A conversa fluía naturalmente na sala de jantar dos Almeida. A decoração elegante, com tons suaves e móveis refinados, conferia ao ambiente uma atmosfera acolhedora. Larissa, sentada ao lado de Hugo, buscava um jeito de manter a conversa, aproveitando uma pausa no diálogo.
Larissa: — Estou no último ano da minha faculdade de Odontologia. — Introduz o assunto com um leve sorriso, tentando soar casual.
Helena: — Que interessante! Hugo também está no último ano, mas de Direito.
Hugo, até então mais reservado, olha para Larissa com um sorriso de reconhecimento.
Hugo: — Acho que já a vi na faculdade.
Larissa, surpresa, baixa os olhos timidamente antes de retribuir o sorriso.
Larissa: — É mesmo!? — Sua voz carrega uma nota de timidez.
Helena, curiosa, volta sua atenção para Leila, que estava quieta ao lado de Henrique.
Helena: — E você, Leila, tem interesse em estudar alguma área específica? — Pergunta com um tom acolhedor.
Leila ergue os olhos, sentindo a atenção de todos sobre si, mas responde com serenidade.
Leila: — Tenho alguns cursos rápidos, mas na verdade, gostaria de empreender, ter meu próprio negócio. — Pensa consigo mesma, sonhando com a liberdade de ser sua própria chefe.
Henrique, sempre atento, segura a mão de Leila com ternura.
Henrique: — Eu posso te dar suporte nesse sonho, amor. — Diz com um sorriso confiante.
Leila, sentindo-se desconfortável com a intimidade na frente de todos, responde baixinho.
Leila: — Podemos falar sobre isso depois... — Ela murmura, desviando o olhar para não encontrar o dele.
Daniel, observando o casal, sorri com satisfação.
Daniel: — Que bonito! Vocês parecem estar muito apaixonados. — Comenta alegremente, contagiando o ambiente com sua alegria.
Helena sorri com orgulho, e decide elogiar o filho na frente da futura nora.
Helena: — Leila, nossos dois filhos ajudam no negócio da família, e o Henrique tem trazido inovações com suas ideias tecnológicas. Ele cuida do marketing, e graças a isso, temos alcançado lucros incríveis. — A admiração em sua voz era inegável.
Leila olha para Henrique, com uma nova perspectiva, mas sem expressar muito.
Leila: — "Ele realmente tem ideias fora da caixa." — *Pensa, ainda incerta sobre como se sentir a respeito.
Henrique, percebendo o olhar dela, sorri com uma ponta de provocação.
Henrique: — Finalmente percebeu que seu noivo é genial! — Ele pisca para ela, tentando suavizar o clima.
Leila desvia o olhar, sem responder, mas com um sorriso contido.
Henrique então se levanta, ainda segurando a mão de Leila, e se dirige aos pais.
Henrique: — Gostaria de mostrar algo para Leila. Com licença. — Diz, já conduzindo-a para fora da sala.
Daniel acena com aprovação.
Daniel: — Vão em frente, chamaremos vocês quando o jantar estiver pronto. — Diz, voltando sua atenção para a conversa com Hugo e Larissa.
Henrique leva Leila a um cômodo adjacente, uma espécie de escritório. As paredes eram forradas de prateleiras cheias de livros, e uma grande mesa de madeira dominava o centro do espaço. Em cima dela, um caderno aberto revelava um desenho que imediatamente chamou a atenção de Leila: era uma imagem dela, capturada com detalhes impressionantes.
Henrique, orgulhoso, aponta para o desenho.
Henrique: — O que acha? — Pergunta, com um brilho nos olhos.
Leila, surpresa, se aproxima do caderno, observando os detalhes do desenho.
Leila: — Todos esses cadernos têm desenhos meus? — Pergunta, gesticulando em direção às prateleiras.
Henrique ri, aproximando-se para pegar um dos cadernos.
Henrique: — Não, nem todos. Alguns têm desenhos dos meus antigos bichos de estimação, e outros de mim mesmo como super-herói. — Responde com uma risada, enquanto folheia as páginas.
Leila, curiosa, se junta a ele na mesa.
Leila: — Posso ver alguns? — Pergunta, com uma calma recém-descoberta.
Henrique sorri e entrega um dos cadernos a ela.
Henrique: — Claro, vou te mostrar primeiro os de mim como super-herói. — Ele ri, folheando o caderno até encontrar a página certa.
Enquanto ele mostrava os desenhos, Leila observava cada detalhe.
Leila: — São incríveis, Henrique. Você tem um talento e tanto. — Diz, impressionada ao passar as páginas.
Henrique então pega outro caderno e o entrega a ela. Leila folheia as páginas, reconhecendo suas próprias expressões, capturadas com tanta precisão que era como se revivesse cada momento.
Leila: — Você desenhou isso depois de cada vez que conversamos? — Ela percebe pelas roupas e expressões no desenho.
Henrique sorri, satisfeito com a percepção dela.
Henrique: — Percebeu... Você fica linda até quando está brava. Esse aqui foi no mês passado, quando estava uma fera. — Comenta, mostrando um desenho em que Leila estava visivelmente irritada.
Leila, associando a data, pensa consigo mesma.
Leila: — "Estava prestes a menstruar, fico realmente mal nesses dias..." — Ela então se vira para Henrique, com um olhar decidido.
Leila: — Henrique, acho que precisamos conversar seriamente.
Henrique, percebendo a mudança de tom, se afasta um pouco, intrigado.
Henrique: — O que foi? Não gostou que eu tenha desenhado você? — Pergunta, cauteloso.
Leila respira fundo, tentando organizar seus pensamentos.
Leila: — Não é isso... Você já fez tantas coisas para me impressionar: cartas, declarações públicas, presentes... — Ela conta nos dedos, enumerando os gestos.
Henrique, com um olhar carinhoso, responde suavemente.
Henrique: — Queria que você entendesse o quanto eu te amo. — Diz, com doçura.
Leila suspira novamente, desta vez mais profundamente, e o encara com firmeza.
Leila: — Henrique, eu já entendi isso há muito tempo. Mas queria que você me ouvisse. Só que você nunca realmente ouviu, e minhas respostas sempre foram ignoradas, porque não eram as que você queria ouvir.
Henrique desvia o olhar, se afastando para processar o que ela disse. Com as costas viradas para ela, ele deixa escapar um suspiro.
Henrique: — Você pelo menos poderia me dar uma chance... uma única chance. — Reclama, com um tom de frustração.
Leila se aproxima dele, mas mantendo uma distância respeitosa.
Leila: — Não se pode forçar o amor, Henrique. Amar alguém demais não garante que essa pessoa te amará de volta. Desculpe. — Ela diz, sua voz suave, mas carregada de tristeza.
Henrique se vira lentamente, olhando nos olhos de Leila antes de dar um passo em direção a ela. Com um gesto inesperado, ele a puxa para um abraço, sua voz baixa e cheia de ternura.
Henrique: — Não gosto de ouvir você falar assim, com angústia. — Diz, acariciando seu cabelo com delicadeza.
Leila, sem retribuir o abraço, tenta manter a firmeza na voz.
Leila: — Eu continuarei a falar, mesmo que você não queira ouvir. E vou procurar uma forma de me livrar desse casamento arranjado. — Ela diz, se desvencilhando dos braços dele.
Henrique a observa em silêncio, percebendo que talvez esteja diante de uma situação que nenhum de seus desenhos ou palavras poderia resolver.
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Atualizado até capítulo 53
Comments
Nana
não tem foto deles?
2024-03-23
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