Sou trigêmea, um de meus irmãos morreu no parto, segundo minha mãe nasci pesando 950 grs, era muito pequena , o médico disse a ela quando ela teve alta do hospital que teria que me deixar por uns dias no hospital, só meu irmão poderia sair com ela, mais ela não deixou, me levou para casa.
Ela disse que, eu cabia na palma da mão dela.
Todos falaram que eu não viveria, pois não tinha força nem para sugar o seio dela.
Ela tirava o leite materno e me alimentava com o conta gotas, e com o carinho dela e cuidado eu fui ganhando forças e consegui sobreviver, o que para muitos era impossível .
Nós éramos uma família muito humilde, morávamos em Minas gerais, como a situação deles lá era muito complicada, meu pai resolveu mudar aqui para Campinas SP, pois o sonho dele era que aqui pudesse dar uma vida melhor para nós.
Foi uma grande ilusão dele, pois viemos de Minas com algumas roupas , não trouxemos mais nada, chegando aqui meu pai alugou uma casa, compramos alguns móveis que o dinheiro deu para comprar e nos mudamos pois estávamos passando uns dias na casa de uns parentes da minha mãe, até conseguir alugar uma pequena casa.
Meu pai logo arrumou um serviço, mais o salário mal dava para o aluguel, chegamos a passar por
necessidades mesmo.
Uma vaga lembrança que eu tenho e de minha mãe,segurando na minha mão e do meu irmão e saindo para pedir comida para nós alimentar, pois dentro da minha casa não tinha nada para comer.
Uma senhora levou nos para o jardim da sua casa e deu um prato de comida para minha mãe nós alimentar, até hoje eu tenho aquele sabor daquela coisa na minha boca, eu com apenas quatro anos via minha mãe colocar uma colher na minha boca outra na do meu irmão, eu sabia que ela támbem estava com fome, mais só vi ela comendo uma colher daquela comida.
No dia de natal ela se sufocava para dar a nós nem que fosse uma boneca e um carrinho de plástico simples mais que ficávamos muito felizes.
Foram épocas muito difíceis, que passamos, mais com o pouco que tínhamos ainda assim fomos felizes.
Estes foram momentos que marcaram minha infância, depois na época da escola sempre com dificuldades, mais ela e meu pai sempre se esforçando para nós dar o melhor.
Minha adolescência, eu comecei a trabalhar com treze anos já registrada com carteira assinada, trabalhava durante o dia e estudava a noite, meu salário era muito bom na época, pois não tinha preguiça de trabalhar, ficava feliz quando me chamavam para fazer horas extras, trabalhava incansavelmente e no final do mês meu salário quase dobrava, o de tive o prazer de comprar móveis novos para minha casa, meu salário quase superava o do meu pai aí pude ajudar eles bastante.
Me casei com 18 anos, tive quatro filhos, fiquei viúva depois de 24 anos de casada, depois de 7 anos casei novamente e já estou casada a dez anos.
Recentemente passei por uma das piores dores que uma mãe pode passar, perdi um filho de 37 anos para o câncer.
Minha mãe sempre do meu lado me apoiando, meu pai veio a falecer aí eu trouxe minha mãe para morar comigo.
Hoje eu sou grato por tudo que conquistei, pois sei o que e passar dificuldades na vida.
Minha situação financeira hoje está bem melhor, eu agradeço a Deus sempre.
Todas estas dificuldades serviram de aprendizado, pois hoje com noventa e três anos minha mãezinha está com Euzhaimer, a quinze anos cuido dela, tenho mais três irmãos, uma irmã me dá muita força pois apesar de ser muito doente, todos os dias vem visitar ela e me ajuda pouco como ela consegue.
Meus outros dois irmãos difícilmente vem visita_la,
e muito difícil cuidar de pessoas com Euzhaimer e muito triste também, as vezes me estresso com ela pois ela apronta muita coisa errada,as vezes engracada mais logo passa, aí lembro de tudo que ela fez por mim.
Ela está indo embora devagar, o seu celebro vai morrendo aos poucos, já tem dificuldade para andar, comer e até falar.
Agora me sinto mãe dela, dou papinha na boca, troco as fraudas, as vezes escuto o chuveiro ligado na madrugada, ela levanta durante a noite liga chuveiro, torneiras e deixa abertos.
Um dia ela conseguiu, não sei como pegar minha chave abrir a porta e portão sair para rua, acordei com ela do lado de fora do portão brigando comigo pois estava com as chaves na mão dizendo que eu tinha trancado ela para fora.
Outro dia acordei com muita conversa na frente da minha casa, pois ela gosta de ficar na área em frente ao portão, como ela não me deixa dormir a noite direito, tirei um cochilo ela estava lá no portão pedindo socorro, pois achava que eu tinha morrido, o pessoal já iam arrombar o portão quando escutei e sai para fora.
Sei que me dá muito trabalho, não consigo mais ter uma vida social, pois não tem com quem deixar ela, mais amo minha mãe demais, e sou muito grata a ela por tudo que sou, enquanto Deus me der vida e saúde cuidarei dela com o maior carinho .
Feliz dia das mães para todas as mamãe, em especial para minha
Te amo ❤️❤️❤️ mãe, para sempre vou te amar.