Capítulo 2: Legumes e frutas parte 1

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Senhor Dragão!
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Senhor Dragão!
As ninfas batiam suas asas com toda a força que tinham, o vento que geravam fazendo as folhas das árvores ao redor se agitarem como se fossem presas de uma tempestade. Elas se aproximavam do dragão negro adormecido em seu grandioso castelo isolado, uma fortaleza de pedras escuras que parecia se misturar com a própria noite.
O dragão, uma criatura imponente e antiga, dormia profundamente, seus grandes olhos fechados, como duas lâmpadas apagadas. No entanto, quando uma das ninfas soltou um grito de desespero, ele imediatamente abriu os olhos e suspirou um ar quente, fazendo as ninfas retrocederem, suas asas tremendo, temerosas da força daquele sopro.
Dragão
Dragão
O que querem de mim, pirralhas?!
Sua voz soou como o estrondo de trovões, reverberando por todo o castelo.
A mais velha das ninfas, a líder do grupo, se pôs à frente. Ela era uma figura imponente, com seus olhos sábios e seu porte gracioso, mas forte como uma montanha. Com um movimento firme, ela colocou os pés no chão, desafiando a autoridade do dragão. Aos poucos, as outras ninfas a seguiram, embora de maneira desajeitada, ainda inseguras, o que causou um leve roçar de suas asas no ar. A ninfa mais velha abaixou a cabeça e, com uma reverência profunda, ajoelhou-se. Suas asas, grandes e majestosas, se curvaram atrás de seu corpo, como um sinal claro de respeito à grande besta.
O dragão, com suas escamas reluzentes e olhos de âmbar que pareciam carregar séculos de sabedoria, olhou para ela com um ar de impaciência. Seus chifres, imponentes como os de um cervo, eram adornados com flores eternas, flores que não murchavam, que resistiam ao tempo como ele. Ele fez um gesto apressado com a cabeça, pedindo para que a ninfa se levantasse e falasse logo.
Dragão
Dragão
O que é tão urgente, pequena criatura?
Grunhiu o dragão, seu tom de voz misturando curiosidade e tédio.
A ninfa de pele bronzeada, com longos cabelos verdes e ondulados que tocavam o chão, ergueu os olhos e, com uma voz que carregava a melancolia de gerações.
???
???
Por favor, meu senhor, o último descendente dos dragões... ele irá morrer dessa forma. Ele precisa de sua ajuda.
O dragão a observou em silêncio, seus olhos refletindo uma calma assustadora. Um descendente do dragão em perigo? Pensou ele. Deveria ser fraco, um filhote, uma criatura insignificante. Para ele, filhotes fracos mereciam a morte. Ele estava acostumado à sua própria força, ao seu poder incomparável. Mas algo na maneira como a ninfa falou o fez hesitar.
A ninfa, vendo o olhar desconfiado do dragão, continuou, sua voz tremendo levemente.
???
???
Ele é o último da linhagem pura, meu senhor. A linhagem que, dizem, carrega a verdadeira essência dos dragões. Ele precisa de sua ajuda, ou todos nós, seus descendentes, seremos extintos.
O dragão permaneceu em silêncio por longos minutos, seus olhos dourados fixos nela, refletindo a luz do fogo de seu próprio ser. Finalmente, um brilho de compreensão atravessou sua expressão e ele soltou um leve suspiro, como se o peso de todas as vidas passadas tivesse passado por sua mente. Com um gesto quase imperceptível, ele retirou uma das escamas de seu próprio corpo, uma escama que parecia brilhar com um brilho suave e misterioso. Ele a entregou à ninfa.
Dragão
Dragão
Aqui...
Com uma voz mais suave, mas ainda cheia de autoridade contínua.
Dragão
Dragão
Leve isso. Use-a com sabedoria. E que ele saiba como carregar o peso da linhagem.
A ninfa pegou a escama com mãos trêmulas, seu coração batendo rápido de gratidão. Ela se curvou mais uma vez, quase tocando o chão com a testa.
???
???
O... Obrigado, meu senhor!
O dragão abaixou a cabeça, fechando os olhos novamente. Ele estava cansado, como se a simples ideia de acordar tivesse drenado suas forças.
Dragão
Dragão
Vá logo. Mas cuidado com os viajantes. Eles não gostam quando interferem em outros mundos. Eles serão mais um obstáculo no seu caminho.
Uma aura negra envolveu a ninfa, e ela sentiu o peso do poder do dragão em suas mãos. A escama parecia pulsar, como se tivesse vida própria. Ela a segurou com firmeza, determinada a cumprir sua missão.
???
???
Eu farei o que for necessário, meu senhor.
Ela exclamou, sua voz agora cheia de convicção, antes de desaparecer nas sombras, a aura negra envolvendo-a por completo.
. . .
Abri meus olhos assustado, com a respiração ofegante, como se tivesse corrido uma maratona.
Éden
Éden
Mas que sonho foi esse?
Resmunguei, passando a mão na cabeça, sentindo uma leve dor. Olhei para a mesa onde tinha pegado no sono. A biblioteca estava silenciosa, e o céu lá fora, que antes estava escuro, agora estava claro, como se o tempo tivesse passado sem que eu percebesse.
Eu vim para a biblioteca com o intuito de descobrir mais sobre esse mundo. Passei a noite toda lendo, e nem sei exatamente quando fui dominado pelo sono. Só sei que foi o suficiente para que o céu mudasse.
Na maioria das novels que eu li, os protagonistas recebiam um manual de instruções para guiá-los, mas eu... bem, eu só tenho um rostinho bonito e a informação vaga de que sou um feiticeiro que, para ser honesto, não sabe como lançar um feitiço. Esse mundo é tão diferente da Terra. Aqui, há magia, feiticeiros, magos, berserkers e monstros. E, quanto mais leio sobre ele, mais parece que estou dentro de uma das histórias que eu lia antes de... bem, de morrer.
Éden
Éden
E se eu realmente entrei nessa história...
Murmuro para mim mesmo, tentando processar tudo que li até agora.
Vamos ver... O príncipe foi envenenado durante grande parte da sua infância pela própria mãe, criando uma aversão a qualquer tipo de comida. Aos 18 anos, foi enviado para a linha de frente da guerra nas fronteiras, e, apesar de ter vencido, o seu estado psicológico ficou ainda mais instável. Aos 23 anos, ele voltou ao reino, onde a sua mãe governava no seu nome, e a matou. Depois, eliminou os nobres corruptos e, no fundo do poço, dizimou toda a população do seu país. Isso aconteceu no ano de 1279, e, segundo os registros mais recentes, estamos no ano de 1278, ou seja, o príncipe está voltando da fronteira, e provavelmente está se preparando para matar todos.
Éden
Éden
Eu tô ferrado...
Se ele fosse uma criança, até daria para tentar interferir, mas como diabos vou mudar a trajetória de um adulto traumatizado? Se ao menos a autora tivesse se dado o trabalho de dar-lhe um par romântico, talvez isso o impedisse... mas nem isso. Pior ainda... Eu não faço ideia de como encontrá-lo.
Éden
Éden
Desisto, eu aceito o meu fim.
Suspiro, derrotado. Tudo o que posso fazer agora é ganhar o máximo de dinheiro possível e tentar fugir desse lugar o quanto antes. Isso é o que vou fazer.
Levanto da mesa, observando os livros espalhados, enquanto tentava organizar as minhas ideias. Se eu realmente estivesse dentro de uma história, então as probabilidades de um final feliz eram quase nulas. Quem sabe eu não conseguisse mudar as coisas, mas para isso eu precisaria de mais informações... mais poder... e, o mais importante, uma forma de sobreviver ao caos iminente.
Talvez eu tivesse que criar meu próprio caminho, mas... para onde eu iria? Como sobreviver em um mundo onde tudo parece conspiração e tragédia?
Antes que minha mente entrasse em colapso, fechei meus olhos reparei fundo e voltei a observar os livros de feitiços espalhados sobre a mesa. Primeiramente, eu precisava desenvolver minhas habilidades mágicas. Depois, dinheiro. E foi nesse momento que meu estômago começou a roncar, como se o próprio corpo fosse me lembrar de que antes de qualquer coisa, eu precisava comer.
Suspirei, guardando os livros de volta no lugar e levando apenas um que falava sobre feitiços da natureza. Era o mais adequado para um iniciante como eu.
Saí da biblioteca e fui em direção à rua do comércio. O cheiro de alimentos preparados no fogo me atraiu, e parei diante de uma barraca que vendia churrasco. Ah, que fome!
Comerciante
Comerciante
Vai querer quantos?
O vendedor perguntou com um sorriso simpático. Sorria de volta, meio sem jeito. Não tinha dinheiro para pagar. Estava prestes a dar meia volta, quando, surpreendentemente, uma senhora que eu tinha visto algumas vezes antes se aproximou. Ela pagou pelo meu prato de carne.
Éden
Éden
Obrigada por isso
Disse, sorrindo, ainda sem acreditar que alguém me ajudaria dessa forma.
Comerciante
Comerciante
Por nada, meu jovem. Coma e fique forte
Ela respondeu, antes de seguir seu caminho. Voltei minha atenção para o pequeno prato com um bom pedaço de carne. Não havia nenhum acompanhamento, nem arroz, nem feijão, nem farofa... só carne. Comi um pedaço e logo sorri, animado. A carne estava deliciosa, e o molho que acompanhava estava perfeito, mas a falta de um acompanhamento me deixou com uma leve sensação de que algo faltava.
Por sinal, eu não vi quase nenhuma barraca com frutas ou verduras. Estranho. Por que isso?
Éden
Éden
Senhor, sabe me dizer onde vendem frutas ou legumes por aqui?
Perguntei ao vendedor, ainda mastigando um pedaço de carne. Ele me olhou surpreso com a pergunta, mas logo sorriu e respondeu.
Comerciante
Comerciante
Bom, o senhor está fazendo compras para uma família nobre?
Neguei com a cabeça, um pouco curioso com a suposição.
Éden
Éden
Eu só fiquei curioso
Comerciante
Comerciante
Ah, entendi... Bom, há uma loja no fim da rua que vende essas coisas.
Ele apontou para o final da rua.
Terminei de comer o prato de carne e me levantei. Com um leve aceno de cabeça para o vendedor, segui na direção indicada, ainda pensando na falta de alimentos frescos nas barracas.
. . .
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Comments

~°👾cissa👾°~

~°👾cissa👾°~

eita porra

2025-02-05

2

evysz

evysz

se lascou

2025-01-10

1

Ver todos

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