Infelizmente o dia menos esperado estava chegando e lá eu teria que voltar para a residência real, minha felicidade durou tão pouco e por mais que cinco anos tivessem se passado desde que eu estava no vilarejo das bruxas pareceu passar muito rápido, eu só queria poder continuar vivendo tranquilamente e me sentindo livre sem aqueles olhares de nojo e aquelas palavras dolorosas, não queria ter que voltar a conviver com Kamilly e Milena e muito menos com meu pai, mas de algum modo isso é pela segurança das bruxas e minha segurança.
O lado bom era que pelo menos seria mais fácil de visitar Alexia e menos cansativo para ela vir até aqui ou para que eu fosse até a casa dela, é estranho como ela conquistou minha amizade tão facilmente sem nenhuma tentativa especial, ela apenas foi até mim e agiu como ela mesma e do seu jeitinho ela conseguiu conquistar minha amizade e lealdade e até mesmo uma espécie de devoção, era até estranha a forma como tudo me fazia lembrar dela, nos festivais de magia quando ela não podia vir, eu sempre pensava em o que ela acharia de cada detalhe, também quando estou pensativa no quarto eu sempre penso nela e no que ela estaria fazendo.
Além de Alexia tenho outros amigos que se tornaram muito especiais para mim ao longo dos anos, como a Kani que é a bruxa mais talentosa que eu já conheci e Kieyra que é uma elfa nascida bruxa muito louca, também me tornei amiga de Asami, Niky, Kael e Giovan, que também me acolheram de braços abertos, na verdade quero dizer...Giovan é mais introvertido e Kael no início tinha um pouco de raiva de mim e nos implicamos muito, mas logo isso passou, na verdade continuamos com algumas brigas as vezes porque ele me irrita muito, mas agora nos consideramos pelo menos amigos e estamos sempre juntos porque ele sempre me persegue, admito que vou sentir muita falta dele também, só espero que ele nunca saiba disso.
Já era noite e eu não conseguia dormir, fiquei agarrada com o travesseiro e o xale que Alexia tinha me dado de presente de aniversário e lá fiquei pensando sobre tudo o que eu tinha que deixar agora, infelizmente as coisas boas não duram para sempre, fiquei olhando ao redor e para a janela, só ouvindo o silêncio da noite e as palavras aleatórias que Kieyra sussurrava enquanto estava dormindo, pensei em todos os meus amigos, na dona Miliany e em tudo aquilo que me fazia bem, mas se eu fosse embora estaria protegendo todo mundo e a mim mesma, seria por uma boa causa mas ainda assim doía.
Não aguentei ficar dentro do quarto e saí de lá, tentei imaginar no caminho para fora a reação de Alexia ao me ver assim, ela provavelmente me diria algo reconfortante, droga!! Justo agora que eu precisava tanto de Alexia ela não tinha como estar aqui, era estranho admitir para ela mas ela era meu raio de sol que sempre aparecia na melhor hora para me tirar da escuridão mas agora ela não estava aqui e eu não sabia o que fazer, eu daria tudo para que ela aparecesse agora surgindo de alguma moita ou pendurada de cabeça para baixo no galho de uma árvore como ela sempre faz, mas não tinha ninguém, esperei e nada dela.
Então eu senti algo tocar meu ombro e me assustei, então logo me veio a esperança de ser Alexia mas essa esperança se foi quando percebi que a mão era grande e branca como porcelana, então olhei para para trás e percebi que conhecia aqueles olhos esmeralda travessos, aquele rosto magro, as orelhas pontudas e o cabelo cacheado bagunçado, fiquei tão surpresa que quase gritei de susto, talvez se eu fosse como Alexia ou Kieyra teria agido assim, mas parecia tão mais contida do que eu era na minha mente que simplesmente não demonstrei reação, no máximo arregalei um pouco os olhos.
Miranda: O que está fazendo aqui?? Não estou com cabeça para provocações agora!!
Kael: Calma, só vi você saindo um pouco cabisbaixa do chalé e quis ver se estava tudo bem sua grossa!!
Miranda: Olha quem fala!! E eu estou bem, é só... _Teria voltado a olhar para o chão. _
Kael: É por causa da mudança né????
Miranda: Talvez.
Kael: Já sei!! Você vai ficar com saudades de mim há!!
Miranda: Narcisismo é algo triste né??
Kael: Como se fosse mentira, eu sei que você me adora, mas entendo que você não quer admitir.
Miranda: _ Teria revirado os olhos. _
Kael: _ Teria remexido o bolso. _
Kael: Toma!!
Miranda: O que é isso??
Kael: Só abre!!
Miranda: _ Teria aberto o embrulho. _
Miranda: Uma pulseira??
Kael: Você é cega por acaso?? Olha só, eu tenho uma igual!! _ Teria mostrado. _
Miranda: Mas por que você me deu??
Kael: Para você usar!!
Miranda: Mas por que eu tenho que usar coisa sábia??
Kael: Para lembrar de mim ora... _ Teria virado o rosto. _
Kael: Mas se não quiser usar não precisa...
Miranda: Eu vou usar, para sempre. _ Teria desviado o olhar. _
Kael: M-mesmo? _ Teria se surpreendido. _
Miranda: Mesmo.
Kael: Está vendo só como você me adora??
Miranda: Não começa.
Kael: Te animei um pouco??
Miranda:...
Miranda: Talvez. _ Teria aberto um pequeno sorriso. _
Kael voltou para seu chalé todo feliz enquanto eu continuava lá, não quis admitir mas ele tinha me animado bastante e talvez até mais do que ele esperava, amizade era uma coisa estranha mas um estranho muito bom, eu não consigo explicar o quanto estar com meus amigos me deixa feliz, fiquei mais um pouco observando a noite e logo relaxei e o sono começou a chegar, eu não queria sair de lá mas teria que voltar se não quisesse amanhecer resfriada, então antes de adormecer lá voltei para dentro do chalé olhando de vez em quando para trás e ao redor, eu ia sentir muita falta de cada detalhe daquele lugar, voltei para o quarto e me deitei na cama, então não lembro de mais nada, espero que Kael também use a pulseira da amizade para sempre.