No topo do prédio observando atentamente quem está chegando nessa fábrica abandonada. Estou a um passo de enfrentar o chefe da Máfia Chinesa que está ferrando com São Paulo. Como Vigilante, eu preciso proteger a cidade. A minha cidade.
Ganhei meus poderes há oito meses. Consigo enxergar através das paredes e ouvir sons a longos metros de distância. Fui parte do teste de merda do governo e conseguir fugir daquela clínica. Não quero falar disso, não gosto desse assunto, preciso focar nessa missão.
Escuto sons de vans se aproximando da fábrica. São três vans, eles param ao mesmo tempo de frente a fábrica abandonada. Vejo o que há dentro desses veículos, drogas e armas prontos para serem vendidas. O China chegou, consigo ver ele saindo da van com dois homens protegendo ele. Desgraçado. Jovens e crianças morrendo e se destruindo por causa dessa droga.
Cada homem entra na fábrica. E vejo mais carros chegando, que merda, não esperava por isso. É o chefe do CCS, notei logo de cara quando saiu do carro. O que será que tão planejando? Agora tem mais homens para apagar caso queira enfrentar o China. O chefe do CCS entra na fábrica acompanhado com vários homens armados. Preciso saber o que tão planejando. Me concentro e aqui de cima consigo ouvir com mais atenção a conversa do China com do CCS.
– Essa cidade é uma das maiores do mundo Rodrigo, o lucro vem mais fácil, mas é preciso confiança para continuar os negócios. — O china, provavelmente fumando seu cigarro, dirige palavras para alguém.
– A cidade sempre pertenceu ao CSS, você fala de confiança mas não transmite isso. Temos policiais na nossa folha de pagamento, temos políticos, vocês tem o quê? De fato, você é um homem poderoso e de influência aqui, mas não tem voz. — É a voz do outro chefe, do CSS, parecem que tão tendo uma franca conversa sobre o negócio deles.
– Você é apenas uma criança meu jovem rapaz. Tudo se trata se negócio, e se não for sucedido, simplesmente encerramos o acordo, simples assim.
– Olha aqui... — Escuto um tiro, e foi na cabeça como deu pra ouvir aqui. Que merda, o ele morto o china pode ficar mais poderoso ainda no crime. Permaneço tentando ouvir algo.
– Tire o corpo dele daqui e limpem esse sangue, diz que ele deu cabo a sua própria vida. — Escuto ele se retirando da sala e uns homens correndo para limpar. Não houve tiroteio, os homens do chefe do CSS estavam já comprados pelo china, aqui só foi uma emboscada. Está na hora de eu agir.
Coloco o meu fone de ouvido, escolho a banda Wu Tang Clan e na música "7 Th Chamber - Part 2" ela é perfeita, consigo me concentrar melhor ouvindo música.
Entro dentro da fábrica. Uso o meu poder e enxergo que nessa sala tem quatro homens armados. Escondido, eu pulo em cima de um sem os outros verem e finalizo com primeiro soco no rosto. Agora só tem três. Pulo em cima de um contêiner e eles não notam que seu colega sumiu. Porém, um homem desconfia e se aproxima de onde estava o seu amigo. Avanço em cima dele em silêncio com um chute na cara dele. Pronto, menos dois.
– Pedro e Edu? — Um dos homens pergunta – Cês tão aí ? — Continuou falando. Eu me escondo atrás de um caminhão que está aqui dentro.
– Acho que eles foram tomar um café — Disse o outro homem, que está sentado fumando seu cigarro.
– Ou foram dá uma ch#pada um no outro né — Eles dão risadas da piada. Idiotas. Eu dou a volta do caminhão e consigo ter um espaço mais amplo para atacar eles. Pulo em cima de um mas me atrapalho. Que droga, fui avistado.
– Quem é você porr#? — Os dois caras apontam a arma mim.
– Eu sou o Vigilante — Eles começam atirar em minha direção mas consigo correr mais rápido me escondendo. Andando nas sombras, eles me caçam como predadores. E no escuro que esse sala proporciona, consigo dar um chute em um deles. Usando minha agilidade eu desarmo e atiro na perna do outro cara, e finalizo o cara que roubei a arma quebrando seus braços. O seu grito é endurecedor e o outro se agoniza no chão com sangue espalhando na sala.
– Seu des...graça ...do... — Me aproximo dele andando em sua direção, fico em cima dele.
– Porque o seu chefe foi morto pelo china? — Ele não responde
– FALA — O outro cara com braço deslocado não para de gritar de dor. Tô me irritando e perdendo a paciência. Eu pego o revólver desse cara e dois três atiro no outro com braço deslocado. Pronto, tá morto.
– Você... Você matou ele..
–ME DIZ ME FALA PORQUE O CHINA MATOU SEU CHEFE — Ele da risada da minha cara. Eu soco a perna dele que foi atingida pela bala. Ele grita muito de dor, mas tampo a boca dele.
– Não grita cacete, não grita. Me fala o que tá acontecendo e deixo você viver por alguns anos. — Seus olhos ficam arregalados, e confirma a cabeça com sim.
– É... tudo coisa de político ... A merda é mais funda que você pensa parceiro. Você é um soldado só numa guerra de cem homens... — Ele começa a da risada, e atiro na cabeça dele. Me irritou demais já.
Então essa merda toda envolve política? Já é o esperado.
– Então você está me procurando? — É ele, viro o meu corpo e ele está parado na minha frente.
– Pessoas como você tem sido uma pedra do meu sapato. Mas até que são úteis quando são direcionados ao propósito correto. — Ele se aproxima de mim, dou uns passos para trás.
– Que foi? Não quer me prender e levar para a polícia? Pode levar — Ele estende seus braços como se eu fosse prender ele. Com aquele sorriso debochado em seus rosto, isso me enche de fúria. E eu só consigo ficar em silêncio.
– A cidade não tem pertence a você — Consigo dizer minhas primeiras palavras a ele.
– A claro, com certeza não, ainda. — Ele estrala os dedos e vários homens saem de portas e salas. Um exército deles.
– Então boa sorte meu jovem — Ele se retira e fico sozinho nesse galpão com vários homens. Preciso me concentrar...
Todos começam atirar em minha direção, eu uso uma corda que se prende ao teto do galpão e fico na parte escura escondido para eles não me verem. Merda, um tiro de raspão. Preciso voltar e usar a minha agilidade com inteligência e mais rápido possível. Eles ficam me procurando e atirando em mim.
Volto pro chão, e derrubo torres caras ao mesmo tempo. Roubo a arma de um deles e atiro na cabeça de um dos homens. Luto contra um cara, ele sabe lutar muito bem, ele desvia de uns socos meus, e soca minha barriga, mas me recupero e golpeio o queixo dele com força, que o faz derrubar na hora. e corro rapidamente para não ser atingido pelas balas.
Não queria matar, mas essa noite é preciso. Passei a linha de ser um herói, sei disso.
Eu saio das sombras e derrubo mais homens armados, mas as balas e os socos que recebo me fragiliza cada vez mais. Eu não uso uniforme muito resistente. O sangue ganha espaço por todo o meu corpo. E sobra somente eu em pé. Todos os caras caídos, mortos ou desarcodados. Estou muito cansado.
Subo as escadas cambaleando e chego na sala do china. Ele está em pé olhando um velho quadro na sala.
– Parabéns, sozinho conseguiu derrubar os meus homens e também do meu amigo que infelizmente descansa em paz. Você ainda continua lutando. Porque? O que essa cidade deu a você a não ser se torna um experimento para ser uma arma biológica. Um poder interessante, consegue enxergar através das paredes. Uau. Um presente de Deus. — Me assusta um pouco saber que ele sabe de muita coisa.
– Ficaria surpreso porque sabe de tanta coisa de mim.
– Ah sei, inclusive sei que tá meses me seguindo. — Ele se vira e olha para mim, segurando um copo de whisky.
– Você ver o futuro não é? — Digo sem hesitar
– Você é bem esperto garoto. Inclusive vi esse momento.
– Você foi um experimento?
– Eu diria que sim, mas porque eu quis. Um homem precisa se precaver meu caro herói. Tenho família, e eles vivem por causa do meu dinheiro..
– Dinheiro sujo.
– Dinheiro suado, é trabalho — Ele retruca.
– Isso precisa acabar, logo.
– Pode vir, mas sempre terá um outro para assumir o meu lugar. O lugar do chefe do CSS... Isso não terá fim... — Eu apenas sinto raiva, somente isso
– Mas você morto será um aviso. — Avanço pra cima dele. Ele se desvia e me derruba. E me chuta. uma duas vezes .... Eu estou fraco ainda, mas me recuperando e me levanto. Vou dar um soco nele, mas ele segura meu braço.
– Eu sei de tudo garoto, cada passo, cada golpe, cada soco, eu sei de tudo — Eu não consigo aceitar isso, eu tento outro golpe e ele me derruba de novo.
– Você está fraco garoto, é covardia um homem lutar com um outro em desvantagem.
– Cala a boca seu p#u pequeno — Me levanto com dificuldade e fico em pé me apoiando na parede.
Escuto ele sacando sua arma e colocando as balas. Eu tiro força de onde não tenho e avanço novamente pra cima dele e consigo derrubar.
– Viu isso seu merda — Digo isso... E eu, com muita fúria, soco o rosto dele muitas vezes. Eu grito de muita raiva, de tudo que passei durante minha vida, todo ódio que carrego dentro de mim eu desconto nele. Que agora esta com rosto todo desconfigurado.
– Talvez seu poderzinho esteja desgastado seu merda.... — Eu caio totalmente exausto no chão... Se isso fosse um filme ou uma hq de super heróis, essa história seria uma merda. Eu me levanto, pego a arma dele.
– Vo...cê... não... pode..rá... vencer... Sim... Meu poder.... fraco...você.... morrerá..— Atiro na cara dele e jogo a arma no chão.
Eu sei que ultrapassei as linhas de ser um herói, mas eu precisava deixar minha marca, eu sou o Vigilante, preciso deixar marcas. Não queria ser um justiceiro ou algo do tipo, mas há homens que tem que morrer. A minha história não é nada interessante, essa noite é apenas mais uma na vida de um herói urbano. As coisas foram rápidas mas precisas. E eu sou que sou apenas uma gota lutando contra o oceano, mas enquanto eu estiver vivo, eu lutarei e matarei se for preciso. O bom é que há outros como eu por aí, lutando e lutando, então não estou sozinho. Eu deixo o local com corpo todo ensanguentado do china... e vou embora pra minha casa.
FIM