O amor de mãe as vezes é complicado, tem dias que o amor machuca, fere, rasga a alma, como filha eu ja me decepcionei muitas vezes com minha mãe, mas foi tudo por amá-la demais. Ciúmes, esse foi o sentimento catalizador pra tanta dor, mas eu perdoei e me perdoei, por que o amor é assim, o amor de verdade perdoa, cura e nao existe amor igual ao de mãe, acho que é o verdadeiro amor e mais forte amor.
Meu conto começa aos 8 anos de idade, 1 semana antes do dias das mães, na terceira serie do ensino fudamental, minha professora e meus colegas ensaiavam uma apresentação na sexta feira para todas as mães, durante a semana só passava uma coisa na minha cabeça, se minha mãe não ia nas reuniões, como ela poderia ir na apresentação e foi aquela angústia a semana toda em meu pequeno coração.
A semana passou e eu ja tinha a certeza que ela não iria, mas meu coração teimoso insistiu que ela poderia aparecer do nada e então chegou o grande dia, a quadra da minha escola lotada, várias apresentações e finalmente a minha chegou, meus amiguinhos apontando as mães, jogando beijos, e eu procurando a minha, eu ja estava conformada e fingia que ela tava ali, mas por dentro, no fundinho meu coração doeu, procurei e procurei e nada.
Sim, ela não pode ir, gostaria de negar e dizer que estava tudo bem, mas, não estava, eu não me sentia amada e até desejei que minha mãe fosse igual a outras mães. Por esta pespectiva, concluí-se que eu não era amada ou até deixada de lado, esse sentimento era o que carreguei comigo por longos 10 anos.
No meu aniversario de 18 anos, eu me permitir viver uma loucura que não irei descrever aqui, mas nesta altura o meu relacionamento com minha mãe ja havia melhorado, pois, confesso que na fase dos 13 a 15 eu me revoltei e fiz muitas coisas que a magoou apenas para chamar atenção. Uma curiosidade para quem cresce se sentindo assim, é que a gente se mima, a gente se ama e é na dor, na raiva, que apredemos a ser forte, a ser confiante e traçamos planos inemagináveis e neles incluem uma familia de verdade que seja boa aos nossos olhos. Então no meu aniversario ja maior de idade eu resolvi que iria arrumar um emprego e morar sozinha e foi ai meus caros leitores e amigos que minha odisseia de amor de Mãe começou.
Quando finalmente consegui meu primeiro emprego conheci um rapaz e não vou dizer que foi amor, foi apenas um carinho que eu pensava não ter recebido me convenceu a namorá-lo, no começo tudo foi incrivel, ele era muito bom pra mim, estava estavel, trabalhava e tudo fluia, fui me afastando da minha familia ate o ponto da minha sogra me criticar por nao visitar mais eles, mas eu estava na plenitude, ate eu perder meu emprego.
Amor e dinheiro anda junto, infelizmente, e quando o dinheiro foi acabando, foi acabando o amor, as necessidades e dificuldades apareceu, eu ja desesperada comecei a ficar sem saber o que fazer, mas usei minha força e corrir atrás de melhorar minha vida.
Divorciada, sem dinheiro, aos 22 anos em um dia de muita tristeza eu refleti sobre o relato acima e com toda maturidade do mundo conclui, que eu era e sou amada sim, pois, minha mãe não fora naquele dia na apresentação, mas ela estava no trabalho fazendo faxina para poder me alimentar, me vestir, entendi que as vezes eu como mãe poderia machucar meu filho com escolhas que não seria boa aos olhos dele, mas, que quando ele crescesse e entendesse veria que foi para o melhor.
Com esse relato gostaria de dizer a minha mãe, obrigada por amar, por me cuidar, por ter feito escolhas talvez nem 100% boas, mas pensando em mim e minha irmã. Dizer desde aquele dia a senhora me tem nas mãos e nada do que eu faça podera retribuir e eu não tinha que ter perdoar de nada, pois, a senhora não fez nada alem de me amar demais.
Te amo Mãe - Marluce
Lorrayne ❤