Seria tanto dinheiro que não sei se conseguiria administrar , mas uma coisa eu iria fazer antes de me tornar escrava dele, eu doaria a metade, porque o dinheiro vicia e antes que isso acontece e ele leve minha alma, distribuiria para as campanhas que ajudam os refugiados, os famintos e hospitais para o câncer. Gostaria de dizer que acabaria com a corrupção, mas antes que isso acontecesse eu acabaria corrompida também. O dinheiro afasta os justos e aproxima os interesseiros.
*"Um dia acordei e percebi que não era a mesma, Michelle,que morava em uma casa simples e modesta, eu era uma Michelle que acordou em um quarto de uma mansão.
Me olhei no espelho e era a mesma fisionomia, porém com o cabelo estiloso num corte moderno e chique, vestida numa camisola de cetim, maravilhosa na cor rosa.
Caminhei para fora do quarto e me assustei com tamanho da casa.
— Senhorita, Michelle! — me cumplimentou um homem com terno estilo pinguim parecia que era meu mordomo.
—Onde estou ? — perguntei descendo a escada.
ele me olhou indagando minha pergunta, porém não respondeu.
Ele me entregou meu telefone numa bandeja e minha agenda.
E fui verificar nenhum contato que eu conhecia.
Cadê minha família, meus filhos e marido, pai e mãe?
— Mordomo, — chamei ele já que não sabia seu nome.
—Pois não senhorita!
— Cadê minha família?
Ele me olhou com aquele seblante de novo, pensando se me respondia.
— Me diz!
— Bem senhorita, faz um ano que não vê seus filhos depois de perder a guarda para seu marido, por alegar que não tinha tempo por causa do serviço.
— O quê? — gritei perplexa.
— Senhorita está tudo bem? — ele perguntou parecia preocupado, porém se mantia em pé.
— Não, não sei se está tudo bem! — me sentei na poltrona do lado da escada, tentando imaginar o que havia acontecido.
O mordomo, pediu licença e foi buscar um copo de chá para mim.
Assim que voltou da cozinha, me contou, o que eu queria saber sem eu precisar perguntar novamente.
— Senhorita, devo lhe dizer, me perdoe meu atrevimento, porém creio que seja a notícia que recebeu do médico que a fez refletir a sua vida e hoje acordar com o psicológico da mulher antes de tornar a Michelle Cuidini, — eu olhava para ele sem entender , e ele continuou:
— A senhorita terminou a faculdade de direito, fez a prova AOB, fez um teste para juíza e passou, e cada dia , afastava seus filhos e marido, comprava de tudo para eles, pois a cada dia tinha mais dinheiro, conquistou um espaço das mulheres mais reconhecidas no ramo, contudo cada dia se tornava incontrolável, mais fria e calculista, seu pai foi processado, te pediu ajuda e você não quis, só queria seguir a lei. Afastando seus pais, seu marido já não se importava de sair com ele como antes. Quando saia, para jantar o deixa sozinho para ir cumplimentar alguém que você dizia ser importante. Seu casamento também acabou.
A senhorita bem que tentou acabar com a corrupção que tanto odiava, mas de algum modo eles te convenceram, que eles eram o caminho, e ontem a senhorita passou mal e o médico esteve aqui, porque a senhorita odeia ir ao hospital.
— E o quê o médico disse? — me levantei zonza formulando aos poucos o que ele me dizia.
— Não sei senhorita! Mas não deve ter sido nada de bom, depois de você receber os resultados, você colocou a bliblioteca para o chão.
Eu arregalei meus olhos. Perguntei onde era e ele me levou até lá, minha casa ou da outra não sei bem de quem, era tão grande que temia me perder parecia um labirinto.
Quando ele me abriu a porta, arregalei mais os olhos ainda , me belisquei para tentar acordar, era uma casa dos sonhos, mas parecia que eu estava em um pesadelo.
A bliblioteca era enorme porém estava tudo jogado no chão, livros, portas retratos, revistas computador e até a impressora. Caminhei lentamente entre a bagunça, peguei o porta retrato no chão, e comecei a chorar me ajoelhando, eram meus filhos e meu marido. Abracei a foto e chorei colocando a dor para fora para amenizar.
Meia hora depois, depois que minha alma acalmou, fui ate a mesa com a foto em mãos procurar alguma dica de que eu tinha. Depois de procurar por uns vinte minutos, encontrei um papel rasgado que parecia ser de uma clínica e comecei juntar os papéis, e minha dor aumentou em questão de segundos, dizeres que até milésimo, estava escrito câncer maligno, tempo de vida dois dias.
— Como? — eu não sentia dor ,ou sentia, puts como é horrível não se lembrar de nada.
O mordomo ainda estava ali do meu lado, fiquei obeservando ele , e ele parecia ser o único que não me abandonou ainda.
— Por quê?
— Sou pago, para isso senhorita! — Aquilo doeu.
— Então podes ir. Te dou seu pagamento do resto do ano, não quero...
— Senhorita, você não entendeu, estou sendo pago para estar aqui, para te alertar e corrigir o que fez...
— Ahhmm? Como assim? Quem e que te paga?
— Sou pago por esperança, ah esperança que esses dois dias você possa fazer a diferença, use o dinheiro que tens, para fazer o bem e reconquiste o que perdeste, mas lembre-se o que perdeu o dinheiro não paga, o amor. — me sentei na cadeira da mesa dali.
— Sou pago por quem te ama...— deitei a cabeça na mesa, e quando voltei meu olhar para o mordomo ele havia sumido.
Então levantei decidida começar de novo.
Usarei o dinheiro para ajudar, e minha família reconquistar , sem ele como sou e mostrar que os amo e sinto falta.
Então se você ver algo familiar, lembre-se, dinheiro compra coisas , mas não amor, não tenta substituir ele.