Eu me chamo Carolina, tenho quinze anos, e devido a alguns problemas familiares do passado, moro sozinha, digo, com meu gato. Minha pequena casa se localiza no quintal da senhora para quem eu trabalho, ela jamais me contou seu nome, tem medo de eu mal dizê-la.
Tenho uma vida aleatória, não planejada. E sou basicamente rejeitada por tudo e por todos.
Numa manhã, percorri o bosque de minha alma, um lugar de conforto para mim. Pisei numas pedras e galhos que emitiam sons gostosos.
Quando tentei abrir meus olhos, não consegui. Me esforcei de novo, mas ainda estava no bosque e não conseguia sair de lá.
" Se o bosque me quer, me alimente, se o bosque não me quer, me deixe sair", disse.
Uma maçã apareceu atrás de mim. O bosque queria que eu ficasse. Mas fiquei com medo, eram só árvores e… mais nada.
Finalmente eu poderia viver sem dor na Terra. Poderia enfim viver em paz, num bosque onde ninguém julga. É isso, vou construir minha casa e morar dentro de minha mente.
( Naquele dia, Carolina tinha sido rebaixada pelos amigos, descartada como lixo da vida deles. Sua tolerância havia se ausentado. E a senhora sem nome foi chamá-la na casa dela. O que achou foi Carolina com o pulso cortado profundamente).
(O bosque foi sua salvação, mas teve um preço, o de sua vida. O poder de Caroline era a tolerância, mas sem ele ela não conseguia ver sentido para sua vida).