Havia uma cidade, um lugar mágico, em uma terra distante, onde isolado de todos morava um conhecido inventor que sempre salvava a vida de todos com suas criações, chamado por todos de professor.
Sua obra prima era Emenert, um robô com bateria autocarregável por energia solar e no início, que ele foi criado, tornou-se logo atração da cidade. Com o passar dos anos, as fábricas o colocaram para ajudar na mão de obra.
Como Emenert não precisava comer, nem dormir, ele passava horas na praça ou as vezes no alto da montanha onde observava a todos.
Um dia em seus longos passeios a sós por essas elevações , Emenert encontrou uma pétala. Era linda, colorida como o arco íris, parecia ser mágica. O robô, que nunca havia sentido nada, nem expressado sentimento por nada ou ninguém, resolveu andar além do riacho da vida, onde a terra mágica teria fim, para que lá, a pétala pudesse encontrar seu lugar.
Ao atravessar o riacho, Emenert encontrou uma fada. Ela era a dona da pétala mágica.
— Aonde vai, Emenert ?
— Encontrei essa pétala de flor e desejo levá- la para um lugar seguro onde ninguém poderá achá-la.
— Acho que você já tem essa resposta dentro de você,ccontudo devo lhe dizer, que por me fazer tal favor de me trazer parte da minha flor mágica, lhe concederei um desejo.
Emenert se lembrou, que enquanto subia a montanha não podia sentir no seu rosto o vento que soprava das árvores , nem a água do riacho, mesmo que lhe molhasse. Em outras palavras, não foi projetado para sentir, mas após ter obervado os humanos com insistentemente, em como eles sorriam e eram felizes, Emenert pensou que queria sentir aquilo, ele queria viver.
— Isso, eu quero viver, quero sentir o que nunca pude.
Ao olhar para dentro do seu peito ele sabia que o lugar mais protegido seria dentro do seu coração de aço.
— Tudo bem, Emenert, mas não esqueça: a pétala mudará o seu coração. Outro detalhe: ela é uma bateria e você precisará carregá-la de sentimentos para viver. Sem isso, ela morrerá com você.
Em um piscar de olhos, Emenert ficou diferente. Ele correu animado e ao chegar em um riacho pôde experimentar a água molhando os seus pés, o vento e a sede, o cansaço e a fome. Ele era agora um menino normal de osso, pele e carne.
Ao chegar na cidade, lembrando que precisava de sentimentos, ele foi até a menina, que mesmo sem compreender, sempre a admirou. Agora ela se tornou para ele, a menina mais linda da cidade.
Ele tentou levar-lhe flores, mas descobriu que precisava pagar por elas.
Trabalhou o dia todo com a graxa das suas antigas peças, engraxando o sapatos de todos que precisavam.
No fim do dia, ele conseguiu comprar um pequeno buquê. Era o mais barato que tinha e a menina, sabendo disso, não se impressionou.
O robô foi embora triste e mais tarde, ao dormir no campo, ele pôde sentir a grama e o sereno da brisa fria da noite.
Enquanto descansava, ouviu de longe um barulho. Eram adolescentes que roubavam a loja de brinquedos. Ao tentar impedir, apanhou e com o alarme disparado, foi preso assim que a polícia chegou.
Emenert passou uma noite triste na prisão.
Pela manhã, após ter se explicado, saiu e o dia todo trabalhou vendendo suas peças, para comprar o buquê mais caro da floricultura.
Ao rntregae para a menina, chamou-a pra sair. Levou-a até a montanha. A menina reclamava que era muito longe, suas pernas doíam e estava muito frio e alta.
Ao chegar em cima do monte, a menina se calou e sorriu. Naquele instante, Emenert teve seu coração cem por cento carregado .
No dia seguinte, ao usar todas as peças que sobrara, montou uma bicicleta e levou para a menina, chamando-a para sair mais uma vez. Foram para a colina, no entanto, mais uma vez ela reclamava do tamanho da bicicleta para ela , mesmo assim, ele resolveu contar o seu segredo. Triste revelação. Ela o chamou de louco e fugiu correndo.
Para carregar-se, Emenert, então, apresentava-se na praça e ajudava a todos com o que podia para conseguir qualquer sorriso em retribuição. Ele precisava de qualquer fragmento de sentimento para se manter vivo. Apegava-se a qualquer migalha de sentimento para manter o coração pulsando.
Com o período natalino, teve uma ideia. Trabalhou duro para oferecer presentes a todos da cidade feitos por suas próprias mãos.
No dia de Natal, pegou os presentes, deixando-os nas portas de cada um. Depois, foi para a colina e obervou a reação dos moradores:
— Minha casa agora virou lixão? Quem colocou isso aqui? — dizia um homem enraivecido.
— Só me faltava essa, agora eu sou colecionador de bugigangas? — gritava outro.
Ao observar atentamente e com o coração doído, via a menina que ganhou uma bicicleta nova e bonita de um admirador, além de um grande buquê de rosas. Ele se beijavam.
Enquanto isso, notou que os pais da menina o caçavam, muito zangados.
— Onde está aquele menino maluco que assustou minha filha com sua história esquisita?
Assustado, Emenert, então, correu o mais rápido que podia, procurando pela fada para que lhe devolvesse seu coração de aço.
Porém como o seu coração estava com a bateria zerando, percebeu que seu fim era eminente. Não lamentou. Era melhor ter um coração frio e de aço do que ter um coração sofrido e quebrado .
A bateria arriou assim que chegou ao riacho.