Como seria pra você acordar de repente. E vê que sua vida na verdade é outra?
Lembro vagamente de me chamar Juan. Eu morava em um viralejo. Era o filho do ferreiro de uma pequena vila em algum lugar da Europa.
Não sei ao certo como cheguei aqui.
Só lembro de fogo. Gritos e de dor. E quando acordei eu já não era Juan.
Aqui nesse ponto do meu destino, me chamo Marcos. Filho de Fellip. Um bruxo. Acredita nisso? Um bruxo das trevas.
E por nascimento e destino, devia dominar as artes místicas da força. Meu poder descendia das trevas. Escuridão. Morte e dor.
Mas até nesse mundo existem as exceções. E eu sou aquilo que aqui chamam de Fênix.
Eu sou puro fogo. Na verdade. Meu nascimento, consumiu minha mãe em chamas, então podemos dizer que já não era bem visto pelos meus por não ter herdado o poder do meu pai. E me tornei desagradável aos olhos do meu pai quando consumi aquela que ele escolheu ser sua companheira.
Meu destino se tornou cinza até para os magos mais poderosos. Ninguém que cruzou meu caminho poderia dizer o que eu faria com o mundo que se abria diante de todo o poder que eu tinha em mãos. Eu queimei o mundo a minha imagem. Ninguém podia me ofender. Ninguém conseguia me ferir. E ninguém me previa.
Eu me tornei absoluto no meu poder.
Eu nunca previ a imortalidade do poder. Mais imaginava que no futuro. Meu nome e dos meus descentes seria lembrado, eu queria ser lembrado.
Em mais uma das imensas batalhas que travei, eu morri. Eu senti. E depois de um momento ínfimo de escuridão. Combustão. Eu renasci. A imortalidade. Não do meu poder. Mais do meu espírito. Me regozijo diante da descrença daquele exército que achava que eu estava derrotado, e no rugido das labaredas que soltei, eu ri diante do fogo que queimava naquele deserto sem fim.
Uma Fênix. Real. Não somente uma lenda. Mais imortal em todo o sentido da palavra.