Lá estava eu, dentro da água, encostado na parede da piscina. Junto à garota dos meus sonhos, sentada ao meu lado na beirada da piscina. Ela estava sorrindo e rindo de alguma coisa enquanto me olhava para mim, e eu lembro de me sentir encantado com tanta beleza. Seu nome era Anna, uma bela garota com cabelos castanhos com um tom dourado e lindos olhos cor de amêndoa.
Saímos da piscina e nos enrolamos nas toalhas, então seguimos em direção ao velho banco de madeira do jardim. Sentamos lá, ficando em silêncio por alguns minutos. Não era aquele típico silencio constrangedor, só estávamos aproveitando a companhia um do outro. Só estávamos nos amando em silencio.
- Você sabe que eu te amo muito, não é? - Ela realmente parecia estar sendo sincera, porque falava em um tom calmo e sério. Naquele momento, ela olhou para todos os lugares possíveis para não ter que olhar o meu rosto, provavelmente envergonhada.
E ao ouvir aquilo, meu coração deu um pulo dentro do meu peito, e eu não pude evitar um sorriso no canto da boca. Aquilo significou muito para mim.
- Eu também te amo, Anna. - Eu de fato a amava. Eu a amava perdidamente.
Ela se levantou e foi na direção de nossos amigos, e percebi um sorriso em seu rosto. Eu estava tão, tão feliz! Ela me amava, e isso mudou o rumor da minha vida. Literalmente.
Um tempo depois, nós entramos na casa para começar a maratona de filmes. Mas eu me lembrei que havia deixado o meu celular lá fora, então voltei à piscina para busca-lo.
No momento em que cheguei à área da piscina, senti uma forte falta de ar, como se não existisse mais oxigênio. Anna, a garota por quem fui tão apaixonado, estava com os lábios que tanto desejei beijar, na boca de um rapaz que não fui capaz de reconhecer.
Por conta do desespero e a surpresa, recuei um passo para trás e caí na água gelada da piscina. Senti uma forte pancada em minha cabeça e tudo começou a escurecer e, a ultima coisa que ouvi foi a doce voz de minha amada, gritando o meu nome.
Abri os olhos e vi que eu não estava mais naquela piscina e sim no mar. Obviamente era só uma ilusão, mas parecia tão real. Algas marinhas enrolaram-se em meus braços e pernas, impedindo-me de voltar a superfície. Eu não tinha forças para soltar-me delas, eu nem sequer conseguia me mexer. Era como se o meu corpo não respondesse mais à minha mente. Eu só afundava no meio daquele mar profundo e escuro.
Minha última lembrança foi a visão de minha amada com outra pessoa, que um dia esperei e desejei ser eu.
Tudo ficou preto.