Será que se eu tivesse virado o rosto naquele dia, ainda seríamos amigos? ou teríamos um término por conta da distância. Os e 'se' as vezes me perseguem.
Estávamos na casa de um uns amigos, já eram 2h da manhã quando ele chegou. Na casa só havia o nosso grupo de amigos e o casal de namorados, que no caso eram os donos da casa, já moravam juntos a um certo tempo.
Conforme o tempo passava, os jogos de tabuleiro mudavam e o pessoal começava a ir embora, até que só restou eu, ele, Túlio e Amanda os donos da casa.
Túlio entrou para dormir, tinha que ir trabalhar no dia seguinte, e Amanda já dormia no sofá.
Ficamos conversando por mais tempo, sentados ao redor da mesa, ele espontaneamente juntou duas cadeiras para deitar no meu colo, e por mais que não gostasse que passasse a mão no cabelo dele, dizia ser uma sensação boa, quando eu fazia isso.
Dentre os muitos assuntos da conversa, falamos do passado. Crescemos juntos, sempre perto e sempre na vida um do outro. Havia uma amizade singela e leal entre nós e um sentimento recíproco de carinho e pareceria, para nós, dizer eu te amo era tão natural, quanto lembrar de beber água.
Conforme conversávamos ele contou que quando crianças, teve sentimentos por mim, por um instante não acreditei, achei que apenas eu tivesse um sentimento platônico. Apenas ouvi, não sabia o que responder - como eu poderia contar que apesar de ser crianças foi eu que gostei primeiro?
Eu queria ter dito que também tive a fase de gostar dele, mas e se ele se esquivasse por conta disso? e se ele levantasse do meu colo e deixasse o clima pesado? e se ele simplesmente dissesse " eu tenho namorada"
Sim, apesar das trocas de carinhos e reciprocidade, ele tinha uma namorada, e um futuro planejado com ela, eu não poderia colocar em questão o sentimento que eu tive, e que talvez teria. Como eu poderia dizer pra ele que o tempo que conversávamos e que eu gostava dele, foi ao mesmo tempo que ele tinha começado a namorar com ela, já eram 4 anos de namoro.
- Ainda me lembro da mensagem que ele me enviou contando que estava conversando com ela.
A noite não estava tão fria, mas o céu estava bem estrelado, sempre tivemos essa sina pelas estrelas. Onde fôssemos, sempre aproveitamos os céus estrelados. Depois da conversa nostálgica, me recordo de ter almofadas no chão, e o céu aberto da varanda e estrelado sobre nossas cabeças.
Quem deitou primeiro? eu ou ele?. Apenas sei que estávamos a uma distância considerada segura e respeitável, aliás ele tinha namorada e me deixava preocupada sobre até onde agir, para não ultrapassar os limites da amizade.
Conversávamos olhando para a tela de uma noite estrelada, diálogo sobre o futuro, e as possibilidades fizeram parte desse momento.
- Será que eu reclamei de frio?
Sinto seu corpo mais perto, seu braço apoiando minha cabeça, o ambiente estava mais quente, sinto seu hálito doce, já havia sentindo algumas vezes. Sua respiração quente tão perto, me deixava paralisada. Um beijo na testa, um beijo na bochecha, um beijo de novo.
Não consegui olhar pra ele, fiquei estática, será que ele estava esperando eu retribuir?
- Se ele não tivesse namorando, eu teria retribuído. Teríamos tirado a prova, de tanta expectativa das pessoas sobre nós.
Mas ele tinha namorada, e a única coisa que eu conseguia pensar era nesse fator.
Se não foi intencional, era só demonstração de carinho, queria que ele soubesse o quanto era difícil, tentar decifrar.
Nos dias seguintes, vivemos como se aquela noite foi como qualquer noite, ou madrugada de resenha. As vezes penso que a minha interpretação que foi errada, é o amor platónico falando mais alto.
Será que era platônico? Em uma viagem em grupo, a namorada dele veio, no meio das brincadeiras, ele soltou um eu te amo, e a cara dele era como de uma criança que sabia que tinha feito algo errado.
Foi pra mim essas três palavras.
Era uma época boa, hoje não nos falamos, não por estar brigados, mas não temos mais assuntos. Nesse tempo que se passou, eu mudei de cidade, houve o término do relacionamento, mas eu não estava presente, para ajudá-lo, eu sei que ele sofreu, e como amiga deveria estar lá.
Mais um tempo se passou e agora ele namora, praticamente casado. Aparenta ser feliz, e eu estou feliz por ele está assim.
Não sofro, por não tê-lo, mas tenho medo de ter criado um padrão difícil o suficiente, para alguém cumprir.
Será que vou achar alguém, que eu me sinta tão bem quanto sentia com ele?
Como eu disse, as possibilidades passadas me perseguem, penso no que seria diferente hoje. Sinto saudades principalmente da amizade, apesar do amor, nunca desejei um relacionamento com ele quando mais novos. Pra mim, aquela parceria já era suficiente.
Apesar de tudo, ainda amo. Espero outro dia amar outro alguém. E apesar da história, como em um oceano espero que as nossas ondas se encontrem em algum momento.