O dia em que Clara derramou café no desconhecido mais bonito que já tinha visto começou como qualquer outro: atrasado, caótico e sem grandes expectativas. Ela corria pela rua, equilibrando bolsa, celular e um copo de café quase vazio, quando esbarrou nele.
— Meu Deus! Desculpa! — disse, desesperada, vendo a mancha se espalhar pela camisa branca impecável do rapaz.
Ele olhou para a própria roupa, depois para ela… e sorriu.
— Acho que agora tenho uma boa desculpa pra ir embora mais cedo.
Clara piscou, sem entender como alguém podia reagir tão bem àquela situação.
— Eu pago a lavanderia, sério!
— Que tal você pagar um café pra compensar? — ele respondeu, apontando para a cafeteria logo atrás deles.E foi assim que tudo começou.
O nome dele era Lucas. Engraçado, leve, com um jeito que fazia qualquer problema parecer pequeno. Clara, ao contrário, vivia com medo de tudo dar errado. Mas, de alguma forma, quando estava com ele, o mundo desacelerava.
Os encontros viraram rotina. Primeiro cafés, depois jantares, depois longas caminhadas sem destino. Eles riam de coisas bobas, compartilhavam sonhos e, aos poucos, Clara percebeu que estava se apaixonando.
Mas como todo clichê, a felicidade não veio sem obstáculos.Lucas recebeu uma proposta de trabalho em outra cidade. Era a oportunidade da vida dele.
— Eu não posso pedir pra você ficar — Clara disse, tentando parecer forte, mesmo com o coração apertado.
— E eu não posso pedir pra você ir — ele respondeu, segurando as mãos dela.
O silêncio entre os dois disse tudo. Eles sabiam que aquilo mudaria tudo.
Nos dias que se seguiram, Clara tentou se convencer de que era melhor assim. Que amores de verão — mesmo acontecendo no meio do ano — eram feitos para terminar. Que a vida real exigia escolhas difíceis.
Mas na noite antes da viagem, algo dentro dela gritou mais alto.
Ela correu. Literalmente. Pegou o primeiro transporte que viu, ignorou o cabelo bagunçado e o coração disparado. Quando chegou à rodoviária, viu Lucas prestes a embarcar.
— Espera! — gritou.
Ele se virou, surpreso.
— Eu sou péssima com mudanças… e morro de medo do desconhecido — ela disse, tentando recuperar o fôlego. — Mas tenho mais medo ainda de uma vida sem você.
Lucas sorriu, aquele mesmo sorriso do dia do café.
— Então vem comigo.
E, pela primeira vez, Clara não pensou duas vezes.Meses depois, em uma nova cidade, entre caixas ainda fechadas e planos sendo construídos aos poucos, eles estavam juntos. Nem tudo era perfeito — havia contas, saudade de casa, dias difíceis — mas havia algo maior: a certeza de que escolheram um ao outro. E, no fim, talvez fosse isso que tornava tudo tão especial.
Não o acaso do começo, nem o drama do meio…
Mas a escolha, todos os dias, de ficar.
Fim...