O beijo não foi calmo.
Nem lento.
Foi como tudo entre eles: intenso, confuso… inevitável.
Fer segurou a camisa dele sem nem perceber, como se, no fundo, tivesse medo de que ele fosse embora de novo.
Mas ele não foi.
Pelo contrário.
A mão dele subiu devagar pelo braço dela, parando na sua nuca, aprofundando o beijo como se estivesse esperando por aquilo há muito tempo.
Quando finalmente se afastaram, os dois ficaram em silêncio.
Respiração acelerada. Olhares presos.
— Isso… não pode acontecer de novo — ela disse, mesmo sem soltar ele.
Ele soltou um leve riso, daqueles que desmontam qualquer argumento.
— Então por que você ainda tá me segurando?
Fer percebeu. Mas não soltou.
— Porque eu sou idiota.
— Não… — ele aproximou o rosto de novo, a voz mais baixa ainda — é porque você sente o mesmo.
Aquilo bateu forte.
Porque era verdade.
Sempre foi.
Ela desviou o olhar, tentando recuperar algum controle.
— Você some… depois volta como se nada tivesse acontecido — disse ela, com um tom mais firme. — Eu não sou alguém pra você usar quando dá vontade.
Agora foi ele que ficou sério.
— Você acha mesmo isso?
Silêncio.
A chuva ainda caía lá fora, mas agora parecia distante.
— Eu me afasto porque eu sei que isso aqui pode dar muito errado, Fer — ele continuou. — Mas toda vez que eu tento… eu volto.
Ela olhou pra ele de novo.
Mais vulnerável dessa vez.
— Então para de voltar.
Ele deu um passo pra trás.
Um só.
Mas pareceu um abismo.
— Se eu parar… eu te perco.
O coração dela apertou.
— E se continuar… a gente pode se destruir.
Os dois ficaram se encarando, presos naquele meio-termo perigoso.
Nem juntos.
Nem separados.
E pela primeira vez… nenhum dos dois sabia qual era a escolha certa.