Ela nao estava nem aí para as bonecas francesas que o pai trazia de suas viagens de trabalho na Marinha Mercante. As bonecas ficavam sentadas no sofá de casa e sua mãe costurava roupas para as pobrezinhas esquecidas.
Menos ainda com os brinquedinhos de casinha: mesinha, caderinha, jogos de cozinha, de chá, quando chovia forte eles iam rua abaixo "na cheia" " olha a cheia levando tudo" e os brinquedos eram jogados pela janela.
Nas raras ocasiões que brincava com as bonecas no quintal, para alegria de sua mãe, inevitavelmente a boneca adoecia, morria, tinha velório, funeral e enterro digno!
O negócio dela era pegar os shorts dos irmãos, apertar com um cinto e ir jogar bola. Era goleiro! E, diga-se de passagem uma excelente goleira!Mas, o melhor de tudo era colocar o canivete na boca, escalar o pé de mangueira até o topo e ficar lá sentada, descascando e comendo sua fruta preferida e se deixar levar pelo balanço do vento no galho mais alto.
Enquanto sua mãe a procurava pelo quintal chamando seu nome, assim que via as cascas de manga, ela sabia....estava empoleirada na árvore.
Aprontava todas e apanhava muito!
E, sempre ouvia da mãe: Você devia ter nascido menino!
Bem, assim do jeito dela mostrou que meninas podem gostar de brincadeiras de meninos no início do século XX lá pelas bandas do Recife!
Era à frente do seu tempo.... Histórias de Anete tem muitas....
Candida Maria Ferreira da Silva