Em um salão de festas, a música tocava e envolvia fortemente duas pessoas, que se olhavam à distância, flertando timidamente com os olhos, esperando ansiosamente que uma atitude partisse do outro lado.
A ansiedade só aumentou enquanto Pedro Henrique se aproximava de Raissa Gabriela lentamente.
De frente à Raissa, Pedro estende uma das suas mãos e curva levemente seu corpo. – Concede-me esta dança? – Ele pergunta com um sorriso de canto expressando o sarcasmo na formalidade.
Envergonhada, porém estranhamente sem hesitação, Raissa estende sua mão – Contanto que você me ensine. – respondeu à pergunta ao mesmo tempo que respondia ao sorriso do garoto de forma que fazia seus olhos maravilharem-se. – aprenderemos juntos então –.
Agora com seus corpos colados, a música que antes os envolvia mal era ouvida pelos dois. Estavam enfeitiçados um pelo outro de forma que nada mais além do que estava na sua frente importava.
Ambos frequentemente erravam o ritmo e acabavam por esbarrar ou pisotear-se, até que num momento de descuido Raissa tropeça em seus pés e cai sobre Pedro, que se mantém de pé por pouco, num esforço pra não permitir que ela caísse.
Mantiveram-se ali, parados e abraçados por um momento breve, mas que pra eles durou muito mais do que aparentava. Raissa envolveu mais forte seus braços em torno de Henrique, olhou fundo nos olhos do garoto, e o indagou – não seria incrível se pudéssemos ficar assim pra sempre? –
Confuso com a pergunta repentina, Pedro respondeu – poder viver esse momento continuamente seria incrível...– e após uma pausa, questionou – mas por que isso de repente? –
Raissa contente com a resposta, aproveitou o questionamento pra dizer – e se houvesse um jeito de tornar essa fantasia em realidade? –
Um momento de silêncio se seguiu enquanto o garoto fantasiava sobre uma eternidade ao lado da garota que estava á sua frente, e sem pestanejar falou – eu iria adorar...se fosse possível... –
Aquelas poucas palavras eram tudo que a garota precisava ouvir. Sem sequer permitir que Pedro concluísse sua frase, Raissa o puxou pelo braço para fora do salão de onde estavam. O menino tentou balbuciar algo, mas sua curiosidade o manteve quieto enquanto seguiam em direção à um lugar mais privado, sem pessoas à vista.
Agora sozinhos, a garota debruçava-se sobre Pedro, e trocava carícias para com ele: um abraço, um cafuné, um selinho na bochecha, até que Raissa ficou na ponta dos pés, e o palpitar dos corações fazia uma trilha sonora para o que seria um quente e macio toque dos lábios de Gabriela contra os de Pedro.
Um beijo duradouro, que se repetiu várias vezes enquanto as mãos do garoto acariciavam o corpo da jovem, com uma ação que era retribuída por Raissa e assim trocando arrepios e formigamentos.
Os lábios de Raissa desciam pela cabeça do menino, passando pelas suas bochechas, seu maxilar, e aos poucos chegando ao seu pescoço, o que gerou um calafrio e fez gemidos tímidos saírem de sua boca.
Raissa como se degustasse do pescoço do menino, dava chupões e beijos, até que em um certo momento ela para e pergunta – você quer viver comigo pra sempre, e podermos ensaiar os passos de danças juntos quando quisermos? –
O garoto responde intrigado – você é a garota mais misteriosa que eu já conheci, vive me deixando confuso, mas por algum motivo, eu me sinto atraído, e não consigo negar nenhuma proposta, então sim, mil vezes sim! –
Raissa volta ao pescoço de Henrique, e novamente degusta da sua pele, mas dessa vez o garoto sentiu algo mais, algo que deu mais do que arrepios, uma mordida. Um grito baixo e confuso começou a sair, e terminou por emendar em um gemido de prazer.
Quando os dentes da menina desgrudaram do pescoço dele, eles se olharam e Pedro gaguejou – o q-que foi que...– não teve que terminar a frase pra entender o que aconteceu, bastou reparar nos dentes pontiagudos sobressaindo da boca de Gabriela – v-você é uma vampira?! –
Os dentes logo encolheram de volta, e ela responde – sim, e agora você também é, me desculpe por não ter explicado bem antes –.
Desnorteado com tanta informação, Henrique leva a mão ao seu pescoço e sente a mordida que recebeu levemente ensanguentada –. Como você pode ser uma vampira, se o seu toque é o mais quente que eu já senti? –.
Envergonhada com o que ele disse, Raissa sorri e responde – A química entre a gente esquentaria até o mais frio dos corações... Mas além disso, é um mito que vampiros tem sangue frio, não faz sentido um mamífero ter um coração batendo e ter o sangue frio – depois ri do próprio sarcasmo
O menino cobre a boca enquanto solta um riso baixo da brincadeira – Prefiro dar mérito ao "poder do amor" – acrescenta à brincadeira enquanto sorridente.
De mãos dadas, frente a frente um com o outro, dizem juntos ao mesmo tempo, como se estivessem conectados e sincronizados – juntos pra sempre –.