Capítulo 1: A Caça aos Caracóis Misteriosos
Há dez anos atrás, na pequena vila costeira de Sakuraville, onde o mar batia suavemente nas areias brancas...
Lira, com sete anos, corria pela rua de pedra da vila, seus cabelos cacheados desgrenhados e um chapéu de palha tão grande que quase cobria seus olhos cor-de-âmbar.
— Gael! Gael! Você precisa me ajudar! — ela gritou, parando diante de um garoto de oito anos que estava tentando arrumar uma pilha de paus em frente à casa dele.
Gael olhou para ela, esfregando a poeira da camiseta listrada:
— O que foi agora, Lira? Você não perdeu novamente sua coleção de conchas?
— Pior! — ela agarrou o braço dele. — Os caracóis da horta da vó Rosa desapareceram todos! Eu vi pegadas estranhas no chão... são bem menores que as nossas, e têm pontinhos no final!
Gael franziu a testa, ajustando a pequena faca de madeira que carregava na cintura — um presente do seu avô, que dizia ser "uma lâmina para proteger os amigos".
— Pontinhos no final... pode ser... os "duendes da horta" que a vó Rosa fala? Mas ela diz que eles só aparecem quando alguém cuida bem das plantas!
— Eu cuido sim! — Lira bateu o pé. — Eu regava as cenouras todos os dias! Vamos investigar!
Os dois correram até a horta, localizada atrás da casa de Rosa — uma mulher forte que cuidava de quase todas as crianças da vila. Quando chegaram lá, viram a mulher de mãos nas ancas, olhando para as fileiras vazias de caracóis.
— Vó Rosa! Você viu alguma coisa? — perguntou Lira, chegando correndo.
Rosa sorriu e deu um tapinha na cabeça da menina:
— Calma, minha flor. Eu vi sim... mas vou só dizer uma coisa: os caracóis foram para um lugar onde há muita comida verde. Agora, se vocês querem encontrá-los, precisam seguir o caminho que passa por baixo da árvore de manga.
— Uma pista! — exclamou Gael, segurando firme sua faca de madeira. — Vamos lá, Lira! Nós somos os "Caçadores de Mistérios de Sakuraville"!
— É! E eu vou usar meu "poder de ver coisas escondidas"! — Lira fechou os olhos por um instante e depois abriu com um sorriso. — Eu sinto que eles estão naquela clareira atrás da árvore!