Pela floresta, duas crianças caminhavam, roupas rasgadas e corpos magros. Os dois pequenos olhavam para todos os lados em busca de comida. Já haviam entrado em outras casas em busca de alimento, mas nada tinham encontrado. De cabelos loiros e olhos azuis apagados, João segurava um graveto que o usava para abrir caminho entre os arbustos. Logo atrás de João, sua irmã gêmea, Maria andava devagar, seu corpo arranhado, e mastigava um osso de sua última refeição.
Na frente dos gêmeos um inocente coelho salta, o pelo branco imaculado e olhos azuis perolados. João ataca com brutalidade, usando o graveto que tinha em mãos. Destroçado no chão, João com suas unhas sujas arranca a pele do coelho. Maria se aproxima, e juntos os irmãos devoram sua caça, deixando para trás apenas ossos roídos. Porém, Maria ainda sentia fome, sua barriguinha ainda estava roncando.
Se lembravam, foram 5 dias atrás que seus pais os expulsaram de seu lar. Eles choraram ao serem expulsos de sua casa, quem teria coragem de mandar para floresta duas pequenas crianças? Por isso eles teriam que fazer de tudo para se manterem vivos. De forma rudimentar aprenderam a caçar e matar para sobreviver. Não sabiam cozinhar, comida sem preparo era a única opção. Mas isso nunca tinha sido um problema, pois João e Maria apreciavam carne crua, a sensação de mastigar a carne ainda pulsante, o sangue vivo ainda quente era uma satisfação que os gêmeos aprenderam a gostar.
— Irmão, quando essa fome vai passar? — Maria disse segurando na mão de João. — Tantas crianças mortas. Será que seremos os próximos?
Viviam tempos sombrios, não eram apenas João e Maria que sofriam dessa maldita fome, na verdade toda a Europa se contorcia com essa maldição. A escassez de comida forçava inúmeras famílias a lança seus filhos em florestas deixando eles a própria sorte. Junto da fome veio também aproveitadores, como hienas famintas sequestravam e devoravam essas crianças que agora na floresta eram apenas caças indefesas, alimento fácil para todos que sucumbiram a fome e loucura.
Não havia mais civilização, quando a fome toma a mente dos homens.
Claro, que apenas os pobres sofriam, os ricos em suas casas luxuosas tinham comida farta, mas por quanto tempo? Ninguém sabia quando essa fome e morte iriam acabar. Alguns rezavam, outros morriam, mas aqueles que buscavam sobreviver comiam de tudo. Humanos deixaram de ser humanos, para comerem como animais. Além de mortas, crianças também eram vendidas como mercadoria, seja para uso próprio ou apenas para saciar os desejos mórbidos de nobres excêntricos. E como os gêmeos eram presas fáceis, sempre fugiam, nunca pensaram em se separar, pois não aguentariam ficar um longe do outro.
Dois corpos, duas mentes, uma só fome.
Atravessando um grande arbusto, os gêmeos pisam sobre algo diferente, uma estrada em meio a floresta. Curiosos como apenas crianças podiam ser, Maria olhou de perto. Tijolos amarelados como milho, um aroma doce como açúcar. Usando um galho, Maria fura um dos tijolos da estrada, era molhe e macio. Levou a boca um pedaço, sentiu o doce derreter em sua língua e inundar sua boca.
— É doce. — provou outro pedaço, e não tinha como negar, o tijolo era mesmo um doce. — João é açúcar. — gritou com um largo sorriso.
Despedaçando dois tijolos, Maria dividiu com seu irmão. As crianças sentadas sobre a estrada amarela começaram a devorar os tijolos mais moles e mais deliciosos, não se importavam que havia terra ou folhas sobre eles. O doce viciava seus paladares até aquele momento, só encontraram carne áspera e quente. Enquanto se deleitavam com aquele presente, os gêmeos questionavam aquele encontro. Por que aqueles tijolos eram de açúcar? Será que seguir a estrada levaria até o responsável? E como eles imaginavam, era isso mesmo. Seguindo pela estrada pavimentada com doces o vento ficava cada vez mais carregado com o aroma adocicado. João e Maria sorridentes correram, penas pequenas e rápidas com uma única vontade, chegar nesse destino de prazeres. Alcançaram o fim da estrada de tijolos amarelos, e o que viram nunca poderiam ter imaginado encontra no meio de uma floresta tão violenta.
Uma enorme casa feita de doces de todos os tipos, paredes de massa de bolo, chocolate em calda que escorria elas frestas até o chão. O teto de alcaçuz coberta por uma camada grossa de bolo de morango que apenas olhar causava água na boca. Pirulitos gigantes postos ao redor da residência como um cercado improvisado. Até mesmo as arvores, eram feitas de doce, os troncos de barras de chocolate, as folhas de hortelã e a própria grama de chiclete. Estavam paralisado ao ver aquele banquete de guloseimas, suas bocas cheias de saliva, suas pupilas dilatadas, e sua barriguinhas outra vez rocando. E dominados por uma fome sem igual correram, passaram pelo cercado de pirulitos. João se jogou para devorar a grama de chiclete, Maria arrancava as folhas de hortelã dos arbustos fartos.
— Irmão isso é o paraíso. — falava Maria com sua boquinha cheia, enquanto suas mãos arrancava parte da parede.
— Quem deve ser o dono dessa casa? — perguntou João.
Enquanto comiam e se fartavam, ouvem o girar da maçaneta. A porta se abriu e uma figura de uma mulher alta, ereta com um capuz que escondia os cabelos, rosto pálido como se tivesse passado faria de trigo como maquiagem. Olhos puxados quase fechados, afiados, e lábios finos em um sorriso amigável e misterioso. Olhou para os gêmeos que comiam sua moradia como dois pequenos ratos.
— Pobres crianças. Tenho dentro de minha casa, mais doces para vocês. Se quiserem, podem me seguir. — abria a porta para os gêmeos.
Os gêmeos olharam entre si, e ao concordarem, aceitam o convite. Juntos entram na casa de doces.
Por dentro a casa era ainda mais fascinante, o aroma de balas de goma era nauseante. Os moveis também eram de doces, Maria sem demora tentar comer uma cômoda. A bruxa os leva para um sofá que estava bem no centro da sala, ao se sentarem descobrem que o próprio era feito de marshmallow, macio e fofinho. E sem demora começam a comer.
— Eu tenho mais doces para vocês esperam aqui.
Voltando um tempo depois, a bruxa vinha com uma bandeja de biscoitos, bolos e copos feitos de açúcar mascado, o liquido dentro deles calda de morango.
Os gêmeos comeram e comeram.
— Ela é tão legal. — disse Maria para seu irmão com a boca cheia de doces.
Sentada em uma cadeira próxima, a bruxa apenas observava as crianças comerem, seus olhos afiados revelam suas intenções sombrias, mas os pequenos não podiam perceber, estavam muito concentrados em encher suas barrigas. Ao terminarem de comer o que a bruxa tinha os entregado, ela se vira para o jovem João que estava segurando um pedaço do sofá com as mãozinhas.
— Pequena criança. Eu tenho mais alguns doces na minha cozinha, quer vir comigo para pegar mais para você e sua irmã? — sua voz doce eram o retrato da enganação.
Sorrindo João acenou, olhou para sua irmã Maria e após acenarem juntos o garoto seguiu a bruxa. Atravessaram a grande casa, João olhando para todos os lados maravilhado, enquanto seguia a figura enorme da bruxa em sua frente. Chegam ao fundo da casa, na frente de João se erguia uma grande porta, diferente de toda as outras portas que ele tinha visto até aquele momento dentro da casa, essa era feita de madeira e não doce.
Depois de aberta, João descer por uma escada de pedra logo atras da bruxa para uma sala no porão. A cada degrau, o garoto podia sentir o cheiro forte de carne podre e de sangue, o fedor ferroso estava grudado em cada canto daquela sala. Após deixar a escada, João podia ver várias gaiolas presas ao teto por correntes, o chão coberto por poças de sangue seco e coagulado. Olhando para sua direita João percebia um grande forno que encobria toda a parede.
Sentindo um leve arrepio na espinha, João olhou para a bruxa que segurou forte em seu braço, os dedos cadavéricos marcavam sua pele. Junto quando um sorriso medonho que revelou dentes tortos e amarelos surgiu com um cheiro de carne podre.
— Crianças gordinhas devem ser assadas bem devagar. — levantava uma faca para pôr fim a vida de João.
A bruxa segurava a faca torta e suja do sangue de suas muitas vítimas, percebeu que algo estava errado ao olhar para João. Podia sentir que ele estava com medo, seus pequenos músculos estavam tensos, e seus pelos arrepiados. Porem a forma de como ele a olhava, com inocentes olhos azuis opacos não revelava que realmente estivesse sentindo medo. A bruxa já havia levado várias vítimas, adultos desesperados ou crianças que estavam para morrer, por isso sua casa era a armadilha perfeita. Todos que caíram, ela adorava ouvir seus clamores, seus gritos de dor, e sua lagrimas. No entanto, aquela criança em sua frente, aquele menino não estava chorando e apenas sorrindo para ela.
— Maria. — disse João.
Antes que a bruxa pudesse pensar em se virar, Maria surge atras saltando e com um cutelo afiado acerta o pescoço da bruxa cortando sua carne e sua coluna separando sua cabeça de seu corpo. Um jorro único de sangue mancha as vestes e rostos dos dos gêmeos. A cabeça no chão estava com uma expressão incrédula eternizada, enquanto a vida deixava aquele corpo.
— Irmão está na hora do banquete. — disse Maria com sua face fofa manchada de vermelho.
— Sim irmãzinha.
E ali mesmo começaram a canibalizar o corpo da bruxa, usando o cutelo para cortar seus membros e abrir o abdômen de sua mais nova presa, e como eles imaginavam a própria carne da bruxa era doce, ela era feita de doce. Até seu sangue possuía um gosto doce. Em poucos minutos os gêmeos tinham comido por completo todo o cadáver da bruxa. Estavam saciados, seus olhos inocentes olhavam toda aquela sala onde estava o forno, viam toda a morte que a bruxa tinha feito por anos, mas suas expressões eram apenas a caricatura de anjos mórbidos, uma inocência sombria e tão perturbadora que era linda. Os cabelinhos loiros agora vermelhos de sangue, e as boquinhas manchadas como se eles tivessem comido apenas um pedaço de bolo.
— Agora a casa é nossa Maria. Mamãe e papai adorariam ficar aqui. Temos comida para sempre. — João sorria.
Mas enquanto os gêmeos já imaginavam como iriam viver em sua nova moradia, um forte estrondo quebrar o silencio e os sorrisos. Uma das paredes da sala é destruída por uma explosão os raios de sol com sua forte luz queimam o ambiente escuro, a poeira encobrindo tudo e os tijolos de açúcar caindo. João e Maria olham para o buraco e veem uma figura que se escondia na poeira, quando ela por fim cai, os gêmeos podem ver a aparência do intruso por completo. Chapéu e roupa militar de cor marrom, o homem de cabelos lisos, bigode bem feito, pele morena, segurava em suas mãos uma espada e um rifle armado.
— Então parece que encontrei vocês crianças malditas. — a voz era calma.
O soldado tinha sido contratado por nobres para caça qualquer bruxa ou pessoa que tivesse sucumbido a loucura. Vagava pelas vilas, aldeias e a própria floresta abatendo qualquer canibal ou pessoa que estivesse abusando, matando de forma discriminada. Aquele soldado já havia visitado tantos lugares e entre eles tinha ouvido rumores sobre uma bruxa que possuía uma casa de doces feita especialmente para atrair crianças e adultos desesperados. Iniciando sua buscar, até por fim encontrar.
Porém, não era apenas rumores de bruxas que ele tinha ouvido falar. Entre muitos que contavam os relatos, haviam aqueles que falaram sobre duas crianças que mesmo pequenas eram descritas como verdadeiros demônios inocentes. Cabelos loiros, olhos azuis opacos com sorrisos doces, que matavam e devoravam suas vítimas. Foi através das histórias que o soldado chegou à casa dos pais de João e Maria, apenas para encontra os cadáveres de duas pessoas que eram sem dúvidas os pais dos gêmeos.
João e Maria tinha matado seus pais para se alimentarem, e não apenas eles, todos que entraram no caminho desses pequenos anjinhos. Anjinhos que mataram muitos, e que os primeiros foram aqueles mais fáceis, seus pais.
— Quem é você? — disse Maria segurando o cutelo e sorrindo para o soldado. — Você quer conhecer mamãe e papai?
Os gêmeos se viram para encarar o soldado, ver tanto a espada e o rifle não os dava medo. E o soldado já experiente percebia que não havia remorso ou qualquer sinal de que eles se arrependessem, era puro prazer, desejo e fome. Sem aviso ele ataca com sua espada, um movimento rápido e letal. As crianças desviam do golpe escapando por pouco do movimento do homem. Aproveitando o impulso, Maria com o cutelo ataca com velocidade buscando decapitar o soldado com um único e mortal golpe.
Sua face jovial um sorriso inocente estava estampando, mas nele alguns traços de fome, ela buscava comer o soldado depois de mata-lo. Mas o homem mais rápido e experiente que uma garotinha, contra-ataca com um chute na barriga de Maria a fazendo ser lançada contra várias gaiolas e ossos no fundo da sala.
No entanto, não teria tempo para pensar, quando João surge atras dele segurando uma faca e ataca com uma força e velocidade enorme, o soldado outra vez confiado em seus reflexos desvia por pouco, mas a ponta da faca acerta sua ombreira cortando-a fora.
Aproveitando seu movimento, o soldado gira nos calcanhares e quando para estava com seu rifle apontando para João e começa a atirar contra o menino, que corre pela sala desviando das balas que acertavam as paredes e gaiolas. Enquanto o soldado dava toda sua atenção para João que escapava de seus disparos, quase não percebe quando o cutelo sair voando em sua direção. Para se defender, o homem usa seu rifle para mudar a trajetória da arma letal. Com apenas essa pequena janela de segundos, Maria surge na frente dele segurando dois fêmures quebrando como estacas.
— Você vai virar jantar! — seu sorriso inocente não vacilava.
O soldado outra vez consegue escapar do ataque de Maria, e saltando para trás consegue espaço para tronca sua arma, assim sacando sua espada ele a ataca e com um corte rápido acerta a barriga da garotinha abrindo um corte profundo. Maria leva sua mão ao ferimento, enquanto sentia que seus intestinos escaparem pela abertura em seu abdômen. Fraca devido a dor, cair no chão.
João ver sua irmã ser atacada e corre rapidamente em sua direção.
— Maria! — grita ele ficando de joelhos perto dela. — Irmã!
João e Maria como gêmeos nasceram no mesmo dia, em uma noite tão densa e tristes. Não foi em um momento de alegria ou de paz que sua mãe deu à luz a essas duas crianças. Sozinha ela teve que resistir a dor de dá à luz a crianças que ela nunca quis, crianças, filhos de um homem que ela detestava que era seu marido. Após o nascimento, a mulher nem mesmo queria amamentar essas crianças desejando por suas mortes, mas ainda assim algo nela não as deixava morrer.
Ela os viu crescerem e com ela um amor pelas pequenas criaturinhas que eram belas, como anjos puros. A mulher até mesmo achou que essas crianças poderiam mudar seu marido violento, mas foi um sonho em vão, quando ele tinha se tornando mais violento a grande fome atingiu sua vila e toda a Europa, tudo se tornou mais sombrio. Estava cada dia mais difícil conseguir comida e se manter, e a mulher tinha um amor maior por João que tinha sido a primeira criança a nascer, segundos antes de Maria.
E considerando ele seu verdadeiro filho, a mulher decidiu finalizar Maria, assim apenas uma criança seria mais fácil para cuidar. Em uma noite fria, a mulher se preparava para estrangular Maria e assim por um fim a sua pequena e brevemente miserável vida, mas ela não esperava que João assistisse tudo e interviesse usando uma faca e a enfiando em suas costas. A mulher não teve tempo de pensar quando caiu próximo a cama com seus olhos arregalados olhando para seu filho João.
Logo depois o pai chegou e encontrou sua mulher morta, mas da mesma forma ele não teve tempo de pensar, quando João cortou sua garganta, o deixando se afogar com seu próprio sangue. Após a morte de seus pais, Maria acordou com fome.
— Irmão estou com fome? — disse.
João com a faca arrancou parte do corpo de seus pais e juntos comeram os dois cadáveres.
— Irmã, sempre estaremos um ao lado do outro. Sempre uma vida, sempre uma voz, sempre uma só fome.
Voltando de suas memorias, João chorava ao ver sua irmã ferida e a beira da morte.
Ao longe perto do buraco na parede, o soldado ajeitava seu chapéu enquanto olhava para os gêmeos.
— Crianças malditas vocês morrem aqui. Seu terror acaba. — preparava sua espada ainda suja com o sangue de Maria.
João segurava a mão de sua irmã que estava começando a ficar fria.
— Irmão... — falava entre seus últimos suspiros. — Eu estou com fome?... — fechava seus olhos.
O menino assistiu a vida deixa o corpo de sua irmã. Com lagrimas em sua face e uma dor enorme em seu peito, como se algo tivesse quebrando dentro dele, algo essencial, algo precioso que nunca deveria se partiu, mas que se partiu. E tomando por uma loucura enorme, João pega os fêmures que Maria antes segurava e abre seu peito e arranca o coração da garotinha e ali mesmo começa a devorá-lo.
O soldado presencia a cena grotesca, enquanto João comia o coração de sua irmã falecida. Após esse ato ele viu João se levantar, mas algo estava estranho com o pequeno garoto. João encarava o soldado, e o homem pode ver algo que o causou pavor. Do lado esquerdo do pequeno João na altura de seu rosto estava a imagem de uma figura espectral, era a face de Maria compartilhando o mesmo lado.
Eles tinham por fim se tornado um só, um só corpo, uma só alma, um só desejo.
— Estamos com fome. — João falou, mas era uma cacofonia de duas vozes, a dele e a de Maria.
Mas antes que o soldado pudesse pensar em entender as palavras ou a cena que se desenrolava diante de seus olhos, o mundo se tornar um borrão ao mesmo tempo que sentiu uma estranha sensação de ausência de seus membros, como se eles tivessem se tornando dormentes. Porém, essa confusão durou pouco, seus olhos logo conseguiram alcançar por cima do ombro de João e ver bem ao fundo seu corpo que desabava no chão sem uma cabeça.
A cabeça do soldado estava nas mãos de João. O soldado queria amaldiçoar essas crianças, mas não teve tempo quando tudo ao seu redor começou a se torna escuro, uma sombra fria e estranhamente confortável tomou conta de seus sentidos quando o frio eterno da morte o levou para o breu derradeiro.
Após seu abate, João/Maria começaram a devorar o corpo do soldado, abrindo seu peito e devorando suas vísceras, seu coração e tudo dele. Com o fim de sua refeição, os gêmeos saíram pelo buraco na parede para os raios de sol. Sua pele suja de sangue era iluminada pelos belos raios solares. João/Maria pegaram tanto a espada do soldado quanto seu rifle.
E quando deixavam a casa de doces para trás, João/Maria voltaram a falar em uníssono.
— Nós estamos com fome.