A sala de ensaio já estava quase vazia quando San percebeu que Wooyoung ainda não tinha ido embora.
Ele estava sentado no chão, encostado no espelho, mexendo distraidamente no celular — mas não parecia realmente prestando atenção em nada. Era aquele tipo de silêncio que dizia muito mais do que palavras.
San se aproximou devagar.
— Você não vai pra casa?
Wooyoung levantou o olhar, e por um segundo… só ficou encarando. Como se estivesse tentando decidir alguma coisa.
— Tô cansado.
San deu um meio sorriso, sentando ao lado dele.
— A gente treinou o dia inteiro… é normal.
— Não é isso.
Agora sim, San prestou atenção de verdade.
Wooyoung desviou o olhar, passando a mão pelos cabelos, meio frustrado.
— Às vezes eu sinto que… não importa o quanto eu tente, nunca é suficiente.
San ficou em silêncio. Ele conhecia aquele sentimento — talvez melhor do que ninguém.
Mas ao invés de responder com palavras prontas, ele fez algo diferente.
Segurou o pulso de Wooyoung.
De leve. Mas firme.
— Olha pra mim.
Wooyoung hesitou… mas olhou.
E foi aí que San falou, mais baixo:
— Pra mim, você já é suficiente.
O ar entre os dois ficou pesado. Não desconfortável… só intenso demais.
Wooyoung tentou rir, meio sem graça.
— Você fala isso fácil.
San se inclinou um pouco mais perto.
— Não é fácil.
Agora eles estavam próximos demais. Perto o suficiente pra Wooyoung sentir a respiração dele.
— Eu penso isso faz tempo.
Silêncio.
Wooyoung engoliu seco.
— San…
Mas não terminou a frase.
Porque San já tinha diminuído ainda mais a distância.
Não foi um beijo imediato. Foi lento… como se desse tempo pra Wooyoung recuar.
Mas ele não recuou.
Pelo contrário.
Foi ele quem fechou o espaço.
O beijo começou suave, quase tímido — o oposto da energia caótica que Wooyoung sempre mostrava.
E talvez por isso tenha sido tão diferente.
Tão real.
Quando se afastaram, Wooyoung ficou encarando San com os olhos um pouco arregalados, como se estivesse tentando entender o que acabou de acontecer.
San só sorriu de canto.
— Ainda acha que não é suficiente?
Wooyoung soltou uma risada baixa, encostando a testa na dele.
— Idiota…
Mas não se afastou.
Nem por um segundo.