Antes de começar esse pequeno resumo da mulher mais incrível que se faz presente em meu coração, irei me apresentar. Sou Wéverton, tenho 23 anos, e quando falo da minha mãe, procuro sempre as melhores referências possíveis, porque igualar ela a algo é fácil, difícil seria esse algo ser o que ela foi.
Aos vinte seis dias de junho de mil novecentos e setenta e sete, nascia Ana Cristina. No pequeno município de Mesquita, que até então era um bairro de Nova Iguaçu. Filha de Jesus Antônio e Maria Conceição, Maria Conceição filha de portugueses e seu pai Jesus de uma linhagem mineira. Ana Cristina só mais uma de seus 9 filhos.
Com 15 anos, Ana Cristina conhece seu primeiro e único namorado chamado Márcio Silva, Márcio com seus 22 anos de apaixonou por aquela garota da cor do pecado. Se casaram em 1997 e em 1998 nascem seu primeiro filho, Wéverton Caetano. Pais de primeira viagem até que os dois se saíram bem, quatro anos depois nasce o segundo filho, Wellerson. O nascimento do meu irmão ocorreu em um cenário um pouco caótico, logo após esse ocorrido meu pai perdeu o emprego. Desempregado e com 2 filhos pequenos, passamos por algumas turbulências, meu pai corria atrás de empregos e minha mãe fazia algumas artes artesanais, limpava casas e passava roupas por fora para ganhar 50 reais. E assim foi a luta, até que em 2007 uma chuva intensa cai, e a água invade nossa casa e faz um estrago enorme. Depois de perdermos quase todos os móveis e meu pai desempregado, os dois correm atrás e conseguem comprar alguns móveis perdidos. Em 2013 (um dos anos que declaro ser horríveis em minha vida) minha mãe contrai uma doença chamada Lúpus, que é uma doença crônica sem cura, que só com tratamento para manter sua vida. Minha mãe passou 6 anos sendo enganada pelos médicos, pois até eles achavam que se tratava de outra doença. No sétimo ano descobre que era Lúpus, mas já era tarde pois os remédios que tomava antigamente acabaram com seus rins, fígado e coração. Em maio de 2020, cinco dias depois do meu aniversário ela é internada, debilitada de se locomover ela fica numa cama sentindo dores 24 horas por dia. No dia 22 de Junho de 2020, recebo a pior notícia da minha vida, a mulher que me ensinou a viver falece.
A morte abateu muita gente, pois ela era muito querida por todos. Onde passava levava alegria, e as crianças adoravam ela, além de me afetar muito pois os maiores tempos dos meus dias era ao lado dela ajudando no dia a dia, acredito que o mais afetado foi meu Irmão. Meu irmão sempre foi uma pessoa complicada, sempre valorizou muito as amizades e não vivia muitos momentos com a família e principalmente minha mãe. E antes de minha mãe morrer, ela segurou firme a mão dele e dizia que o amava. E logo após essa fala o seu aparelho do coração parou e retiraram ele da sala. O sentimento do meu irmão, acredito que seja de muito arrependimento, pois ele tinha diversas chances de estar todos os dias com ela, mas colocou sempre os amigos em prioridade.
Um conselho que deixo para vocês, jamais troquem seu pai ou sua mãe pelos amigos. Seus maiores amigos sempre serão seus pais, são eles que estarão nos seus momentos de alegria, tristeza, doença e por aí vai. O amor de uma mãe acredito que é até maior que de um pai, pois ela já cria um amor enorme pela criança desde seu ventre, o que ela sente a criança sente, se a criança está com fome a mãe também estará. O amor de mãe poderia sem dúvidas ser comparado com a de Jesus Cristo, eu não duvidaria que uma mãe que realmente ama seu filho não daria a vida por ele. Minha mãe sempre fez tudo pelo meu irmão e eu, muita das vezes fomos ingênuos demais para não ter exaltado ela todas as vezes que se sacrificava. O que eu poderia retribuir era sempre dizer que a amava já que não poderia dar o que ela mais precisava, que era a saúde. Se eu pudesse voltar atrás, eu diria o quanto amo ela e o quanto ela faz falta na minha vida. Ela transpirava o amor de Deus, me dói lembrar todas as noites dela mal dormida porque sentia muita dor.
Toda vez que estou em momentos de angústia me vem na memória o dia do seu falecimento, da notícia que recebi. Me passa um filme na cabeça de tudo o que vivemos e isso acaba comigo. Talvez eu poderia ser um filho melhor, talvez a atenção que eu dava era pouca, eu só queria poder abraçar ela e chorar muito. Uma vez eu estava em meu trabalho e estava conversando com Deus. E disse que eu não tive a oportunidade de abraça-lá pela última vez, e ele me escutou. Quando fui dormir, olho para o lado da minha cama e vi minha mãe ao meu lado deitada. Eu sentia seu cheiro, quando a toquei senti sua textura, e eu chorando disse: "senti sua falta mãe" E abracei, mais abracei muito forte, ela me olhava mas não falava, até que acordei e acordava em lágrimas. Eu agradeço a Deus por ter me escutado e me dado a oportunidade de abraçar minha mãe.
Filhos amem seus pais como se fosse sempre o último dia da vida deles ou a de vocês. Eles podem ser chatos as vezes, mas procurem entender eles, pois eles sempre estão certos, sempre querem o melhor para os filhos. É muito difícil para uma mãe não poder dar o que o filho pede, eu sinto essa dor por ela sempre que lembro e me culpo por ter pedido. Se eu soubesse que meu maior presente sempre foi ela, nenhum presente material me encheria os olhos, minha vitória seria a cura dela.
Mães vocês são guerreiras, mulheres escolhidas por Deus para formarem mulheres e homens capacitados para a vida. Se tivesse prêmio Nobel para mães, todas elas ganhariam. Ser mãe é amar incondicionalmente uma pessoinha que quando fizer 13 ou 14 vai odiar os pais.
Meu recado para as mães é que nunca mudem, nunca deixem de ser vocês, e não se culpem pelas coisas que não podem fazer pelos seus filhos, bem lá na frente Deus vai recompensar seu esforço, e dará a seus filhos tudo que você não pode dar, sou exemplo vivo disso hoje.
E filhos, jovens, adolescentes ou crianças respeitem seus pais, escutem seus pais, abracem, digam que os amam todos os dias. Pois depois todos terão a lembrança do último abraço e do último beijo, e a saudade da pessoa que vocês nunca mais irão ver na vida é a pior coisa que existe.