"Uma alegria se firmou quando te vi. Pena que era apenas um sonho bom-Nayra Reis."
Essa noite eu tive um sonho bem diferente: Que estava andando pela cidade, mas quanto mais eu olhava ao redor as fábricas, lojas, tudo se transformava em casas antigas.
As ruas que eram de asfalto ficaram em barro, as pessoas que antes usavam short curto, agora vestiam um vestido longo bem bufante e um chapéu combinando com a roupa. Alguns usavam até uma espécie de burca para cobrir o rosto.
As pessoas cumprimentavam umas as outras como se as conhecessem de longa data.
Os homens muito bens vestidos com trajes formais e montados em seus cavalos e outros dentro de uma charrete.
Esfreguei bem os meus olhos com a possibilidade de estar tendo alguma ilusão, mas não adiantava, pois quando eu os abria novamente estava do mesmo jeito.
Todos ficaram em silêncio me olhando, como se eu fosse uma completa estranha, até eu perceber que estava usando meu pijama de oncinhas curto e com o cabelo totalmente bagunçado.
Rapidamente entrei para dentro de casa e me espantei con o tamanho que ficara o local:
Imenso com vários quadros de família, jarros com flores em volta e bem lá na sala estava a minha mãe sentada fazendo tricô.
Abri bem os olhos para ter certeza do que estava vendo, afinal, ela havia morrido havia dois anos e meio num acidente de carro, já o meu pai ficou doente após a sua morte e não durou muito tempo.
Quando a mesma me viu, abriu um largo sorriso e estendeu os braços.
Eu fui correndo em sua direção e lhe dei um abraço apertado e disse:
-O que a senhora está fazendo mamãe?
-Tricotando um vestido para a minha linda filha-ela viu meu espanto e disse-Querida, você sabe o que aconteceu não é?
Balançei a cabeça negando e com as mãos soando e o coração super acelerado.
Então, ela segurou o meu rosto e disse:
-Querida, desde dia em que você esteve em coma por dias isso tudo aqui mudou. O mundo se rebelou dessa maneira. Não sei à partir de qual motivo e quando, mas tudo agora é diferente-Ela respirou fundo e continuou-Agora se arrume que o sr. Andrade estará aqui em alguns minutos.
-Quem é ele?-Perguntei, mas por curiosidade, porém com medo de sua resposta.
-É o seu noivo ou você já se esqueceu? Aonde estás com a cabeça Talia?
-Perdão mamãe. Vou logo me arrumar, com licença.
-Venha aqui!-Ela disse num tom autoritário-O que estás a fazer na rua com esses trajes indecentes?Quer difamar o seu casamento?Imagina o que as pessoas iram pensar em lhe ver assim.
-Ham... eu... vou me arrumar que já está ficando tarde.
-Garota eu ainda não term...
Deixei minha mãe falando sozinha e fui para o meu quarto, mas demorei pelo menos uns cinco minutos para encontrá-lo, pois são tantas portas que eu me confundia a todo tempo.
Após tomar um banho e colocar o vestido que demorou mais tempo que o necessário, a governanta Clara me ajudou a amarrar a roupa e rapidamente dei uma olhada num longo espelho que estava em meu quarto.
O penteado ficou num coque alto com alguns fios soltos. Tive uma vontade de pegar uma baby liss, mas me recordei que aquilo ainda não existia nessa época.
Quando estava chegando na sala, acabei ouvindo uma voz masculina, mas bem suave. Um arrepio percorreu por todo o meu corpo e o meu coração galopava de emoção. Será que o meu noivo era mesmo quem eu tanto imaginava que seria algum dia?
Quando cheguei a sala de estar, o menino se virou e seus olhos chegaram a brilhar de alegria e automaticamente sorrir ainda mais por ser ele o meu noivo.
Tive a completa certeza quando ouvi a minha mãe dizer que mal via a hora de nós nos casarmos.
Ao ouvir o nome Roberto eu sentia uma emoção e uma vontade imensa de beijá-lo, pois sou apaixonada por ele há quatro anos, mas ele sempre me vira como amiga, apesar de passarmos bastante tempo juntos.
Mas quando o meu noivo disse que o casamento já estava marcado para hoje à noite me deu um nervoso tão grande que eu pensei que ficaria sem ar.
Me sentei rapidamente me esquecendo completamente dos modos que fui ensinada, mas eu não sabia mesmo.
Me sentava sempre jogada no sofá, sem ligar para quem estava por perto.
Após alguns minutos ele se aproximou de mim e quando ia me dar um beijo na mão eu sinto um sacolejo e sou acordada.
Olho ao redor e vejo o meu quarto do modo certo: minha escrivaninha no canto com o notebook em cima, minha prateleira de livros e fico frustada por ser apenas um sonho, afinal, o que custava eu ter ele ao meu lado? Mas também fiquei aliviada, pois aquele lugar não era destinado à mim, muito menos que aquele lugar fosse daquele modo, mas como dizem: Alegria de pobre dura pouco.
Levanto da cama e vou para o banheiro tomar um banho morno. Deixo a água bater em meu rosto e me sinto um pouco aliviada por aquilo ter sido apenas um sonho.
Saio do banheiro e me enrolo na toalha, mas logo sinto que estou com o corpo fraco e decido ir comer alguma coisa na cozinha, mas começo a sentir minha cabeça girando, o que eu imediatamente visto algo e vou me deitar, na esperança que passe e acabo caindo em um sono profundo.
Ao acordar, me assusto por me ver novamente com aquele vestido bufante e vejo o Roberto do meu lado. Será que se eu muda o tempo, eu posso modificar o futuro? O mais estranho é que eu só venho no passado quando estou dormindo, mas preciso encontrar uma forma de que o Roberto se interesse por mim no mundo real, mas como? Hum, já sei, vou me declarar para ele enquanto estou por aqui e ver se isso modifica em algo no tempo atual.
O convido para darmos uma volta no jardim e o mesmo diz:
_ Cara senhorita, você sabe muito bem que não podemos andar sozinhos por aqui, mas eu posso pedir para que a governanta vá conosco, tudo bem?
_Sim, claro, me perdoe, eu havia me esquecido desse detalhe.
Ele chama uma das governantas que tem na minha casa e ela nos acompanha até o jardim.
Finalmente perto dele, olho no fundo de seus olhos e digo:
_O que você sente por mim?
Ele me analisa lentamente, mas parece meio confuso.
_Não entendi muito bem a sua pergunta.
_Eu quero saber se você nutre algum sentimento por mim, algo além de amizade.
_Eu não sei, acho que sim- bom, não era essa a resposta que eu queria ouvir, mas melhor do que ele dizer que sou uma boa companhia, porém apenas como amiga- bom, você é uma jovem muito bonita, com todo respeito, é claro, e eu quero alguém inteligente e prestativa, assim como a senhorita é.
_Entendo. Bom, eu tenho sentimentos por você, desde a primeira vez que te vi e fico feliz que vamos nos casar em breve.
_Bom, fico lisonjeado por se sentir assim, dado os fatos que logo a senhorita será a minha esposa. Mas me diga, você quer ter quantos filhos?
_É, bom...- ele me interrompe.
_Me desculpe pela a pergunta, eu só queria descontrair um pouco. Não precisa pensar nesses assuntos no momento, mas- ele sussurra em meu ouvido- eu só disse que não sabia o que sentia, pois tinha alguém nos ouvindo, mas eu sinto o mesmo que você sente por mim e se me permite dizer, eu só não a beijo agora porque sabemos que só podemos depois do casamento, senão já teria selado os seus lábios no meu.
Acordo novamente e percebo que voltei para o presente, mas alguma coisa mudou, pois estou usando uma roupa diferente, o que é estranho, pois eu não tenho nenhum vestido longo e não deixo o meu cabelo solto, já que me lembro muito bem de estar com o cabelo preso antes de ir dormir.
Me levanto da cama e logo vou para fora de casa, na esperança de ver o meu amigo Roberto, mas ao cruzar o portão de ferro da minha casa, me deparo com o mesmo parado escondendo algo nas costas. O olho meio confusa e pergunto:
_Ei, o que faz aqui? E o que está escondendo ai?
_É, eu vim falar com você e lhe trazer isso- ele me entrega um buquê de flores vermelhas- e eu quero que você saiba o que eu realmente sinto por você.
Sinto o meu coração se acelerar novamente e antes que eu pudesse perguntar algo, ele coloca a minha mão em seu peito e eu sinto o seu coração acelerado e ele nem me deixou falar nada, já que ele colou os seus lábios nos meus, me fazendo suspirar. Quando nos separamos, ele pega uma caixinha de seu bolso e põe uma aliança de compromisso em meu dedo.
_Pronto, agora sim, está tudo certo.
_Sim, verdade. Então estamos namorando?
_Sim, estamos namorando.
***
O nosso namoro foi algo muito bonito e especial. Eu não consegui descobrir como que eu viajava no tempo em sonho e trazia algumas coisas para a realidade, mas de uma coisa eu sei, que sou grata por isso, já que minha vida melhorou bastante quando tive aquele sonho.
FIM|