É fato que na vida existe um tempo para cada coisa. Nos últimos dias, Carlos não cansa de ler o mesmo capítulo da Bíblia, Eclesiastes 3. Que diz: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu”. Deitado em seu leito, ele só conseguia pensar em tudo o que fizera e tudo que ele gostaria de ter feito diferente. Apenas esse texto trazia conforto.
Embora ainda não conseguisse compreender a fugacidade dos acontecimentos, nem mesmo o porquê deles, Carlos estava ciente que em sua vida ele teve tempo de nascer, de prantear e também de sorrir. De plantar, mesmo que não tenha plantado boas sementes. Houve também o tempo da colheita, como se colhe o que se planta, colheu tristeza, decepções… Talvez essa fosse a hora de morrer. Por isso, tanto empenho em fazer diferente. O que ele mais quer, é uma oportunidade de viver novos tempos, plantar e colher coisas boas. Refletindo sobre isso, ele falou para Gláucia:
Carlos — Filha, você é tão jovem, se eu soubesse das coisas que sei quando tinha sua idade, teria conduzido minha vida de maneira bem diferente. Aproveite a sua, cuide das pessoas que ama, dê valor a cada momento precioso em família… Evite brigas, discussões desnecessárias. Aprenda o tempo de falar e o tempo de calar, o tempo de abraçar e o tempo de afastar, existe o tempo para guerrear e o tempo de proporcionar a paz.
Gláucia — Que bonito isso, de onde tirou?
Carlos — Da Bíblia… Nela existem diversos conselhos muito importantes. Leia!
Gláucia — Quando começou a ler? Você nunca foi muito chegado a coisas cristãs…
Carlos — Por desconhecimento, quando mais precisei, quando me tornei a pessoa que eu repugnava, comecei a buscar respostas. Eu sempre detestei o comportamento do meu pai e me tornei como ele.
Gláucia — Sei bem o que é querer fazer diferente e acabar no mesmo lugar que seus pais.
Carlos — Sinto muito!
Gláucia — Eu também. Que bom que ainda sou jovem e posso me refazer…
Carlos — Pode e deve! Aprendeu com o erro? Doravante, faça diferente.
Gláucia nunca teve uma conversa como aquela com seu pai. Ela realmente precisava, até porque, ela está em um momento de sua vida que é crucial, de plantio. Ela está plantando tudo que irá colher em um futuro que cada vez se aproxima mais e ela precisa de muita maturidade para prosseguir.
Gláucia — Pai sabe o que está me preocupando?
Carlos — Não, o quê?
Gláucia — O fato de não saber como será daqui para frente… Estou perdida. Não sei nem como contar para Lucas que teremos um filho.
Carlos — Se ele não for um bom pai, tenho certeza que essa criança encontrará amor suficiente em você. Não tenha medo, você terá apoio da sua mãe, avó, irmãos, se Deus quiser, o meu. Além do que, ele tem a obrigação de prover a criança, dessa responsabilidade ele não pode fugir, é lei.
Gláucia — Quero tanto ficar em paz. Não quero conflito, brigas… No entanto, sei que assim que eu falar sobre o bebê, o mundo vai desmoronar.
Carlos — Não pense assim, como disse: “Na vida há sempre um tempo.”
Gláucia puxou a sua cadeira para perto do pai e ficou acariciando a sua mão e torcendo para ter muitos outros momentos como aquele. Ela até fez a sua primeira oração bem baixinho:
— “Deus, por favor, me permita conhecer melhor esse novo pai. Preciso tanto dele por aqui. Não quero ser egoísta, mas, seria bom tê-lo por perto. Sei que ele também quer conhecer a Emília, cuidar da Rute. Seria triste ele ir agora e não aproveitar bons tempos. Por favor! Amém.”
Carlos percebeu que ela estava orando e aquilo encheu seu coração de paz. Embora, ele nunca tenha ensinado aos seus filhos como conversar com Deus, ela parecia estar se saindo muito bem. Assim que ela abriu os olhos, ele disse:
Calos — Conversando com Deus?
Seu rosto ficou vermelho e ela disse:
Gláucia — Vai que ele me ouve?
Carlos — Sempre ouve…
Os dois se aquietaram e tiraram um cochilo, afinal de contas precisavam descansar para o outro dia.
Gláucia — Boa noite, pai!
Carlos sorriu, e disse:
Carlos — Boa noite, minha filha!
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Gostou? Essa é apenas uma parte da novela : Ser amada não é para todas. Esse é o capítulo 42 - Na vida há sempre um tempo.
O livro aborda o tema violência doméstica... Carlos, o homem referido no capítulo acima, foi um péssimo marido, no entanto, ao longo do tempo parece estar se encontrando... Quer saber tudo o que ele fez? Confira lá na novela.