Dizem por aí que durante a noite tem se visto olhos brilhantes no escuro, um ser sobrenatural que ajuda pessoas em risco.
Essa sou eu, Laura, tenho 17 anos, eu sou uma metamorfa. Posso me transformar no que eu quiser, homens, animais, divindades, no entanto, prefiro me transformar em animais místicos e alguns provenientes de lendas ou maldições. Ontem mesmo fui um lobisomem, legal não é?
Está se perguntando o porquê dessa preferência? É simples, nenhum mal passa impune as minhas garras afiadas, dentes ou força. Assim, bandido algum sai inteiro da cena do crime.
Eu já fui um dragão, me transformei no terrível Sirrush, um ser assustador que possui longos chifres, garras de uma águia, membros anteriores de um leão. Me identifico com esse dragão, embora ele seja amedrontador, pode ser sociável, além de ser muito inteligente, assim como eu.
Já me transformei também em:
✔️Grifo;
✔️Vampiro;
✔️Minotauro;
✔️Karkino;
✔️Zumbi.
Esses são apenas alguns deles, na verdade, ainda estou experimentando as possibilidades, afinal de contas, meus poderes são recentes.
Em uma viagem internacional, andando pela Times Square, um ser brilhante bem bonito encostou em mim, desde então sou assim.
Não sei explicar bem o que aconteceu, mas lembro de acordar na manhã seguinte com um pedaço de braço no meu tapete. Sem dúvidas estava apavorada, tanto que não saí do hotel naquele dia. Os noticiários da TV anunciavam:
— Moradores do entorno do Parque Bryant estão relatando a aparição de um ZUMBI, isso mesmo, um Zumbi. Na noite passada esse ser salvou uma senhora de um assalto, mas, o bandido perdeu um dos braços.
Nesse momento me liguei que o Zumbi era eu. Muitas programações falavam da minha habilidade como superpoderes, outras, me comparavam a um monstro, mas eu vejo como uma benção.
Uma coisa é certa, estou aqui para defender os mais fracos e os oprimidos, então, se você for fazer algo que não deve e estiver na minha área, não faça, pois não terá tempo de se arrepender.
No momento, estou com um baita problema, moro com meus pais e está a cada dia mais difícil manter em segredo o que faço pela madrugada. Tenho certeza que se minha mãe souber, vai surtar! Ela é umas daquelas pessoas que afasta tudo o que não entende ou conhece, não quero mesmo passar por isso.
Hoje pela manhã ela viu um noticiário sobre o ser misterioso, a pessoa que salvei me descrevia como um demônio, não consigo entender, eu a salvei. É triste ouvir coisas do tipo:
— Um ser maligno, uma besta, uma fera, será que não percebem que eu quero fazer o bem? O que você acha?
Meus amigos da escola estavam conversando e a discussão era se o defensor dos becos escuros era um super-herói ou um bandido pior do que aqueles que estavam a solta na cidade. Isso me entristeceu, não gosto de ser comparada aos vermes que eu combato.
A única pessoa que sabe sobre meus poderes é a minha amiga Júlia, a conheço desde o jardim de infância, confio nela, mas acho que estou deixando- a sobrecarregada. Ela que tem lavado as minhas roupas cheias de sangue, para que os meus pais não percebam.
Júlia é uma garota sozinha, ela mora com uma tia, mas ela quase não para em casa, então, temos a oportunidade de usar a máquina de lavar sem levantar suspeitas.
A minha melhor amiga é a minha dupla de combate ao crime, talvez ela não esteja vendo do mesmo modo que eu, pois no dia da discussão da escola eu a ouvir dizer:
— As formas que esse vigilante escolhe para inibir os bandidos interfere em como as pessoas o vêem.
Sinceramente não sei se ela falou isso de um jeito bom ou ruim, qualquer hora vou perguntar, mas para ser sincera tem algo que me incomoda mais do que as discussões de caráter. Os nomes que me dão por aí, tenho que me fazer conhecida do jeito certo.
Naquela mesma noite, sai para fazer ronda e uma tentativa de estupro estava em andamento, claro que defendi a jovem. Ao ouvir os gritos, rapidamente me transformei em uma vampira.
A ação foi certeira e dessa vez os criminosos não morreram, apenas os deixei desacordados no chão. Estou aprendendo a controlar meus extintos, até porque mata-los, mesmo que esses não mereçam respirar, não ajuda com a minha reputação.
Antes de ir embora da cena a jovem falou:
— Obrigada, obrigada por me ajudar, se você não estivesse aqui, não sei o que seria de mim. O que posso fazer por você?
Sorrindo eu disse:
— Tem algo que eu quero que faça por mim, com certeza vai me ajudar muito.
A mulher respondeu:
— O que? Fala!
Laura — Quando forem te entrevistar quero que você diga como desejo ser chamada.
— Tá bom, qual seu nome?
Laura — A metamorfa. Não deixe de falar isso, pois ando mau compreendida.
— Quais os seus poderes?
Laura — Me transformo no que eu quiser.
Ao longe ouvi sirenes da polícia se aproximando. Por isso, precisei ir embora.
— Preciso ir, da próxima vez, evite andar em lugares escuros e desertos sozinha.
Mulher — Obrigada mesmo!
Usando as minhas habilidades vampirescas, desapareci daquele lugar. No outro dia de manhã para minha felicidade, a notícia era:
— Ontem a noite, o ser misterioso se revelou. Ao ajudar uma jovem que estava sendo ameaçada de estrupo, a protetora disse como se chama, ela se identifica como METAMORFA. Soubemos ainda que ela consegue se transformar no que ela quiser. A pergunta que fica para ela é: porque se transformar nesses monstros feios? Se estiver nos assistindo, estamos abertos para receber a sua resposta.
Em seguida o jornal deu oportunidade para a jovem salva falar:
— Ela não é um monstro, ela quer fazer o bem, sou muito grata ao que ela fez por mim.
Essa fala em rede nacional gerou uma onda de informações boas sobre mim, pessoas que eu ajudei começaram a se manifestar. Por todo lado tinha gente em minha defesa, mas a mídia é uma faca de dois gumes, agora, estão obcecados por minha real identidade e pela primeira foto da Metamorfa.
Mesmo após ter limpado o meu nome, tenho a sensação de que corro perigo. Então, não vou responder a pergunta da jornalista, não agora, o melhor é manter a mídia distante. Afinal de contas, o que será de mim se minha família souber dos meu poderes?
Você deve estar me achando complicada, não é? A verdade é que comigo nada é fácil ou simples. Por isso, estou preparada para o que vier. Uma coisa é certa, se as pessoas precisarem de mim, vou ajudar, afinal de contas, não é em toda esquina que se encontra alguém com superpoderes.
Psicólogo — Laura, a sessão de hoje acaba por aqui, que tal nos vermos na próxima segunda, na mesma hora?