Capítulo 1 — A Fada no Reino das Sombras
No coração do Reino das Sombras, onde montanhas negras cercavam a terra e o céu quase nunca mostrava o sol, erguia-se um enorme castelo feito de pedra escura. As torres altas pareciam tocar as nuvens, e chamas azuladas queimavam em tochas ao longo dos corredores.
Era o castelo do rei demônio Tisuki.
Dentro do grande salão do trono, o silêncio dominava o ambiente. O chão era de mármore escuro, e enormes pilares sustentavam o teto alto. Bandeiras negras com símbolos antigos dos demônios pendiam das paredes.
No trono, feito de pedra negra e metal escuro, estava sentado Tisuki.
Ele observava alguns pergaminhos com assuntos do reino. Mesmo sendo um demônio temido por muitos, ele ainda precisava lidar com tarefas de rei: disputas entre clãs, territórios e problemas do reino.
Seu olhar era sério e frio.
Guardas demoníacos estavam posicionados pelo salão, imóveis como estátuas.
De repente…
As grandes portas de ferro do salão se abriram com um forte estrondo.
Um guarda entrou rapidamente e se ajoelhou diante do trono.
— Meu rei!
A voz ecoou pelo salão silencioso.
Tisuki levantou os olhos lentamente, claramente incomodado pela interrupção.
— O que é? — perguntou com um tom calmo, mas pesado.
O guarda parecia nervoso.
— Encontramos algo estranho em nossas terras… perto da floresta sombria.
Alguns dos outros demônios presentes trocaram olhares.
Era raro algo incomum acontecer dentro do território demoníaco.
Tisuki inclinou levemente a cabeça.
— Algo estranho?
O guarda continuou:
— É um ser de outro lugar… e está gravemente ferido.
Por um momento, o rei ficou em silêncio.
Depois falou com frieza:
— Tragam esse ser até mim.
O guarda se levantou rapidamente.
— Sim, meu rei!
Ele saiu correndo do salão.
Alguns minutos se passaram.
O silêncio voltou a dominar o lugar, até que as portas se abriram novamente.
Desta vez, dois guardas entraram carregando uma pequena figura inconsciente.
Quando chegaram perto do trono, colocaram o corpo cuidadosamente no chão de pedra.
Assim que o pano que a cobria caiu…
Vários demônios no salão ficaram surpresos.
— Uma… fada? — murmurou um deles.
A criatura caída no chão era pequena e delicada. Seus cabelos claros estavam bagunçados e sujos de poeira. Seu vestido estava rasgado em vários lugares, e marcas de ferimentos cobriam seus braços.
Mas o que mais chamava atenção eram suas asas.
Asas finas e brilhantes, como se fossem feitas de luz da lua.
Porém…
Uma delas estava gravemente machucada.
Parte da asa parecia rasgada, com algumas manchas de sangue.
O salão ficou em silêncio absoluto.
Tisuki lentamente se levantou do trono.
O som de seus passos ecoou pelo salão enquanto ele descia os degraus.
Ele parou diante da fada inconsciente e a observou por alguns segundos.
Era raro ver uma fada… e ainda mais raro ver uma no reino dos demônios.
Ele se ajoelhou levemente para olhar melhor.
Ela respirava.
Mesmo ferida, ainda estava viva.
— Como ela chegou aqui…? — murmurou um dos guardas.
Tisuki ficou em silêncio por um momento, pensativo.
Depois se levantou novamente.
Seu olhar voltou a ser frio.
— Levem-na para o quarto de visitas.
Os guardas ficaram confusos.
— Meu rei… ela é uma fada… — disse um deles, hesitante.
Tisuki lançou um olhar que fez o demônio se calar imediatamente.
— Eu não repito ordens.
Os guardas rapidamente pegaram a fada com cuidado.
Antes que saíssem do salão, Tisuki acrescentou:
— Mandem uma empregada cuidar dos ferimentos dela.
Ele virou-se e começou a voltar para o trono.
— Quero ser avisado quando ela acordar.
— Sim, meu rei!
Os guardas saíram do salão carregando a pequena fada pelos longos corredores do castelo.
Enquanto isso, Tisuki voltou a se sentar em seu trono.
Mas agora ele não prestava mais atenção nos pergaminhos.
Sua mente estava em outra coisa.
Uma única pergunta ecoava em seus pensamentos:
Como uma fada havia atravessado até o Reino dos Demônios…?
E ele ainda não sabia que aquela fada misteriosa se chamava Daisy.
Capítulo 2 — O Despertar da Fada
O quarto estava silencioso.
A única luz vinha de uma grande janela, por onde entrava um brilho fraco da lua. As paredes eram de pedra escura, decoradas com cortinas pesadas e móveis antigos.
Sobre uma grande cama estava Daisy.
Seu corpo ainda estava coberto de curativos. Uma de suas asas estava cuidadosamente enfaixada, imóvel.
Por alguns instantes tudo estava quieto.
Então…
Seus dedos se moveram.
Ela respirou fundo e lentamente abriu os olhos.
No começo, sua visão estava embaçada. O teto estranho e as paredes de pedra não pareciam familiares.
Daisy tentou se sentar.
— Ah… — murmurou baixinho, sentindo dor no corpo.
Memórias confusas passaram pela mente dela: a floresta, o ataque, o medo… e depois apenas escuridão.
Ela olhou ao redor do quarto.
Não era um lugar que ela reconhecia.
O ambiente era escuro, silencioso e um pouco assustador.
De repente, a porta do quarto se abriu.
Uma empregada demônio entrou carregando uma pequena bandeja com água e ervas.
Quando Daisy viu a figura na porta…
Seus olhos se arregalaram.
Pequenos chifres saíam da cabeça da criatura. Seus olhos eram vermelhos, e sua aura tinha uma energia sombria.
— U-um demônio…! — Daisy sussurrou, apavorada.
Ela rapidamente tentou recuar na cama, batendo as costas na cabeceira.
— N-não chegue perto!
A empregada ficou surpresa.
— E-espera! Eu só—
Mas Daisy já estava em pânico.
Seu coração batia forte.
Instintivamente, pequenas partículas de luz lunar começaram a surgir ao redor dela, reagindo ao medo.
Nesse momento, guardas que estavam no corredor ouviram o barulho e entraram rapidamente no quarto.
— O que está acontecendo aqui?!
Agora Daisy estava cercada por demônios.
Seu pânico só aumentou.
— Fiquem longe de mim! — ela gritou.
A luz ao redor dela brilhou mais forte, como se estivesse pronta para explodir.
Antes que algo pior acontecesse…
Uma voz calma, mas firme, ecoou pela porta.
— Já chega.
Todos os demônios imediatamente ficaram em silêncio.
Um homem alto entrou no quarto.
Ele tinha cabelos escuros, olhos intensos e chifres elegantes que mostravam claramente que ele não era um demônio comum.
Era Tisuki.
Os guardas imediatamente se afastaram.
— Meu rei.
Daisy olhou para ele.
Assim que percebeu quem ele era, seu corpo ficou ainda mais tenso.
— O… o rei dos demônios… — ela murmurou.
Tisuki caminhou lentamente até o centro do quarto.
Seu olhar estava fixo nela, observando cada detalhe: os curativos, a asa machucada e a magia da lua ainda brilhando ao redor dela.
Por um momento, os dois apenas se encararam.
Então ele falou:
— Parece que você finalmente acordou.
Daisy apertou os lençóis da cama.
— Onde eu estou…?
— No meu castelo. — respondeu ele calmamente.
Ela ficou em choque.
— O… castelo dos demônios…?
Seu coração voltou a disparar.
— Eu não pertenço a este lugar!
Tisuki cruzou os braços.
— Eu percebi.
O silêncio tomou conta do quarto por alguns segundos.
Então ele perguntou:
— Qual é o seu nome, fada?
Daisy hesitou.
Mas finalmente respondeu, com cuidado:
— Daisy.
Tisuki repetiu o nome em voz baixa.
— Daisy…
Seus olhos voltaram para as asas dela.
Depois ele fez a pergunta que estava em sua mente desde que a encontrou.
— Agora me diga…
Como uma fada acabou gravemente ferida dentro do território dos demônios?
Daisy ficou em silêncio.
Porque a verdade era que…
Ela também não sabia exatamente o que tinha acontecido.
Capítulo 3 — Memórias Quebradas
O quarto voltou a ficar em silêncio.
Daisy ainda estava sentada na cama, segurando o lençol com força. Seu corpo ainda doía, e sua asa machucada estava pesada por causa das bandagens.
Na frente dela estava Tisuki, o rei dos demônios.
Os guardas continuavam no quarto, observando tudo com atenção.
Tisuki olhou para Daisy por alguns segundos antes de falar novamente.
— Você disse que se chama Daisy.
Ela assentiu levemente, ainda desconfiada.
— Sim…
— Então responda minha pergunta. — disse ele. — Como você chegou ao território dos demônios?
Daisy abaixou o olhar.
Ela tentou pensar.
Por alguns instantes, nada veio à sua mente.
Mas então… pequenos fragmentos começaram a aparecer.
Uma floresta.
O brilho da lua cheia entre as árvores.
O som de algo se movendo no escuro.
Daisy levou uma mão à cabeça.
— Eu… eu estava na floresta…
Tisuki continuou ouvindo em silêncio.
— Eu estava voando… — ela disse lentamente. — Era noite… a lua estava cheia…
As imagens começaram a ficar mais confusas.
Sombras.
Um barulho estranho.
Algo grande se movendo.
O medo.
De repente Daisy arregalou os olhos.
— Algo… me atacou.
Os guardas trocaram olhares.
Tisuki franziu levemente a testa.
— O quê?
Daisy balançou a cabeça.
— Eu… não consegui ver direito…
Ela respirou fundo, tentando lembrar.
— Era escuro… muito rápido… eu só lembro de garras… e depois dor…
Instintivamente ela tocou sua asa machucada.
— Acho que foi quando minha asa se machucou…
Seu olhar ficou perdido por um momento.
— Depois disso… eu caí.
Silêncio.
Ela apertou os olhos, tentando puxar mais memórias.
Mas tudo o que vinha depois era apenas escuridão.
— Eu… não lembro de mais nada… — disse ela, frustrada.
Tisuki ficou em silêncio, pensando.
Aquilo era estranho.
Se algo poderoso o suficiente para ferir uma fada estava rondando suas terras… isso poderia ser um problema sério.
Finalmente ele falou:
— Chega por enquanto.
Daisy olhou para ele.
— Seu corpo ainda está fraco. Forçar suas memórias agora só vai piorar as coisas.
Ele então virou-se para a empregada demônio que ainda estava no quarto.
— Traga comida para ela.
A empregada fez uma reverência.
— Sim, meu rei.
Ela saiu rapidamente do quarto.
Daisy parecia surpresa.
— Você… vai me ajudar?
Tisuki olhou para ela de lado.
— Você está ferida e dentro do meu território.
Ele falou de forma simples:
— Até descobrirmos o que aconteceu, você ficará aqui.
Daisy ficou ainda mais surpresa.
— Aqui… no castelo?
— Sim.
Alguns minutos depois, a empregada voltou com uma bandeja cheia de comida simples: pão quente, frutas e uma tigela de sopa.
Ela também carregava um conjunto de roupas limpas.
— O rei pediu que eu trouxesse isso para você — disse ela timidamente.
Daisy ficou olhando para a bandeja.
Ela não percebia o quanto estava com fome até aquele momento.
Tisuki caminhou até a porta do quarto.
Antes de sair, ele parou por um instante.
Sem olhar diretamente para ela, disse:
— Você ficará aqui por um tempo.
Daisy ergueu os olhos.
— Até você se recuperar… e até lembrarmos quem fez isso com você.
Ele abriu a porta.
— Ninguém no castelo precisa saber mais do que o necessário.
Daisy ficou confusa.
— O que quer dizer?
Tisuki respondeu calmamente:
— Nem todos os demônios veriam uma fada como uma convidada.
Então ele finalmente olhou para ela novamente.
— Por isso… sua presença aqui será mantida em segredo.
Daisy ficou surpresa.
O rei dos demônios… estava protegendo ela?
Antes que ela pudesse perguntar mais alguma coisa, Tisuki terminou:
— Descanse.
Ele saiu do quarto, e a porta se fechou lentamente.
Daisy ficou sozinha novamente.
Sentada na cama, ela olhou para a comida, depois para sua asa machucada.
E então para a janela onde a lua cheia brilhava no céu escuro.
Algo dentro dela dizia que aquela história…
Estava apenas começando.
Capítulo 4 — Segredos no Castelo
A noite havia chegado novamente ao Reino das Sombras.
Do lado de fora do castelo, o vento frio passava pelas torres de pedra negra. No céu escuro, a lua iluminava silenciosamente o mundo.
Dentro do quarto de hóspedes, Daisy dormia.
Mas seu sono não era tranquilo.
Em seu sonho, ela estava novamente na floresta.
As árvores altas balançavam com o vento. A luz da lua passava entre os galhos.
Ela voava calmamente entre as árvores…
Até ouvir um som estranho.
CRACK…
Um galho quebrando.
Daisy parou no ar.
— Quem está aí…? — perguntou no sonho.
O silêncio respondeu.
Então algo se moveu entre as sombras.
Olhos brilhantes apareceram no escuro.
Grandes.
Ameaçadores.
De repente uma criatura enorme saltou das sombras.
Garras afiadas.
Dentes monstruosos.
E uma presença cheia de escuridão.
A criatura avançou direto nela.
Daisy tentou voar mais alto, mas algo agarrou sua asa.
Dor.
Uma dor forte atravessou seu corpo.
— AAAAAH!
Daisy acordou assustada.
Ela estava respirando rápido, com o coração batendo forte.
— Foi… só um sonho… — murmurou, tentando se acalmar.
Mas algo naquele sonho parecia real demais.
Ela olhou pela janela.
A lua iluminava o castelo silencioso.
Depois de alguns minutos tentando se acalmar, Daisy suspirou.
— Eu não vou conseguir dormir de novo…
Ela cuidadosamente saiu da cama.
Sua asa ainda estava machucada, então ela não podia voar direito.
Mas ela queria ver mais daquele lugar estranho.
Devagar, Daisy abriu a porta do quarto.
O corredor estava vazio.
Tochas com fogo azul iluminavam as paredes de pedra.
— Uau… — ela sussurrou.
Era a primeira vez que ela via o castelo dos demônios por dentro.
Ela começou a caminhar lentamente pelos corredores.
Havia enormes janelas, armaduras antigas e pinturas de antigos reis demônios.
Mesmo sendo assustador… também era impressionante.
Enquanto caminhava, ela ouviu passos.
Daisy rapidamente se escondeu atrás de uma grande coluna.
Um demônio passou pelo corredor.
Ele parecia apenas um guarda.
Quando ele desapareceu, Daisy respirou aliviada.
— Isso foi por pouco…
Ela continuou explorando.
Mas sem perceber…
alguém a estava observando.
Em outra parte do castelo, uma figura estava parada nas sombras do corredor.
Era Tisuki.
Ele havia percebido que Daisy tinha saído do quarto.
Em vez de mandar guardas atrás dela… ele decidiu segui-la em silêncio.
Ele observava enquanto ela caminhava curiosa pelo castelo.
— Ela realmente não tem medo… — murmurou.
De repente Daisy virou um corredor… e acabou indo parar em uma varanda enorme do castelo.
A vista mostrava todo o Reino das Sombras.
Montanhas escuras.
Florestas profundas.
E o céu iluminado pela lua.
— É… bonito… — Daisy disse, surpresa.
— Não imaginei que ouviria isso de uma fada.
Daisy deu um pulo de susto.
— AAH!
Ela se virou rapidamente.
Tisuki estava parado atrás dela.
— V-você!
Ele cruzou os braços.
— Achei que tinha mandado você descansar.
Daisy ficou um pouco envergonhada.
— Eu… não consegui dormir…
Tisuki olhou para ela por alguns segundos.
— Pesadelos?
Daisy ficou surpresa.
— Como você sabe?
— Eu ouvi você gritar do corredor.
Ela abaixou o olhar.
— Eu acho que comecei a lembrar do que me atacou…
Tisuki ficou mais sério.
— O que era?
Daisy balançou a cabeça.
— Eu não consegui ver direito… mas era enorme… e muito assustador…
Antes que pudessem continuar…
Um som veio do final do corredor.
Passos.
Alguém estava se aproximando.
Tisuki franziu a testa.
— Droga…
Daisy olhou para ele.
— O que foi?
Tisuki falou rapidamente:
— Volte para o seu quarto agora.
Mas já era tarde.
Uma voz ecoou no corredor.
— Meu rei…?
Um dos capitães demônios do castelo apareceu no corredor.
Ele parou ao ver a cena.
Seus olhos se arregalaram lentamente.
Porque ao lado do rei…
Estava uma pequena figura com asas brilhantes.
— Uma… fada…?
O silêncio tomou conta do corredor.
O capitão olhou para Tisuki.
— Meu rei… o que significa isso?
Agora o segredo estava em perigo.
Capítulo 5 — Uma Fada Problemática
O capitão demônio continuava parado no corredor, olhando incrédulo para a pequena figura ao lado do rei.
Suas asas brilhavam suavemente sob a luz das tochas azuis.
— Uma fada… — ele repetiu, surpreso.
Seus olhos voltaram para Tisuki.
— Meu rei… o que significa isso?
O corredor ficou em silêncio.
Por alguns segundos, Tisuki apenas observou o capitão.
Depois falou com calma, como se aquilo não fosse nada importante.
— Você não precisa se preocupar com isso.
O capitão franziu a testa.
— Mas meu rei—
Tisuki o interrompeu.
— Ela ficará aqui apenas alguns dias.
Ele olhou brevemente para Daisy.
— Assim que se recuperar, ela irá embora.
O capitão parecia desconfiado, mas não ousou discutir.
Ele abaixou a cabeça.
— Como desejar, meu rei.
Então se virou e foi embora pelo corredor.
Quando ele desapareceu, Daisy soltou um pequeno suspiro de alívio.
— Achei que ele ia tentar me atacar… — ela murmurou.
Tisuki apenas respondeu:
— Nem todos no castelo são pacientes.
Ele então olhou para ela com expressão séria.
— Volte para o seu quarto.
Daisy fez uma pequena careta.
— Eu só estava olhando o castelo…
— Quarto.
Ela suspirou.
— Tá bom…
E assim ela voltou para o quarto, mesmo não gostando muito da ordem.
Na manhã seguinte
A luz fraca da manhã entrava pelas janelas do castelo.
Daisy abriu os olhos lentamente.
Ela se sentia um pouco melhor… mas seu corpo ainda estava dolorido.
Principalmente sua asa machucada.
— Acho que consigo andar… — ela murmurou para si mesma.
Com cuidado, ela saiu da cama.
No começo parecia estar tudo bem.
Mas depois de alguns passos…
— Ai…
Uma dor atravessou seu corpo.
Ela segurou a parede para não cair.
— Talvez eu tenha levantado cedo demais…
Mesmo assim, Daisy era teimosa.
Ela começou a caminhar lentamente pelo corredor, apoiando-se nas paredes de pedra.
Passo…
Passo…
Mas era difícil.
Enquanto isso, no grande salão do trono, Tisuki já estava trabalhando novamente.
Guardas, conselheiros e outros demônios traziam relatórios e pedidos.
Ele ouvia tudo com expressão séria.
— Resolva isso com o comandante do norte — disse ele para um dos demônios.
O demônio fez uma reverência e saiu.
Nesse momento, Tisuki percebeu algo.
No fundo do salão… alguém estava andando lentamente.
Ele estreitou os olhos.
Era Daisy.
Ela estava tentando atravessar o salão se apoiando nas colunas.
Claramente com dor.
Tisuki suspirou.
— Essa fada…
Ele se levantou do trono.
Caminhou até ela.
Daisy nem percebeu que ele estava ali até uma sombra parar na sua frente.
Ela levantou os olhos.
— Ah… oi…
Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa…
Tisuki simplesmente a pegou no colo.
— Ei! — Daisy protestou.
Os demônios no salão ficaram em choque.
O rei dos demônios estava carregando… uma fada.
— Você não deveria estar andando — disse ele calmamente.
— Eu consigo andar!
— Claramente não.
Ele voltou até o trono e sentou-se novamente.
Mas em vez de colocá-la no chão…
Ele simplesmente deixou Daisy sentada no colo dele.
Os demônios no salão tentavam fingir que não estavam olhando.
Daisy ficou vermelha de vergonha.
— Isso é estranho… — ela murmurou.
Tisuki ignorou completamente.
— Continue — ele disse para os conselheiros, como se nada estivesse acontecendo.
Os demônios retomaram seus relatórios.
Enquanto isso, Daisy ficou sentada ali.
Observando tudo.
No começo ela ficou quieta.
Mas depois de alguns minutos…
Ela começou a ficar entediada.
Então decidiu fazer algo.
Ela puxou levemente a manga da roupa de Tisuki.
— Ei.
Ele não respondeu.
— Ei.
Nada.
Então ela cutucou o braço dele.
— Ei, rei demônio.
Tisuki finalmente falou sem olhar para ela.
— O que foi?
— Isso é muito chato.
Ele continuou olhando os pergaminhos.
— Então durma.
Daisy fez uma cara irritada.
— Eu não estou cansada.
Alguns segundos depois ela falou de novo.
— Você sempre fica sentado aqui fazendo isso?
Silêncio.
— Isso parece muito chato.
Silêncio novamente.
Então Daisy começou a balançar as pernas.
— Ei… seu cabelo é natural?
Tisuki finalmente parou de escrever.
Lentamente ele olhou para ela.
— Você está tentando me irritar?
Daisy sorriu inocentemente.
— Talvez.
Alguns demônios no salão estavam tentando segurar o riso.
Tisuki suspirou.
— Eu deveria ter deixado você no quarto.
Daisy cruzou os braços.
— Você que me trouxe.
Ele voltou a olhar para os pergaminhos.
— E já estou começando a me arrepender.
Mas mesmo dizendo isso…
Ele não a tirou do colo.
E Daisy percebeu isso.
Um pequeno sorriso apareceu no rosto dela.
Capítulo 6 — Sussurros e Segredos
Depois daquele dia estranho no salão do trono, todo o castelo começou a comentar sobre algo incomum.
Nos corredores escuros do castelo, dois guardas demônios conversavam em voz baixa.
— Você viu? — disse um deles.
— O quê?
— A fada.
O outro arregalou os olhos.
— Então é verdade?
— Eu vi com meus próprios olhos. Ela estava… sentada no colo do rei.
O outro demônio quase engasgou.
— Isso é impossível.
— Eu também achei.
Eles olharam ao redor para ter certeza de que ninguém estava ouvindo.
— Por que o rei manteria uma fada aqui?
— Talvez seja uma prisioneira.
— Ou talvez…
Ele se inclinou um pouco mais perto.
— …ela seja importante.
Os dois ficaram em silêncio.
Porque ninguém no castelo tinha coragem de perguntar diretamente ao rei.
Enquanto isso…
Daisy estava no quarto olhando pela janela.
Ela já estava se sentindo um pouco melhor.
Sua asa ainda estava enfaixada, mas a dor havia diminuído.
— Ficar parada aqui é muito chato… — ela murmurou.
Então teve uma ideia.
— Talvez eu possa explorar mais um pouco…
Ela abriu a porta do quarto e saiu silenciosamente para o corredor.
Daisy caminhou devagar, olhando curiosa para tudo ao redor.
O castelo era enorme.
Cheio de corredores, escadas e salas antigas.
Enquanto andava, ela acabou entrando em uma parte do castelo que parecia muito mais silenciosa.
Quase ninguém passava por ali.
— Estranho… — ela disse baixinho.
Então ela percebeu algo.
Uma porta grande e antiga, parcialmente aberta.
Daisy empurrou a porta devagar.
CREEEEAK…
Quando entrou…
Seus olhos se arregalaram.
— Uau…
Era uma biblioteca gigantesca.
Estantes enormes cobriam as paredes até o teto.
Livros antigos, pergaminhos e artefatos mágicos estavam espalhados por todo o lugar.
A poeira no ar brilhava sob a luz que entrava pelas janelas altas.
— Isso é incrível…
Daisy começou a caminhar entre as estantes.
Ela pegou um dos livros.
Falava sobre criaturas mágicas antigas.
Outro falava sobre magia elemental.
Mas então ela encontrou um livro que chamou sua atenção.
O título dizia:
“Magia da Lua”
— Hmm…
Ela abriu o livro.
Dentro havia explicações sobre fadas lunares e como elas podiam usar o poder da lua.
Daisy sorriu levemente.
— Talvez eu possa treinar um pouco…
Ela fechou o livro e caminhou até uma parte aberta da biblioteca onde a luz da lua entrava pela janela.
Respirando fundo, ela levantou a mão.
Pequenas partículas de luz começaram a aparecer ao redor dela.
— Ok… vamos tentar…
Ela concentrou sua magia.
A luz começou a brilhar mais forte.
Pequenos fios de energia lunar começaram a girar ao redor dela como estrelas.
— Está funcionando…
Mas de repente…
A energia ficou instável.
A luz começou a piscar.
— Espera—
FLASH!
Uma pequena explosão de luz iluminou a sala.
Alguns livros caíram das estantes.
Daisy tropeçou para trás.
— Ai!
Ela caiu sentada no chão.
— Acho que ainda preciso praticar…
Uma voz surgiu atrás dela.
— Eu diria que sim.
Daisy quase pulou de susto.
Ela se virou rapidamente.
Tisuki estava parado na porta da biblioteca.
Ele havia visto tudo.
Daisy ficou vermelha de vergonha.
— Você viu isso…?
Ele cruzou os braços.
— Foi difícil não ver.
Ele caminhou lentamente até ela.
— Então… você decidiu explorar o castelo novamente.
Daisy sorriu sem graça.
— Só um pouquinho…
Tisuki olhou ao redor da biblioteca bagunçada.
Livros no chão.
Poeira no ar.
Ele suspirou.
— Eu deixo você sozinha por algumas horas… e você quase destrói minha biblioteca.
Daisy cruzou os braços.
— Ei, foi só um pequeno acidente!
Mas mesmo assim…
Tisuki parecia um pouco curioso.
— Magia da lua, hein?
Ele olhou para ela.
— Talvez você devesse aprender a controlar isso melhor.
Daisy inclinou a cabeça.
— Você está dizendo que vai me ensinar?
Tisuki levantou uma sobrancelha.
— Eu não disse isso.
Mas Daisy percebeu algo.
Ele não parecia totalmente contra a ideia.
Capítulo 7 — Luz da Lua e Segredos Antigos
A grande biblioteca do castelo ainda estava um pouco bagunçada depois da pequena explosão de magia de Daisy.
Alguns livros estavam espalhados pelo chão.
Daisy estava ajoelhada recolhendo alguns deles quando percebeu que Tisuki ainda estava ali, observando.
— Você vai ficar só olhando? — ela perguntou.
Tisuki respondeu calmamente:
— Fui eu que mandei organizar a biblioteca… não destruir.
Daisy fez uma careta.
— Foi um acidente.
Ele suspirou.
Depois pegou o livro que Daisy estava lendo antes.
— Magia da Lua, hein?
Ele folheou algumas páginas.
— Fadas lunares têm poderes fortes… mas difíceis de controlar.
Daisy cruzou os braços.
— Eu sei controlar!
Tisuki levantou uma sobrancelha.
— Aquela explosão diz o contrário.
Ela ficou um pouco irritada.
— Então você acha que consegue fazer melhor?
Tisuki fechou o livro e colocou em uma mesa.
— Não.
Daisy piscou surpresa.
— Não?
— Eu não tenho magia da lua.
Ele olhou para ela.
— Mas sei como treinar magia.
Daisy inclinou a cabeça.
— Então você vai me ajudar?
Tisuki ficou em silêncio por alguns segundos… depois falou:
— Apenas para evitar que você exploda metade do castelo.
Daisy sorriu.
— Ótimo!
Eles foram até o centro da biblioteca, onde havia um espaço aberto.
Tisuki cruzou os braços.
— Primeiro: concentre sua magia.
Daisy respirou fundo.
Pequenas partículas de luz lunar começaram a aparecer ao redor dela.
— Agora tente formar algo simples — disse ele.
Daisy fechou os olhos.
A luz começou a se juntar lentamente…
Desta vez, sem explodir.
A energia tomou forma.
Uma pequena esfera de luz prateada apareceu na palma da mão dela.
Os olhos de Daisy brilharam.
— Eu consegui!
Tisuki observou em silêncio.
— Melhor.
Daisy sorriu orgulhosa.
Depois de um tempo treinando, Daisy voltou a caminhar pelas estantes da biblioteca.
Foi então que ela encontrou um livro muito antigo.
A capa estava gasta e coberta de poeira.
Ela abriu devagar.
Dentro havia registros antigos sobre a história dos demônios.
Daisy começou a ler em voz baixa:
— “Muito antes das guerras entre raças… os demônios e as fadas viviam em equilíbrio…”
Ela parou.
— O quê…?
Ela continuou lendo.
O livro dizia que, no passado distante, demônios e fadas não eram inimigos.
Na verdade, algumas histórias diziam que as duas raças protegiam o mundo juntas.
Daisy ficou surpresa.
— Isso… não pode
Mais tarde naquela noite
O castelo estava silencioso.
Daisy estava na varanda alta do castelo, olhando o céu.
As estrelas brilhavam acima das montanhas escuras.
Ela suspirou.
— Não consigo dormir…
De repente uma voz surgiu atrás dela.
— Pesadelos de novo?
Daisy se virou.
Era Tisuki.
Ela encostou no parapeito da varanda.
— Um pouco…
Ele caminhou até o lado dela.
— O monstro que te atacou?
Daisy assentiu.
— No sonho ele está sempre nas sombras… eu só vejo os olhos… e as garras…
Ela abraçou os próprios braços.
— Parece muito real.
Tisuki ficou em silêncio por alguns segundos.
— Se essa criatura realmente existe… ela pode voltar.
Daisy fez uma pequena careta.
— Obrigada por piorar meu medo.
Ele quase sorriu.
Depois de um tempo em silêncio olhando as estrelas…
Daisy decidiu fazer o que sempre fazia.
Começar a irritar ele.
Ela cutucou o braço dele.
— Ei.
Ele não respondeu.
Ela cutucou de novo.
— Ei.
Tisuki suspirou.
— O que foi agora?
— Você sempre é tão sério assim?
— Sim.
Ela cutucou ele outra vez.
— Isso é meio chato.
Tisuki finalmente virou para ela.
— Você realmente gosta de irritar as pessoas.
Daisy sorriu.
— Talvez.
De repente…
Tisuki simplesmente pegou Daisy no colo.
— Ei! — ela reclamou.
— Se você não consegue dormir, então pare de andar pelo castelo.
Ele começou a caminhar pelos corredores.
— Para onde você está me levando?
— Para algum lugar onde você não vai incomodar metade do castelo.
Eles chegaram ao quarto de Tisuki.
Ele colocou Daisy na cama.
— Agora durma.
Daisy arregalou os olhos.
— Espera…
Ela olhou ao redor.
— Este é o seu quarto!
Ela cruzou os braços.
— Isso é estranho… você é um tarado?
Tisuki fechou os olhos por um momento, claramente cansado.
— Apenas durma.
Mas Daisy não conseguia ficar quieta.
Ela começou a cutucar o braço dele.
— Ei.
Cutucão.
— Ei.
Outro cutucão.
— Ei—
Tisuki abriu os olhos lentamente.
— Você quer mesmo continuar fazendo isso?
Daisy sorriu.
— Talvez.
Então ele simplesmente abraçou ela, prendendo seus braços.
— Agora você não pode me cutucar.
Daisy ficou surpresa.
— Ei!
Mas depois de alguns segundos…
O quarto ficou silencioso.
O abraço era quente e confortável.
Sem perceber…
Daisy começou a ficar com sono.
E finalmente…
Ela adormeceu.
Tisuki ficou em silêncio por um momento.
Depois suspirou levemente.
— Fada problemática…
Mas ele não a soltou.ser verdade…
Tisuki se aproximou.
— O que foi?
Ela mostrou o livro.
— Aqui diz que fadas e demônios já foram aliados.
Tisuki olhou para as páginas antigas.
Seu olhar ficou mais sério.
— Essas são histórias antigas…
Daisy levantou os olhos.
— Então é verdade?
Ele não respondeu imediatamente.
— Nem tudo na história é contado da forma correta.
Aquilo deixou Daisy ainda mais curiosa.
Mas antes que ela pudesse perguntar mais…
A noite já havia chegado.
Ainda naquela noite
O quarto de Tisuki estava silencioso.
A única luz vinha da lua entrando pela grande janela.
Daisy dormia ao lado dele na cama, finalmente tranquila depois de tanto tempo acordada.
Por alguns minutos, Tisuki ficou apenas em silêncio.
Ele deveria dormir.
Mas algo fez ele continuar olhando para ela.
A pequena fada parecia completamente diferente quando estava dormindo.
Sem discutir.
Sem tentar irritá-lo.
Apenas… calma.
— Fada problemática… — ele murmurou baixinho.
Mas de repente algo mudou.
Daisy começou a se mexer inquieta.
Sua respiração ficou mais rápida.
Seus dedos se fecharam levemente no tecido da roupa.
— Não… — ela murmurou dormindo.
Tisuki franziu a testa.
Ele reconheceu aquilo.
Era outro pesadelo.
O corpo dela começou a tremer levemente.
— N-não… — Daisy sussurrou.
Sua respiração ficou abafada, como se estivesse presa em algum lugar.
Tisuki suspirou levemente.
— De novo…
Sem acordá-la bruscamente, ele aproximou um pouco mais o braço ao redor dela.
— Está tudo bem… — ele disse em voz baixa.
Mesmo dormindo, Daisy pareceu se acalmar um pouco.
Seu corpo parou de tremer lentamente.
A respiração dela voltou ao normal.
Depois de alguns minutos…
Ela voltou a dormir profundamente.
Tisuki ficou olhando para ela por mais um momento.
Algo naquele pesadelo realmente a assustava.
— Que criatura fez isso com você… — ele murmurou.
Mas não havia resposta.
Finalmente ele fechou os olhos.
Na manhã seguinte — Os rumores do castelo
Enquanto isso, em outra parte do castelo…
Alguns demônios conversavam nos corredores.
— Você ouviu o que aconteceu ontem? — disse um deles.
— Sobre a fada?
— Sim.
Outro demônio se aproximou.
— Eu ouvi dizer que o rei está protegendo ela.
— Protegendo?
— Sim… ninguém pode chegar perto dela.
Um terceiro demônio falou em voz baixa:
— Eu ouvi algo ainda mais estranho.
Os outros olharam curiosos.
— Dizem que o rei levou ela para o quarto dele ontem à noite.
Silêncio.
— Isso não pode ser verdade.
— Eu também pensei isso.
— Mas um dos guardas viu eles andando pelo corredor.
Os demônios trocaram olhares.
— O que uma fada estaria fazendo no quarto do rei?
— Talvez ela seja uma prisioneira importante.
— Ou talvez…
Ele abaixou ainda mais a voz.
— …ela tenha algum poder especial.
Outro demônio balançou a cabeça.
— Seja o que for… isso é estranho.
Enquanto isso…
No salão do trono, alguns conselheiros também comentavam discretamente.
— O rei nunca mostrou interesse em nenhuma criatura de outra raça antes.
— E agora ele protege uma fada.
— Algo está acontecendo.
E sem perceber…
Daisy.
Capítulo 8 — Rumores e Confrontos
A manhã no castelo dos demônios estava mais movimentada que o normal.
Guardas caminhavam pelos corredores, servos carregavam bandejas e alguns conselheiros discutiam assuntos do reino.
Mas naquele dia havia um assunto que dominava as conversas.
A fada.
No corredor perto da cozinha, dois demônios conversavam em voz baixa.
— Você viu ela ontem? — disse um deles.
— A fada?
— Sim.
O outro cruzou os braços.
— É estranho… o rei nunca deixou uma criatura de outra raça ficar no castelo antes.
— E dizem que ela estava no quarto dele.
— O quê?
— Foi o que eu ouvi.
Os dois olharam ao redor para ver se alguém estava ouvindo.
— Você acha que ela tem algum poder especial?
— Talvez… ou talvez o rei tenha outros motivos.
Eles riram baixinho.
Mas não perceberam que alguém estava atrás da parede do corredor.
Era Daisy.
Ela tinha saído do quarto para caminhar um pouco… e acabou ouvindo toda a conversa.
Seu rosto ficou vermelho.
— O QUÊ?!
Os dois demônios se assustaram quando ela apareceu.
— A fada!
— Você estava ouvindo?!
Daisy cruzou os braços.
— Eu não estava no quarto dele daquele jeito!
Os demônios trocaram olhares nervosos.
— Nós… não dissemos nada.
— Disseram sim!
Ela suspirou irritada.
— Demônios são muito fofoqueiros…
Antes que a discussão continuasse, um guarda apareceu.
— O rei quer falar com você.
Daisy piscou surpresa.
— Comigo?
— Sim.
Ela respirou fundo.
— Espero que ele não tenha ouvido esses rumores…
No salão do trono
Quando Daisy chegou perto do salão do trono, percebeu que algo estava errado.
O ambiente estava tenso.
Guardas estavam posicionados por todo lado.
Dentro do salão, Tisuki estava sentado em seu trono.
Mas na frente dele havia outro demônio.
Um demônio alto, com uma presença muito mais pesada que os outros.
Sua aura era forte e intimidadora.
Daisy sentiu isso imediatamente.
— Quem é ele…? — ela murmurou.
Um guarda respondeu em voz baixa:
— General Kael, um dos demônios mais poderosos do reino.
No centro do salão, Kael falava com uma voz firme.
— Então os rumores são verdadeiros.
Tisuki permaneceu calmo no trono.
— Que rumores?
Kael apontou levemente para Daisy, que estava parada perto da entrada.
— A fada.
Todos no salão ficaram em silêncio.
Kael continuou:
— O castelo inteiro está falando sobre isso.
Ele cruzou os braços.
— Uma fada vivendo no castelo dos demônios… sendo protegida pelo próprio rei.
O olhar dele ficou mais sério.
— Isso não parece estranho para você?
Tisuki respondeu com calma:
— Ela está ferida.
— Então mande ela embora quando se recuperar.
— Esse sempre foi o plano.
Kael não parecia convencido.
— Mesmo assim… manter uma fada aqui pode ser perigoso.
O olhar dele voltou para Daisy.
Ela sentiu um arrepio.
— Fadas e demônios nunca foram aliados.
Tisuki respondeu imediatamente:
— Isso não é assunto seu.
O salão ficou ainda mais silencioso.
Kael deu um pequeno sorriso frio.
— Eu só estou pensando na segurança do reino.
Ele se aproximou um pouco mais.
— Ou será que o rei está… protegendo ela por outro motivo?
Alguns demônios no salão ficaram nervosos.
Porque aquilo soava quase como um desafio ao rei.
Mas Tisuki não mudou sua expressão.
— General Kael.
Sua voz ficou mais fria.
— Cuidado com suas palavras.
A aura no salão ficou pesada.
Por alguns segundos, parecia que uma luta poderia começar ali mesmo.
Daisy observava tudo nervosa.
Ela nunca imaginou que causaria tantos problemas.
Finalmente Kael deu um passo para trás.
— Como desejar, meu rei.
Mas antes de sair, ele olhou para Daisy mais uma vez.
Seu olhar não era amigável.
— Espero que essa fada… não traga problemas para o reino.
Então ele virou e saiu do salão.
O silêncio permaneceu por alguns segundos.
Daisy olhou para Tisuki.
— Acho que eu estou causando muitos problemas…
Tisuki respondeu calmamente:
— Você já causou piores.
Daisy piscou surpresa.
— Eu?
Ele levantou do trono.
— Explodir parte da biblioteca foi um bom exemplo.
Daisy fez uma cara irritada.
— Ei!
Mas mesmo com a brincadeira…
Uma coisa estava clara.
Nem todos no castelo estavam felizes com a presença dela.
E agora Daisy tinha um novo inimigo:
General Kael.
Capítulo 9 — Desconfiança e Constrangimento
Depois da discussão no salão do trono, General Kael não parecia satisfeito.
Ele caminhava pelos corredores do castelo com expressão séria.
— Uma fada no castelo… — ele murmurou.
Kael não confiava nela.
Para ele, aquilo era perigoso.
— Vou provar que ela é um problema.
Enquanto isso, Daisy estava no jardim interno do castelo.
Era um lugar raro ali dentro: havia algumas plantas, pedras antigas e um pequeno lago.
Ela estava conversando com um jovem demônio chamado Riven, que trabalhava como mensageiro do castelo.
Riven parecia curioso.
— Então… você realmente é uma fada da lua cheia?
Daisy assentiu.
— Sim.
— Eu nunca vi uma fada de perto antes.
Daisy riu um pouco.
— Eu também nunca tinha visto tantos demônios antes.
Os dois começaram a conversar normalmente.
Mas alguém estava observando de longe.
No topo de uma das escadas do jardim…
Tisuki.
Ele tinha vindo até ali para ver Daisy.
Mas quando viu ela conversando e rindo com outro demônio…
Seu olhar ficou mais sério.
— Hm…
Ele ficou alguns segundos observando.
Riven continuou falando:
— Você deve ser muito forte.
Daisy balançou a cabeça.
— Nem tanto… eu ainda estou aprendendo a controlar meus poderes.
De repente, uma sombra caiu sobre os dois.
— O trabalho de mensageiro ficou tão fácil assim?
Riven congelou.
Ele reconhecia aquela voz.
— M-meu rei!
Tisuki estava parado atrás deles.
Daisy olhou para ele.
— Ah… oi.
Riven ficou nervoso.
— Eu estava apenas conversando com ela, meu rei!
Tisuki respondeu calmamente:
— Eu percebi.
Ele cruzou os braços.
— Não deveria estar entregando relatórios agora?
Riven imediatamente se endireitou.
— S-sim!
Ele fez uma reverência rápida.
— Eu já estou indo!
E saiu quase correndo.
Daisy olhou para Tisuki.
— Você assustou ele.
Tisuki respondeu:
— Ele tem trabalho a fazer.
Daisy estreitou os olhos.
— Você estava com… ciúmes?
Tisuki olhou para ela.
— Não.
— Parece que sim.
— Não.
Daisy sorriu um pouco.
— Parece sim.
Tisuki apenas virou o rosto.
— Vá descansar.
Mais tarde naquela noite
Depois de caminhar um pouco pelo castelo, Daisy acabou encontrando uma área que ela nunca tinha visto antes.
Era um lugar escondido entre corredores de pedra.
Quando ela abriu a porta…
Vapor quente saiu do ambiente.
— O que é isso…?
Dentro havia uma grande fonte de água quente, como um banho termal.
A água era clara e soltava vapor quente no ar.
— Uau…
Daisy sorriu.
— Um lugar para tomar banho!
Depois de ter passado dias se recuperando, aquilo parecia perfeito.
Ela entrou na água quente e relaxou.
— Ahh… isso é muito bom…
Ela encostou a cabeça na borda da fonte.
O lugar estava silencioso.
Por alguns minutos, Daisy ficou apenas pensando.
Pensando no castelo.
Nos demônios.
E em Tisuki.
Mas de repente…
A porta se abriu novamente.
Daisy virou o rosto.
E congelou.
Tisuki tinha acabado de entrar.
Ele tinha apenas uma toalha enrolada na cintura, claramente também indo usar o banho.
Daisy ficou vermelha imediatamente.
— T-TISUKI?!
Ele parou ao perceber que ela estava ali.
Por alguns segundos, os dois ficaram em silêncio.
Daisy cobriu parte do rosto com as mãos.
— O que você está fazendo aqui?!
Tisuki parecia confuso.
— Eu poderia perguntar o mesmo.
Daisy apontou para o lugar.
— Este é o banho das garotas!
Tisuki levantou uma sobrancelha.
— Não.
Ele olhou ao redor.
— Este é o banho privado do castelo.
Daisy piscou.
— O quê?
— Você entrou no lugar errado.
Ela ficou ainda mais vermelha.
— Você está mentindo!
Tisuki respondeu calmamente:
— Eu uso este lugar há anos.
Ele suspirou.
— Talvez você devesse prestar mais atenção antes de entrar em lugares aleatórios do castelo.
Daisy virou o rosto, morrendo de vergonha.
— Isso é tão constrangedor…
Tisuki apenas pegou uma toalha maior.
— Fique calma.
Ele se virou um pouco para o outro lado.
— Eu posso esperar você sair.
Daisy cruzou os braços.
— Não olha!
— Eu não estava olhando.
— Não olha mesmo!
Ele suspirou.
— Fadas são complicadas…
Mas apesar da situação constrangedora…
Um pequeno sorriso apareceu no rosto dele.
Capítulo 10 — Pensamentos Confusos
O vapor quente ainda subia da água.
Daisy continuava completamente vermelha dentro da fonte termal.
Ela tinha acabado de perceber algo muito estranho.
Tisuki tinha… sorrido.
Ela piscou algumas vezes, surpresa.
— Espera…
Ela apontou para ele.
— Você… sorriu?
Tisuki levantou uma sobrancelha.
— E daí?
Daisy parecia chocada.
— Eu nunca vi você sorrindo!
Ele respondeu calmamente:
— Isso não significa que eu nunca sorrio.
Daisy cruzou os braços.
— Ainda é estranho.
Ela começou a se levantar da água.
— Eu vou sair…
Mas antes que ela pudesse sair da fonte…
Tisuki segurou a mão dela.
Daisy congelou.
— O quê?
Ele falou calmamente:
— Você pode ficar.
Ela piscou surpresa.
— Hã?
— Eu já disse que você entrou no lugar errado.
Ele olhou para a água.
— Mas isso não significa que precisa sair.
Daisy ficou olhando para ele por alguns segundos.
Depois, lentamente, voltou a sentar na água quente.
Agora os dois estavam ali… em silêncio.
O vapor subia ao redor deles.
E por algum motivo…
os dois começaram a se encarar.
Daisy tentou desviar o olhar.
Mas sem perceber… ela olhou novamente.
Seus olhos passaram pelo rosto dele.
Depois pelos ombros.
E então…
pelos músculos do corpo dele.
Ela ficou vermelha imediatamente.
— N-não olha…
Mas quando tentou olhar para outro lugar…
Ela percebeu algo.
Cicatrizes.
Várias.
Algumas pequenas.
Outras mais profundas.
Marcas de antigas batalhas.
Daisy ficou curiosa.
— Você luta muito…?
Tisuki respondeu simplesmente:
— Faz parte de ser rei.
Daisy ficou olhando aquelas cicatrizes por alguns segundos.
Ela nunca tinha imaginado quantas batalhas ele já tinha enfrentado.
Depois de um tempo, ela finalmente saiu da água.
— Eu vou voltar para o meu quarto…
Tisuki apenas assentiu.
— Vá.
Mas antes de sair, Daisy olhou para ele mais uma vez.
E depois foi embora pelo corredor.
Mais tarde
No quarto de hóspedes, Daisy estava sentada diante de um espelho.
Ela penteava lentamente seus longos cabelos.
Mas sua mente estava longe dali.
Ela pensava na biblioteca.
Nos treinos.
No castelo.
E então…
em Tisuki.
De repente uma imagem apareceu em sua mente.
Ela imaginou os dois na fonte termal novamente.
Muito próximos.
E então…
se beijando.
Daisy congelou.
Seu rosto ficou completamente vermelho.
— O QUÊ?!
Ela colocou as mãos no rosto.
— Por que eu pensei nisso?!
Ela balançou a cabeça rapidamente.
— Isso é estranho!
Daisy tentou ignorar aquilo.
— Eu preciso parar de pensar nele…
Mas era difícil.
Ela suspirou.
— Vou dar uma volta no jardim…
No jardim do castelo
A noite estava tranquila.
A lua iluminava as pedras e as plantas do jardim.
Daisy caminhava calmamente pelo lugar.
Até que ouviu um som.
CLANG!
Algo batendo forte.
Ela seguiu o som.
E então encontrou Tisuki.
Ele estava treinando sozinho.
Usando uma espada grande.
Mas o que fez Daisy parar imediatamente foi outra coisa.
Ele estava sem camisa.
A luz da lua iluminava o corpo dele enquanto ele treinava.
Cada movimento da espada era rápido e preciso.
Daisy ficou parada olhando.
— Uau…
Ela percebeu tarde demais que estava encarando.
Tisuki parou o treino.
Ele percebeu que alguém estava ali.
Quando se virou…
Viu Daisy.
— Você de novo.
Daisy ficou um pouco sem graça.
— Eu só estava passando…
Ele encostou a espada no chão.
— Claro.
Daisy cruzou os braços.
— Você sempre treina à noite?
— Às vezes.
Ela olhou para ele.
Depois desviou o olhar rapidamente.
— Você deveria colocar uma camisa…
Tisuki levantou uma sobrancelha.
— Por quê?
Daisy ficou vermelha de novo.
— Porque… porque sim!
Ele quase sorriu novamente.
— Estranho.
Daisy tentou mudar de assunto.
— Você treina todos os dias?
— Sim.
Ela olhou para a espada.
— Você poderia me ensinar algum dia?
Tisuki respondeu:
— Primeiro aprenda a controlar sua magia sem explodir livros.
Daisy fez uma cara irritada.
— Ei!
Mas mesmo discutindo…
os dois continuaram ali no jardim, conversando sob a luz da lua.
Capítulo 11 — Asas e Flores
O jardim estava silencioso.
A lua iluminava o lugar enquanto Tisuki continuava treinando com a espada.
Daisy estava sentada em uma pedra próxima, observando.
Depois de alguns minutos, ela falou:
— Ei…
Tisuki parou o movimento da espada.
— O que foi?
Daisy mexeu um pouco nas próprias asas.
— Você pode tirar essa faixa das minhas asas?
Ele olhou para as bandagens.
— Tem certeza?
— Sim… já está me incomodando.
Tisuki se aproximou.
— Fique parada então.
Daisy virou um pouco o corpo para facilitar.
Ele começou a desenrolar cuidadosamente as faixas das asas dela.
Os movimentos dele eram surpreendentemente cuidadosos.
A bandagem começou a cair lentamente.
As asas de Daisy apareceram novamente.
Delicadas… brilhando levemente sob a luz da lua.
Mas quando Tisuki terminou de remover a última parte da faixa…
Sem querer, seus dedos tocaram um ponto sensível na base da asa.
Daisy reagiu imediatamente.
— A-ah…!
Ela levou a mão à boca, completamente vermelha.
— O que foi isso?!
Tisuki ficou surpreso por um segundo… e então começou a rir.
— Parece que encontrei um ponto sensível.
Daisy ficou ainda mais vermelha.
— Ei!
Ela virou para ele.
— O que você fez?!
Ele ainda estava rindo um pouco.
— Eu só toquei na sua asa.
Daisy cruzou os braços.
— Isso não foi só tocar!
Ela parecia meio irritada… e muito envergonhada.
— Você fez de propósito?!
Tisuki balançou a cabeça.
— Não.
Ele respirou fundo, parando de rir.
— Foi um acidente.
Depois de um momento, ele falou mais calmo:
— Desculpa.
Daisy ainda estava vermelha, mas suspirou.
— Tá…
Ela desviou o olhar, claramente envergonhada.
— Ainda assim foi estranho…
Por alguns segundos, os dois ficaram em silêncio.
Então Tisuki olhou ao redor do jardim.
Ele se inclinou um pouco e pegou uma pequena flor roxa que crescia entre as pedras.
Daisy observou curiosa.
— O que você está fazendo?
Sem responder, ele se aproximou.
Com cuidado, colocou a flor no cabelo dela.
Daisy piscou surpresa.
— Hã?
Tisuki observou por um segundo.
— Roxo combina com seus olhos.
Daisy congelou.
Seu rosto ficou vermelho outra vez.
— V-você não precisa dizer essas coisas!
Ele cruzou os braços.
— Eu só falei a verdade.
Daisy tentou esconder o sorriso.
Mas não conseguiu completamente.
Ela tocou a pequena flor no cabelo.
— Obrigada…
A lua continuava brilhando sobre o jardim.
E pela primeira vez naquela noite…
Os dois ficaram ali em silêncio confortável, apenas olhando o céu.
Capítulo 12 — Lâminas e Rumores
A noite no jardim estava tranquila.
A pequena flor roxa ainda estava no cabelo de Daisy.
Depois de alguns minutos em silêncio, ela se levantou da pedra.
— Acho que vou voltar para o meu quarto…
Tisuki encostou a espada no chão.
— Se quiser… você pode ficar no meu quarto.
Daisy parou imediatamente.
— O quê?
Ele respondeu calmamente:
— Assim você não fica sozinha.
Daisy piscou várias vezes, surpresa.
— Você está falando sério?
— Sim.
Ela cruzou os braços.
— Os outros demônios já estão falando coisas estranhas sobre nós.
Ela suspirou.
— Se me verem indo para o seu quarto, vão achar que estamos fazendo alguma coisa.
Tisuki deu de ombros.
— Então ignore.
— Ignorar?
— Sim.
Ele olhou para ela.
— Eu não me importo com o que dizem.
Daisy ficou um pouco sem resposta.
Ela ficou olhando para ele por alguns segundos… depois desviou o olhar.
— Eu… vou pensar nisso.
Tisuki apenas assentiu.
— Como quiser.
No dia seguinte
Na manhã seguinte, Daisy voltou ao jardim.
Tisuki já estava lá.
Com a espada nas mãos.
Ele olhou para ela.
— Você disse que queria aprender a lutar.
Daisy sorriu.
— Ainda quero.
Ele jogou uma espada de treino para ela.
— Então tente me atacar.
Daisy segurou a espada.
— Espera… o quê?
— Ataque.
Ela levantou a espada e correu em direção a ele.
CLANG!
Tisuki bloqueou o golpe facilmente.
— Muito lento.
Daisy tentou novamente.
CLANG!
— Muito previsível.
Ela tentou mais uma vez.
Mas ele desviou com facilidade.
Daisy bufou.
— Você poderia pelo menos fingir que está com dificuldade!
Tisuki quase sorriu.
— Aprenda primeiro.
Ele então mostrou a posição correta da espada.
— Segure assim.
Ele se aproximou por trás dela para ajustar a posição das mãos.
Daisy ficou um pouco vermelha.
— Assim?
— Sim.
Ela tentou novamente.
Desta vez o golpe foi mais firme.
CLANG!
Tisuki bloqueou… mas desta vez com mais esforço.
— Melhor.
Daisy sorriu orgulhosa.
— Eu disse!
Os dois continuaram treinando por um tempo.
Durante um momento, Daisy escorregou um pouco na grama.
Tisuki segurou o braço dela para que não caísse.
Os dois ficaram muito próximos.
Tão próximos que Daisy podia sentir a respiração dele.
Eles se olharam por alguns segundos.
O coração de Daisy começou a bater mais rápido.
Tisuki também ficou em silêncio.
Por um momento…
Parecia que os dois iam se beijar.
Mas de repente—
— Interessante.
Uma voz fria ecoou pelo jardim.
Os dois se afastaram imediatamente.
No alto da escada estava General Kael.
Ele observava a cena com um sorriso estranho.
— O rei treinando uma fada.
Ele começou a descer as escadas lentamente.
— Isso está ficando cada vez mais curioso.
Daisy não gostou do olhar dele.
Kael parou diante deles.
— Na verdade… eu estava procurando você, fada.
Tisuki franziu a testa.
— Por quê?
Kael respondeu calmamente:
— Encontramos algo estranho na floresta perto do castelo.
Ele olhou diretamente para Daisy.
— Algo que talvez tenha relação com o ataque que você sofreu.
Daisy ficou surpresa.
— Sério?
— Sim.
Kael abriu um pequeno sorriso.
— Talvez você devesse vir comigo ver.
Tisuki ficou em silêncio por um momento.
Algo naquilo parecia… errado.
Mas Daisy já estava curiosa.
— Talvez seja uma pista…
Sem perceber…
Kael estava colocando sua armadilha em ação.
Capítulo 13 — A Armadilha na Floresta
A floresta perto do castelo estava estranhamente silenciosa.
As árvores altas bloqueavam grande parte da luz do céu, deixando o caminho escuro e frio.
General Kael caminhava na frente, enquanto Daisy o seguia alguns passos atrás.
— Tem certeza que foi por aqui? — Daisy perguntou.
Kael respondeu sem olhar para trás.
— Sim. Encontramos marcas estranhas nesta área.
Daisy olhava ao redor.
A floresta parecia… estranha.
Quase vazia.
— Eu não vejo nada…
Kael parou de repente.
— Estranho…
Ele apontou para frente.
— Talvez seja mais à frente.
Daisy deu mais alguns passos.
Mas naquele momento…
Ela ouviu um som.
CRACK.
Um galho quebrando.
Daisy virou rapidamente.
— Quem está aí?
O silêncio respondeu.
Então…
Sombras começaram a se mover entre as árvores.
Criaturas surgiram da escuridão.
Eram grandes, com corpos deformados e olhos brilhando no escuro.
Daisy reconheceu imediatamente.
— E-essas criaturas…!
Seu coração disparou.
— São as mesmas do meu pesadelo…
Ela virou para Kael.
— General, precisamos sair daqui—
Mas Kael não estava mais olhando para as criaturas.
Ele estava olhando para ela.
Com um sorriso frio.
— Sim… são exatamente essas criaturas.
Daisy congelou.
— Você…
Kael deu um passo para trás.
— Eu só precisava de uma coisa.
— Provar que você é um perigo para o reino.
Os monstros começaram a se aproximar.
Daisy entendeu naquele instante.
— Você… me trouxe aqui de propósito…
Kael virou as costas.
— Se sobreviver… talvez eu esteja errado.
E então ele simplesmente foi embora, desaparecendo entre as árvores.
Daisy ficou sozinha.
Cercada pelas criaturas.
Ela respirou fundo.
— Ótimo…
Uma das criaturas avançou primeiro.
ROAAAR!
Daisy levantou a espada.
— Eu não vou fugir!
A criatura atacou.
CLANG!
Daisy bloqueou com dificuldade.
A força da criatura a empurrou para trás.
Outra veio pelo lado.
Ela desviou por pouco.
— Eu preciso pensar!
Ela tentou usar sua magia.
Pequenas luzes lunares apareceram ao redor dela.
— Vamos!
Ela lançou um ataque de luz.
A explosão empurrou uma das criaturas para trás.
Mas havia muitas.
Uma delas saltou por cima dela.
As garras acertaram sua asa.
— AAH!
Daisy caiu no chão.
A dor foi imediata.
Sua asa fez um som seco.
Algo tinha quebrado.
— N-não…
Ela tentou se levantar.
Mas outra criatura a empurrou contra uma árvore.
Sua visão começou a ficar turva.
Ela tentou levantar a espada mais uma vez…
Mas seu corpo não tinha mais força.
A última coisa que viu foi a sombra da criatura se aproximando.
Então…
escuridão.
No castelo
Enquanto isso…
Tisuki estava no salão do trono.
Algo não parecia certo.
Ele estava inquieto.
— Onde está Daisy?
Um guarda respondeu:
— Ela saiu com o General Kael, meu rei.
O olhar de Tisuki mudou imediatamente.
— Para onde?
— A floresta do norte.
O silêncio caiu no salão.
Então Tisuki se levantou rapidamente.
Sua aura ficou pesada.
— Preparem meu cavalo.
Ele já tinha entendido.
— Isso foi uma armadilha.
Na floresta
A noite já havia caído.
O vento passava entre as árvores.
Tisuki chegou rapidamente ao local.
Ele parou quando viu o cenário.
Árvores quebradas.
Marcas de luta no chão.
Sangue.
Seu coração apertou.
— Daisy…?
Ele correu mais para dentro da clareira.
Então viu.
No chão da floresta…
Daisy estava caída.
Imóvel.
Seu corpo tinha vários ferimentos.
Sua espada estava caída alguns metros longe.
Tisuki se ajoelhou imediatamente ao lado dela.
— Daisy!
Ele levantou levemente o corpo dela.
Ela não respondeu.
Foi então que ele viu.
A asa dela.
Estava quebrada.
As delicadas estruturas da asa estavam danificadas.
Aquilo significava apenas uma coisa.
Ela não poderia mais voar.
O olhar de Tisuki escureceu.
— Kael…
Ele apertou os punhos.
Mas naquele momento sua atenção voltou para Daisy.
Ela ainda respirava.
Fraca… mas viva.
Ele a segurou com cuidado.
— Você lutou sozinha…
Sua voz ficou baixa.
— Fada teimosa.
Então ele se levantou, carregando Daisy nos braços.
— Eu não vou deixar você morrer.
E começou a correr de volta para o castelo.
Mas dentro dele…
A raiva contra Kael estava crescendo.
Capítulo 14 — Asas Quebradas
A luz da manhã entrava lentamente pela janela do quarto.
O quarto estava silencioso.
Sobre a cama, Daisy começou a se mover.
Seus olhos se abriram devagar.
— Hm…
Sua cabeça ainda doía.
Ela olhou ao redor do quarto.
— Eu… estou no castelo?
A memória voltou de repente.
A floresta.
As criaturas.
A armadilha.
— Kael…
Ela tentou se levantar.
Mas assim que mexeu o corpo…
uma dor forte atravessou suas costas.
— AAH!
Ela levou a mão para as asas.
E então percebeu algo.
Uma delas estava fortemente enfaixada.
Daisy congelou.
— N-não…
Com cuidado, ela tocou a asa machucada.
Mesmo com as bandagens, dava para sentir.
A estrutura estava diferente.
Frágil.
Quebrada.
Os olhos dela começaram a tremer.
— Não…
A voz dela ficou baixa.
— Não… não… não…
As lágrimas começaram a cair.
— Eu não posso…
Ela apertou os lençóis da cama.
— Eu… não posso mais voar…
Para uma fada…
Voar não era apenas algo físico.
Era parte da própria existência.
Daisy começou a chorar.
— Minhas asas…
Enquanto isso — no salão do castelo
A atmosfera estava pesada.
Tisuki estava parado no centro do salão do trono.
Sua expressão estava completamente diferente.
Fria.
Sombria.
Diante dele estava General Kael.
Calmo… como sempre.
— Você voltou mais cedo da floresta, meu rei.
Tisuki deu um passo à frente.
Sua aura começou a ficar pesada.
— Você a levou para uma armadilha.
Kael respondeu calmamente:
— Eu apenas mostrei a verdade.
— A verdade?
— Uma fada atraiu monstros para perto do castelo.
Tisuki apertou o punho.
— Você quase matou ela.
Kael respondeu sem emoção:
— Ela sobreviveu.
— Isso prova que talvez ela seja forte.
Por um momento…
O silêncio dominou o salão.
Então Tisuki falou novamente.
Sua voz estava cheia de raiva.
— A asa dela está quebrada.
Alguns demônios no salão ficaram surpresos.
Kael apenas olhou para ele.
— Lamento ouvir isso.
Essas palavras foram suficientes.
A energia sombria de Tisuki explodiu pelo salão.
— MENTIROSO.
Em um instante…
Ele puxou a espada.
CLANG!
Kael bloqueou o ataque com a própria lâmina.
A força do impacto ecoou pelo salão.
— Então é assim que o rei resolve as coisas? — Kael disse.
Tisuki respondeu com frieza.
— Você traiu meu comando.
Os dois começaram a lutar.
CLANG! CLANG!
Espadas colidiam com força.
Faíscas voavam pelo salão.
Kael era extremamente habilidoso.
Mas Tisuki lutava com raiva verdadeira.
Cada golpe era mais pesado que o anterior.
— Você está deixando suas emoções controlarem sua espada — Kael disse.
Tisuki atacou novamente.
BOOM!
O impacto quebrou parte do chão.
— Você atacou alguém sob minha proteção.
Kael sorriu levemente.
— Uma fada…
Ele desviou de outro golpe.
— Interessante ver o rei se importar tanto com uma criatura dessas.
O olhar de Tisuki ficou ainda mais sombrio.
— Cuidado com suas palavras.
Os dois trocaram golpes novamente.
O salão inteiro observava em silêncio.
Mas naquele momento…
Uma voz fraca ecoou da entrada.
— Parem…
Todos olharam.
Daisy estava ali.
Ela estava apoiada na parede.
Ainda fraca.
As asas enfaixadas.
Tisuki congelou imediatamente.
— Daisy?
Ela respirava com dificuldade.
— Parem de lutar…
O olhar dela estava triste.
— Isso não vai consertar minhas asas…
O salão ficou completamente em silêncio.
E Tisuki lentamente abaixou a espada.
Capítulo 15 — A Promessa
Depois da luta no salão do castelo, tudo ficou mais silencioso.
Os dias passaram.
Mas o clima no castelo havia mudado.
No quarto perto da torre mais alta, Daisy estava sentada na janela.
Ela olhava o céu.
As nuvens passavam lentamente… e alguns pássaros voavam livres.
Ela apertou levemente as mãos.
Seus olhos estavam tristes.
Desde o ataque na floresta, ela quase não saía do quarto.
Suas asas ainda estavam enfaixadas.
E mesmo quando tentava mexer nelas…
A dor aparecia.
— Eu nunca mais vou voar…
Ela murmurou.
Para uma fada, voar era parte de quem ela era.
Sem isso…
Ela sentia como se tivesse perdido algo muito importante.
Uma lágrima escorreu pelo rosto dela.
— Eu sou uma fada inútil agora…
A porta do quarto se abriu devagar.
Tisuki entrou.
Ele já tinha percebido que Daisy estava diferente.
Ela quase não sorria mais.
Quase não falava.
Ele caminhou até perto da janela.
— Você ainda está pensando nisso?
Daisy não olhou para ele.
— Não tem como eu não pensar…
Ela apertou o tecido do vestido.
— Minhas asas estão quebradas.
O silêncio ficou pesado.
Então Tisuki falou.
— Eu vou encontrar uma forma de curar.
Daisy balançou a cabeça.
— Não existe.
— Existe.
Ela finalmente olhou para ele.
— Não existe!
A voz dela saiu mais forte do que ela queria.
— Se uma asa de fada quebra… ela nunca volta ao normal.
Ela respirou fundo.
— Eu nunca mais vou voar.
Tisuki ficou olhando para ela por alguns segundos.
Então ele falou com calma.
— Então vamos encontrar alguém que prove que você está errada.
Daisy piscou.
— O quê?
Ele cruzou os braços.
— Vamos sair do reino.
— O quê?!
— Vamos até o reino das fadas.
Daisy ficou completamente surpresa.
— Você está louco?!
— Provavelmente.
Ele respondeu calmamente.
— Mas as fadas conhecem melhor suas próprias asas.
Ela ficou em silêncio.
— Talvez alguém lá saiba curar.
Daisy hesitou.
— Mas… você é um demônio.
— Eu sei.
— O reino das fadas não gosta de demônios.
— Eu sei disso também.
Ele olhou diretamente para ela.
— Mesmo assim eu vou.
Daisy sentiu o coração bater mais forte.
— Por quê?
Ele respondeu simplesmente:
— Porque eu prometi.
O silêncio ficou no quarto por alguns segundos.
Daisy abaixou o olhar.
Ela ainda estava triste…
Mas pela primeira vez desde o acidente…
Uma pequena esperança apareceu.
— Você é muito teimoso…
Tisuki respondeu:
— Você também.
Ele virou para a porta.
— Partimos amanhã.
Daisy piscou.
— Amanhã?!
— Sim.
Ele olhou para ela mais uma vez.
— Prepare-se para viajar, fada da lua.
Depois disso ele saiu do quarto.
Daisy ficou olhando o céu novamente.
Mas desta vez…
Ela não parecia tão perdida.
Ela tocou levemente suas asas enfaixadas.
— O reino das fadas…
Uma nova jornada estava começando.
Continua...