a casa. Toalhas macias estavam empilhadas em um canto, e, para minha surpresa, havia até um vaso sanitário rudimentar. Não era como os da Terra, mas ainda assim muito melhor do que fazer minhas necessidades ao ar livre.
Solto um suspiro de alívio.
Éden
Éden
Acho que finalmente posso relaxar um pouco.
Digo para mim mesmo, enquanto fecho a porta atrás de mim e começo a me preparar para um merecido banho.
Ainda tenho muitas coisas para fazer mas ao menos, por agora, eu tinha um teto sobre a cabeça e a promessa de uma boa noite de sono.
. . .
Éden
Éden
Está tudo pronto!
Afirmo animado, arrumando a bolsa que encontrei no baú. Ela era especial, com um armazenamento infinito, permitindo que eu colocasse todas as frutas e legumes que havia preparado durante boa parte da manhã. A empolgação pulsava em mim enquanto me preparava para voltar à cidade.
Lembrava-me bem do caminho, e durante o trajeto, não pude deixar de cantarolar. Finalmente, eu teria a chance de ganhar uma boa quantia de dinheiro. Um sorriso de orelha a orelha estampava meu rosto.
Ao chegar, escolhi o local perfeito e estendi uma toalha em frente à loja de verduras, bem do outro lado da rua.
Éden
Éden
Vingança? Não, jamais!
Sussurrei para mim mesmo, soltando uma risada maléfica. Quem mandou aquele vendedor ser tão mal-educado? Vou roubar seus clientes, babaca!
Arrumei cuidadosamente as frutas e verduras em vasilhas que havia feito com raízes das árvores enquanto estava em casa. Sentei-me no chão, aguardando os primeiros clientes, quando um homem de longos cabelos prateados, presos em um rabo de cavalo, passou pela rua.
Ele era impressionante. Vestia-se como um aristocrata e carregava alguns livros. Seus óculos lhe davam um ar intelectual, mas havia algo incomum: seu físico era mais robusto do que o de um mago comum.
Éden
Éden
Senhor mago, não deseja uma fruta?
Chamei, atraindo sua atenção. Ele parou, olhando-me com curiosidade.
Éden
Éden
Por favor, venha provar em primeira mão essa fruta. Eu a chamo de tangerina.
Peguei uma das frutas para demonstrar, e apesar de sua hesitação inicial, ele pareceu interessado.
Éden
Éden
Primeiro, você a descasca e então come os gomos.
Expliquei descascando uma para mostrar como se fazia. Provei um pedaço para lhe assegurar que estava tudo bem. Ele me observou por um momento antes de finalmente pegar um gomo e provar. Seus olhos se arregalaram de surpresa.
???
???
É uma delícia!
Exclamou, colocando os livros de lado para tomar a fruta inteira da minha mão.
Éden
Éden
E então, gostou?
Perguntei, rindo da sua animação. Ele pareceu perceber seu entusiasmo e rapidamente ajustou sua postura, um pouco envergonhado. Terminou de comer a fruta com mais compostura e, para minha surpresa, tirou um lenço do bolso e limpou as minhas e as suas mãos sujas com o suco da tangerina.
Éden
Éden
Obrigado.
Agradeci, surpreso com sua gentileza. Ele sorriu, guardando o lenço sujo.
???
???
Qual é o seu nome?
Eu não havia pensado nisso ainda. Usar meu nome da Terra parecia estranho, mas precisava inventar algo. Lembrei-me da ninfa... algo relacionado a plantas, jardim...
Éden
Éden
Éden... Éden Garden.
Ele ergueu uma sobrancelha, parecendo surpreso, mas então sorriu.
???
???
É um nome bonito.
Apontou para as frutas.
???
???
Vou levar duas de cada. Quanto fica?
Éden
Éden
Apenas 50 moedas de prata.
Ele entregou o pagamento, examinando as frutas enquanto as guardava em um anel de armazenamento.
???
???
O preço está muito bom. Como você cultiva essas frutas?
Fiz um sinal de silêncio e sorri.
Éden
Éden
Segredo.
Éden
Éden
Não queria revelar que usava magia. Vai que havia alguma lei ou proibição sobre isso? Ele riu, parecendo entender, e acenou para mim.
???
???
Tenha um bom dia, Éden.
Éden
Éden
Para o senhor também!
Respondi, acenando enquanto ele se afastava. Depois disso, outras pessoas começaram a se aproximar, curiosas sobre os produtos. O dia mal havia começado, e já parecia promissor. Finalmente, as coisas estavam dando certo.

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