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Há um coração que bate em silêncio,
onde o eco não chega e a voz se cala.
Não por escolha, nem por teimosia,
mas porque aprendeu a viver sem fala.
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Ele carrega marcas de antigas chamas,
que um dia arderam e depois se apagaram.
Cada cicatriz é uma história guardada,
de amores que foram e não mais voltaram.
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Às vezes, ele bate mais forte ao luar,
como se procurasse outro coração igual,
que também soubesse o peso de esperar,
e entendesse o silêncio que lhe é natural.
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Não é um coração que odeia a vida,
nem que fechou portas por desilusão.
Ele apenas aprendeu a ser sua própria guarida,
a se aquecer na própria solidão.
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Ele conhece o sabor da madrugada vazia,
o som do vento a bater na janela fria,
a sensação de ser um mundo inteiro
que ninguém jamais conseguiu ler ou entender.
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Muitos pensam que ele vive triste,
que a solidão é uma prisão sem saída.
Mas ele sabe: ser sozinho não é ser triste,
é ter a paz que o mundo não traz, nem dá.
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Às vezes, bate mais devagar, cansado,
como quem descansa depois de caminhar.
Guarda em si sonhos que nunca foram contados,
e amores que só ele sabe recordar.
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Não pede pena, nem busca compaixão,
tem a sua luz e o seu próprio caminho.
É livre, imenso, dono de si mesmo,
mesmo que o chão pareça, às vezes, pequenino.
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E se um dia alguém bater devagar,
sem pressa, sem medo, sem exigir nada,
talvez ele então se abra, devagar,
e mostre o que guarda por trás da muralha erguida.
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Mas enquanto esse dia não chega,
continua seu curso, firme e sem se vergar.
Solitário, sim — mas nunca derrotado,
um coração que aprendeu a se amar.