Já passava da meia noite quando a porta do Hotel Principado foi aberta e uma linda jovem entrou arrastando uma mala de couro dourada.
- Boa noite, preciso de um quarto disse ela.
O atendente a olhou fixamente e perguntou por quantos dias iria ficar?
- Pretendo passar uma semana. Estou aguardando uma pessoa.
O atendente lhe deu a chave do quarto 415 e ela se retirou sem olhar para trás.
Ao raiar do dia a jovem tomou banho, fez a higiene bucal, vestiu uma roupa bem florida e desceu para o café da manhã. Tudo parecia tão quieto e normal.
Ao sair do hotel um velho homem lhe ofereceu um passeio pela história da pequena cidade, um passeio inesquecível, mágico... Ela ponderou e resolveu aceitar. Andaram pouco mais de dez metros e os raios de sol se transformaram em uma grande neblina e Sabrina ficou envolta a névoa sem saber que caminho tomar.
Tudo girava muito rápido e as imagens de uma civilização bem antiga foram aparecendo e se materializando a sua frente... Eram pessoas vestidas ricamente e passavam por Sabrina como se ela não estivesse ali. Do meio de uma pequena multidão saiu um menino correndo e lhe entregou um colar reluzente com uma pedra azulada, nesse instante a neblina voltou a ficar bem forte e as pessoas foram desaparecendo como em um sonho e Sabrina caiu inconsciente.
Quando ela acordou estava muito escuro e o tempo parecia estagnado. Onde estou? O que aconteceu comigo? Olhou para as mãos e viu o brilho de uma luz azul.
As luzes dos postes começaram acender e ela viu que a cidade estava um pouco distante. Sabrina levantou e começou uma caminhada em direção a cidade, quando chegou viu a torre do Hotel Principado brilhando, empurou a porta de entrada e pediu a chave do seu quarto. O recepcionista olhou pra ela sem entender o que ela estava falando.
Sabrina insistiu, mas não havia nenhum registro com seu nome no Hotel.
Há algumas décadas uma hóspede desapareceu e nunca mais voltou, ela ocupou o quarto de número 415 naquela época, porém nunca retornou. Isso já faz vinte anos.
Sabrina pediu novamente que queria um quarto e de preferência o de número 415. Quando ela entrou no quarto viu a sua mala dourada no mesmo lugar, suas roupas que havia espalhado antes de sair, como se o tempo que o recepcionista havia citado não houvesse existido.
Na mesma noite chegou ao hotel um casal procurando hospedagem e perguntaram se sua filha também estava no mesmo hotel