Capítulo 2: Legumes e frutas parte 2
Abro a porta da loja e me deparo com uma grande variedade de frutas e legumes, todos muito maiores do que os convencionais da Terra. Algumas frutas pareciam tão frescas e vibrantes que até pareciam brilhar, enquanto outras já haviam passado do ponto, exibindo manchas escuras e um cheiro ligeiramente fermentado.
Me aproximo de uma bancada e pego uma fruta vermelha e arredondada, curiosamente analisando-a. Logo noto o preço marcado: 42 moedas de prata. Franzi o cenho. Tudo no mercado central estava por volta de 20 moedas no máximo. Por que está tão caro?
Antes que pudesse pensar mais sobre isso, senti os olhares do vendedor cravados em mim. Ele era um homem robusto, de cabelos grisalhos e expressão severa. Seus olhos avaliavam cada movimento meu com desconfiança.
Vendedor
Ei, se não pode pagar, apenas saia. Vamos, vamos!
Disse ele, aproximando-se com os braços cruzados, sua voz carregada de irritação.
Olhei para ele, surpreso pela hostilidade. O que há de errado com ele? Ele é algum tipo de nobre para agir assim? E por que ele parecia tão incomodado com minha presença?
Respondi com um tom neutro, erguendo as mãos em um gesto de rendição antes de sair.
Lá fora, me encostei a uma parede e abri o livro de feitiços que trouxe da biblioteca. Folheei algumas páginas até encontrar o capítulo sobre crescimento e cultivo de plantas. Uma ideia começou a se formar em minha cabeça.
Éden
Se as frutas e legumes são tão caros, e eu preciso praticar magia da natureza... por que não unir o útil ao agradável?
Um sorriso malicioso surgiu em meus lábios. A ideia era simples e ao mesmo tempo brilhante. Eu poderia cultivar minhas próprias frutas e verduras usando magia, vendê-las a preços acessíveis e, com isso, ganhar muito dinheiro!
Meu coração acelerou com a empolgação. Claro, eu precisaria praticar os feitiços antes, mas não parecia impossível. Além disso, seria uma oportunidade perfeita para explorar as minhas habilidades.
Éden
Quem sabe, com sorte, eu consiga até descobrir mais sobre como funcionam as magias aqui...
Fechei o livro, decidido. O próximo passo seria encontrar um lugar tranquilo para praticar e algumas sementes para começar minha experiência. O futuro podia até ser incerto, mas, por ora, eu tinha um plano.
Levanto as mangas da minha roupa e respiro fundo. Segundo as instruções do livro, tudo o que preciso é respirar profundamente, fechar os olhos e visualizar o que quero. Parece simples, mas magia demandava energia, concentração e, claro, prática.
Fecho os olhos e imagino as sementes que plantei crescendo, se transformando em grandes macieiras carregadas de frutos vistosos. Sinto um leve formigamento nas palmas das mãos, como se algo estivesse fluindo de dentro de mim. A sensação era estranha, mas ao mesmo tempo... boa
Quando abro os olhos, meu coração quase salta do peito. Três macieiras enormes estavam diante de mim, repletas de maçãs vermelhas e brilhantes, como se fossem tiradas de um sonho.
Um sorriso de pura alegria se forma em meu rosto, mas a euforia é rapidamente substituída por um cansaço repentino. Minha visão começa a turvar, e sinto meu corpo vacilar.
Éden
Será que eu exagerei?
Apoio-me em uma das árvores para não cair. Finalmente, desabo no chão, recostando-me ao tronco de uma das macieiras. Minhas mãos tremiam como se eu tivesse corrido quilômetros sem parar. Eu estava exausto, como se toda a energia do meu corpo tivesse sido drenada.
Éden
Acho que eu realmente exagerei...
Murmuro, fechando os olhos por um instante, tentando recuperar as forças.
Minha mente começava a flutuar entre o consciente e o inconsciente quando sinto algo quente e úmido lambendo meu rosto. Abro os olhos lentamente, e meu coração quase para ao me deparar com um enorme lobo branco.
Ele era magnífico. Seus pelos eram de um branco puro, brilhantes sob a luz do sol, e seus olhos tinham um tom de verde tão profundo que parecia guardar segredos de uma floresta antiga. Ele olhava para mim com curiosidade, sem hostilidade.
A minha voz falha. Instintivamente, estendo a mão para tocar sua cabeça. Ele não recua. Pelo contrário, fecha os olhos, como se apreciasse o carinho.
Só então percebo o real tamanho dele. O lobo era imenso, com pouco mais da metade da minha altura. Um frio percorre minha espinha, e tento me arrastar para trás, mesmo sem forças. No entanto, ele se deita calmamente e repousa a cabeça sobre o meu colo.
Seu gesto é tão inesperadamente gentil que meu corpo relaxa por reflexo. Era como se ele estivesse tentando me acalmar, me dizendo que não havia nada a temer.
Éden
O que... o que foi isso?
Sussurro, enquanto toco novamente sua cabeça, ainda incrédulo.
De repente, diante dos meus olhos, o lobo começa a diminuir de tamanho. Seus pelos permanecem brilhantes, mas agora ele parecia mais um cachorro grande, cabendo perfeitamente no meu colo.
Éden
Isso não faz sentido...
A minha voz sai fraca. Minha cabeça começa a doer, uma dor pulsante que parece ecoar dentro do meu crânio. Tudo ao meu redor parecia girar.
Éden
Só... só um pouco de descanso...
Murmuro, fechando os olhos novamente enquanto minha consciência é tomada pelo sono.
A ninfa de pele morena, longos cabelos verdes que caíam como cascatas de folhas por seus ombros, olhos âmbares brilhantes e lindos chifres de cervo floridos, caminhava pelas ruas da cidade, sem ser notada como se estivesse envolta num manto de invisibilidade.
Ela não sabia exatamente o que procurava; tudo o que tinha era a escama negra, entregue pelo Dragão Negro, que deveria guiá-la até algo, ou alguém, capaz de salvar o príncipe dragão.
Por dias, vagou sem rumo, confiando apenas na vibração ocasional da escama para orientá-la. Sua jornada era solitária e incerta, até que, certa noite, foi interrompida por uma presença opressora.
Diante dela, emergiu um monstro de aura negra, sua silhueta envolta em trevas tão densas que apenas dois pontos brilhantes, semelhantes a olhos, podiam ser vistos.
???
Viajante identificada.
A voz ecoou como um estrondo, grave e impiedoso. Assustada, a ninfa deu alguns passos para trás, mas não podia ignorar o que estava diante dela: uma besta viajante, criatura enviada para exterminar qualquer ser que cruzasse entre mundos. A lenda dizia que essas criaturas eram implacáveis, dotadas de lâminas afiadas que podiam ceifar até os seres mais poderosos.
O monstro soltou um rugido aterrorizante, que fez o chão tremer. A ninfa correu, seu coração bateu como tambores de guerra. No entanto, o monstro foi mais rápido. Lâminas rasgaram o ar ferindo os seus braços e perfurando seu abdômen. Apesar do grito de dor ela não parou fugindo para dentro de um dos prédios.
Subiu as escadas desesperadamente, enquanto sangue escorria por suas feridas. Ela sabia que o monstro era obrigado a seguir as leis do mundo e, por isso, não poderia atravessar paredes ou destruir o edifício diretamente. Porém, a cada momento, ele se aproximava mais.
Sem outra opção, bateu freneticamente em uma das portas.
???
P.Por favor alguém me ajuda! Por favor...
Após longos segundos de silêncio, a porta se abriu. Um humano jovem, com olhos confusos e expressão preocupada, apareceu. Ele parecia hesitante, mas ao ver os ferimentos da ninfa, a deixou entrar.
Tentando recuperar o fôlego. Ela mal teve tempo de avisá-lo antes que o monstro começasse a bater na porta.
No entanto, a curiosidade ou a ingenuidade do jovem o levou a desobedecer. Assim que abriu a porta, a criatura atacou com sua lamina. A ninfa gritou, vendo o humano ser derrubado.
Em um último esforço, a escama dourada começou a brilhar intensamente. Sentindo o chamado, a ninfa canalizou suas últimas forças na magia que restava em seu corpo. Correntes douradas emergiram do chão atacando o viajante sombrio que desapareceu.
O jovem humano, que parecia perdido entre a vida e a morte, foi envolvido por essa mesma luz. A escama vibrava, emanando uma energia que a ninfa reconheceu imediatamente. Ela olhou para ele, compreendendo o que aquilo significava.
Com um sorriso fraco ela murmurou. A luz dourada tomou conta do ambiente, e a ninfa sentiu sua energia sendo transferida para o humano. Sabia que sua missão estava completa. Com um último olhar para ele, deixou-se levar pela luz, sua essência agora parte de algo maior.
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