Um vulto , a sensação de estar sendo seguida , outro vulto agora mais próximo , o ar falta . Seu corpo que vai contra a parede em uma batida que lhe dá a sensação de dor em um dos ombros . Breu . Escuridão . Visão que não pode distinguir nada além de dois olhos vermelhos brilhantes próximos ao teu rosto , num beco, numa rua mal frequentada , um bairro quase abandonado .
Palavras que não podem ser ouvidas , não podem ser faladas com tua boca tapada com uma mão grande e forte . Mãos que não podem mover , parecem estar sendo controladas , seu corpo parece controlado . Sentimento de inutilidade , fraqueza . Incapacidade de se proteger . Medo . Tentativa de se livrar , mas em troca somente mais dor e mais medo .
— Quieta ! _ uma voz firme e medonha diz , apertando ainda mais seu corpo frágil contra a parede .
Ela relaxa , não pode lutar contra alguém que se parece invencível , que aconteça o que tem de acontecer se é morte que a espera . Ela não mais luta , não mais tenta fugir . É inútil . É impossível .
— Você é a escolhida , você será minha Luana ! _ palavras que adentram sua mente e só conseguem a deixar confusa , nada mais .
Inesperadamente dentes afiados perfuram sua pele , mas não sugam seu sangue. Marca , somente é deixada uma marca, dois furos, uma mordida, e por fim, um chupão, que a faz arrepiar. A figura some, no seu lugar o silêncio. Luana abre os olhos, assustada. Um sonho, mais outro sonho com este cara desconhecido, assustador, fora do normal.
Mas este foi o pior dentre todos, a primeira vez que ele se aproximou, enquanto nos outros ele apenas a observava. Ela se levanta, corre até o banheiro de frente ao espelho. Se assusta, uma marca, duas marcas, dois furos , uma mordida. Sua pele pálida, onde Lua toca perplexa. O que é isto? Não faz sentido. Ela está assim? Porque um sonho lhe deixou marcas reais pelo corpo? Não. Não faz sentido algum.
É estranho, assustador. Horrorizante. Medo, muito medo! É só isso que pode sentir, é só nisso que consegue pensar. Dias e mais dias que se passam comportamentos e desejos estranhos. Sede, muita sede, mas água não pode saciar. Sangue, não pode ver sangue, pois sente uma vontade incontrolável de bebe-lo . Uma sensação apavorante, indescritível, exterminadora. Sem sentido algum.
Ser médica já não mais está sendo fácil, se sente incontrolável, e não pode, não consegue, nem ao menos diagnosticar a si própria. Chega em casa cansada, depois de uma rotina extremamente corrida. Mas ao entrar em seu quarto paralisa. Não! Não pode estar tendo outro sonho! Um homem belo, cabelos negros caídos pelo rosto, e os olhos, os olhos vermelhos, impossível não reconhecer, é ele, o cara dos seus sonhos.
— V-você ! Não! Eu só posso estar alucinando !_ ela deixa que tudo que carregava, caia ao chão, colocando a mão sobre a cabeça.
— Por que eu seria uma alucinação?_ ele se aproxima, em passos largos, rápidos, desacomodados.
— Some por favor! Me deixe em paz! Você não é real!
— Por que eu deveria sumir? _ ele fala e tira a mão de Luana de seu rosto, fazendo-a fitá-lo _ Não sou real para você apenas porque entrei em seus sonhos e te observei? Pois saiba que sou muito real! E isso _ ele toca o pescoço de Lua , onde ainda havia a marca da mordida _ , fui eu quem fiz!
— Por que ? Porque eu ?
— Porque é você quem escolhi para ser minha mulher. Sou eu que posso saciar sua sede de sangue, e somente eu.
— Eu não consigo compreender…
— Eu sou Harvey, o rei dos vampiros e seres sobrenaturais, e escolho você, como minha rainha Luana.
— Então primeiramente mate minha sede!
— Como desejar minha mulher!
Harvey pega Luana pela cintura e por instinto ela o agarra, seu corpo a chama, como imã, e ela crava seus caninos no pescoço de Harvey, saciando sua sede e depois a dele. Embriagante. Ardente como brasa. O nascimento de uma paixão , um amor duradouro, eterno. O nascimento da rainha dos sobrenaturais, Rainha dos Olhos de Sangue.
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