Visão de Oliver
Cinco meses.
Cinco meses podem parecer pouco tempo.
Mas quando você passa esses cinco meses pensando na mesma pessoa quase todos os dias… eles parecem muito mais longos.
Eu nunca fui o tipo de cara que se apega rápido.
Na verdade, sempre fui o contrário.
Minha vida sempre foi simples.
Trabalho.
Casa.
Treino.
Trabalho de novo.
Ser bombeiro significa viver com horários malucos e riscos constantes. Então relacionamentos nunca foram exatamente prioridade.
Mas Luna… foi diferente.
Talvez porque ela apareceu em um momento estranho da minha vida.
Talvez porque aquela noite tenha sido inesperada.
Ou talvez porque, em pouco tempo, conversar com ela se tornou parte da minha rotina.
Durante um mês inteiro nós conversamos quase todos os dias.
Mensagens.
Áudios.
Fotos aleatórias.
Ela mandava fotos do céu às vezes.
Do jardim da casa dela.
De livros que estava lendo.
E eu mandava fotos do quartel, do caminhão dos bombeiros ou de algo idiota que algum colega tinha feito.
Era simples.
Mas era bom.
Eu gostava de falar com ela.
Mais do que eu gostaria de admitir.
Então… ela sumiu.
Simples assim.
De um dia para o outro.
Primeiro ela demorou para responder.
Depois respondeu cada vez menos.
Até que simplesmente… parou.
Eu mandei mensagem.
Liguei.
Esperei.
Nada.
Nenhuma resposta.
Nenhuma explicação.
Nada.
No começo achei que algo tivesse acontecido.
Que ela estivesse ocupada.
Ou doente.
Ou com algum problema.
Mas os dias viraram semanas.
E o silêncio continuou.
Então comecei a pensar em outra possibilidade.
Talvez ela só tivesse… seguido em frente.
Ela era jovem.
Dezenove anos.
Eu tinha vinte e sete.
Talvez aquela noite tenha sido apenas uma aventura para ela.
Uma fase.
E depois ela encontrou alguém melhor.
Alguém da idade dela.
Alguém que não cheirava a fumaça e passava metade da vida correndo para apagar incêndios.
Essa ideia me incomodava mais do que deveria.
Mas aos poucos eu fui aceitando.
Porque no fim das contas… eu não tinha escolha.
A vida continua.
Sempre continua.
—
— Você está estranho.
A voz de Dylan me tirou dos pensamentos.
Eu estava sentado no sofá da sala quando ele falou isso.
— Não estou.
Ele cruzou os braços.
— Está sim.
Meu irmão sempre teve essa habilidade irritante de perceber coisas.
— Cansado — respondi.
— Você sempre está cansado.
Maya apareceu na sala carregando um prato de frutas.
— Ele está pensativo — ela comentou, me olhando.
Revirei os olhos.
— Vocês dois deveriam trabalhar como detetives.
Dylan riu.
— Já pensei nisso.
Eu me levantei do sofá.
— Vou tomar um banho.
Antes que eles começassem um interrogatório.
—
A casa estava diferente ultimamente.
Mais movimentada.
Mais barulhenta.
Principalmente por causa das gravidezes.
Sim.
No plural.
Primeiro foi Beatriz, esposa do meu irmão Adam.
Ela já estava no último mês de gravidez.
A barriga enorme deixava todo mundo nervoso.
Principalmente Adam.
Ele parecia entrar em pânico toda vez que ela respirava mais fundo.
— Isso é normal? — ele perguntava.
Beatriz apenas ria.
Depois veio a notícia de Clarice.
Minha irmã.
Grávida também.
Seis meses.
E esperando um menino.
A família inteira parecia animada.
E eu estava feliz por eles.
De verdade.
Mas às vezes, quando tudo ficava quieto à noite…
Meu pensamento ainda ia para o mesmo lugar.
Para uma garota ruiva.
Com olhos claros.
E um sorriso que aparecia sempre que eu fazia uma piada ruim.
—
O dia em que o bebê nasceu foi completamente caótico.
Meu celular tocou às três da manhã.
— OLIVER! — Adam praticamente gritou do outro lado da linha.
— O que foi?
— A BIA ENTROU EM TRABALHO DE PARTO!
Eu já estava levantando da cama.
— Estou indo.
Quando cheguei ao hospital, metade da família já estava lá.
Meu pai, Rômulo, andava de um lado para o outro no corredor.
Clarice estava sentada em uma cadeira com Victor ao lado dela.
Dylan e Maya chegaram logo depois.
Adam parecia prestes a desmaiar.
— Relaxa — eu disse, batendo no ombro dele.
— RELAXAR? — ele quase gritou.
— Eu vou ser pai!
Eu ri.
— Exatamente.
Algumas horas depois, finalmente ouvimos o choro.
O médico saiu da sala com um sorriso.
— Parabéns. É um menino.
Adam praticamente correu para dentro do quarto.
Alguns minutos depois nos deixaram entrar.
Beatriz estava cansada, mas sorrindo.
E nos braços dela estava um pequeno bebê.
Minúsculo.
Com um gorro azul na cabeça.
— Esse é o Alan — ela disse.
Adam olhou para mim.
— Você é padrinho.
Eu pisquei, surpreso.
— Sério?
— Claro.
Eu me aproximei devagar.
Olhei para o pequeno bebê.
Tão pequeno.
Tão frágil.
E senti algo estranho no peito.
Um tipo de emoção difícil de explicar.
Passei o dedo delicadamente pela mãozinha dele.
Alan segurou meu dedo.
Forte.
Sorri.
— Bem-vindo ao caos, garoto.
Todos riram.
E naquele momento percebi algo.
Minha vida estava seguindo.
A família crescendo.
Mudando.
E eu também precisava seguir em frente.
Talvez Luna tivesse sido apenas uma parte pequena da minha história.
Uma noite.
Um mês de conversas.
Uma lembrança bonita.
Mas nada mais que isso.
Mesmo assim…
Enquanto eu olhava para o pequeno Alan dormindo…
Um pensamento cruzou minha mente.
Eu ainda me perguntava…
o que tinha acontecido com ela.
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Atualizado até capítulo 118
Comments
Célia Maria
Não que eu não esteja prestando atenção nas histórias,mas como comecei com a do Rômulo e daí não segui a ordem ,
Então acho que depois só tem a do Dante irmão do Rômulo!!!
Mas eu não quero que acabe,para mim é como se tudo isso fosse verdade então como vou me despedir deles!!
Pensa aí querida autora e continua a saga da família do Rômulo por favor 🙏🥰
2026-04-26
10
Patrícia Helena
Autora primeiro msm de cura ao Adam j é pai né, do Léo e segundo comompode não está com a esposa na hora do parto ,ainda mais sendo médico ,ficou estranho viu. Mas TD bem amo as histórias dessa família do msm jeito tá 🌹
2026-06-07
0
Joelma Oliveira
nossa! amo demais meus 3 filhos, meu neto e meus sobrinhos, mas, assim cm na adolescência fico me perguntando o pq disso, pq botar mais 1 nesse mundo caótico... enquanto a resposta não vem, sigo babando todos eles 🤗😍😂😂😂😂😂😂
2026-05-04
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