Manu nunca imaginou que ali, na cidade que sonhou conhecer, viveria o maior dilema de sua vida; que estaria entre o desejo e a razão.
Manu estava feliz e eufórica porque iria realizar seu sonho de morar na cidade que nunca dorme: Nova York.
Seu marido recebera uma grande proposta para uma promoção. A empresa alocaram eles, temporariamente, em um pequeno prédio de apartamentos na West 88th Street, que fica entre a Broadway e o Central Park. Era daqueles prédios de tijolos marrons, à vista, que a gente vê em filmes; nada luxuoso, mas muito aconchegante.
Para ela não importava o lugar, desde que estivesse com seu amado esposo e naquela metrópole que sempre sonhou em conhecer.
Em uma manhã, assim que Mike, seu esposo, foi trabalhar, Manu saiu para fazer sua caminhada matinal às margens do lago Jacqueline Kennedy, no Central Park.
Ao retornar, a jovem decidiu comprar algumas coisas para o almoço em um mercado ali perto.
Chegando ao prédio, estava com dificuldade para abrir a porta por conta das sacolas. Foi quando ouviu uma voz grave e forte atrás de si:
— Deixe-me ajudá-la.
Manu virou-se assustada achando que seria um assalto, mas percebeu que não era nada disso. Contudo, sua voz falhou e suas pernas ficaram trêmulas; não por causa do susto, mas sim por conta do homem que estava ali à sua frente e dos olhos castanhos que estavam fixos nos dela.
— Me desculpe. Não queria assusta-la. Sou Peter Thomas, do número quatro — esclareceu com um sorriso encantador.
Peter morava no mesmo andar, enquanto, no andar de baixo, o térreo, o apartamento 1 era dos Jhonson, um casal de idosos e no 2 viviam os Stewart com a filhinha Kate.
Sabendo que se tratava de mais um vizinho, o único que ainda não tinha conhecido, deixou ele pegar as sacolas. Deixou ele passar por ela para abrir a porta, o que naquele momento sentiu o másculo perfume dele. Observou a habilidade dele em abrir a porta, mesmo com as mãos ocupadas. Deu passagem a ela, fechando a porta logo em seguida.
Subiram as escadas em silêncio. Ainda assim, ela sentia uma estranha perturbação por estar perto dele.
Ao chegarem em frente ao apartamento, Manu fez menção de pegar as sacolas, mas Peter recusou entregar antes dela abrir a porta.
Ela o encarou.
— Não se preocupe. Eu não vou entrar. Apenas pegue poucas sacolas por vez para não se machucar — disse solícito.
Um arrepio percorreu a espinha de Manu, pois era como se ele tivesse lido seus pensamentos. Ela destrancou a porta e carregou as sacolas.
Ao colocar a última sobre a mesa, voltou para agradecer, mas ele já não estava. Pensou em ir ao apartamento dele e agradecer, mas desistiu, pois o que ele pensaria de uma mulher casada batendo à porta de outro homem.
À noite durante o jantar, Manu contou ao marido o ocorrido.
— O Sr. Jhonson já havia me dito que o Sr. Thomas é muito educado e prestativo — falou normalmente.
— Você não ficou bravo ou com ciúmes?
— Não, amor — respondeu com um sorriso. — Ciúmes? Eu sei que você me ama. E além disso, se fosse eu, também ajudaria.
Manu se surpreendeu com aquela atitude. Achou que ele teria um ataque de ciúmes.
Na mesma noite trocaram brincadeiras carinhosas e tiveram uma deliciosa noite de amor.
...........
Alguns dias se passaram e ela não teve mais contado com Peter; não por falta de uma pequena vontade, mas porque seus horários eram diferentes.
Noutra manhã resolveu caminhar para outra direção. Seguiu a rua cruzando a Broadway até a praça do Monumento dos Soldados e Marinheiros, às margens do Rio Hudson.
Notou que haviam muitas pessoas, provavelmente turistas apreciando o ponto turístico.
Ao retornar, lembrou-se que a Sra. Jhonson havia dito que virando a esquina do quarteirão onde moravam, tem uma sorveteria com o melhor sorvete da cidade.
Dobrou a esquina para a Columbus Avenue e logo à frente encontrou o lugar. Entrou na Milk Bar e ficou deslumbrada. Além de aconchegante, era o paraíso para quem gosta de sorvetes.
Após muita dúvida, escolheu o seu: baunilha e morango com calda de pêssego. Na primeira provada, sentiu como se o paraíso tivesse descido à terra e estivesse saboreando o manjar dos deuses. Contudo, sua atenção foi roubada ao ver Peter entrando na sorveteria.
Seu corpo estremeceu e seu coração acelerou ao vê-lo com uma camiseta regata branca, bermuda e tênis. Deduziu que ele vinha de uma caminhada ou academia. Ele escolheu um sorvete e saiu sem notar a presença dela. Sentiu uma estranha vontade de segui-lo, mas se deteve.
"O que está acontecendo comigo? Sou casada, e muito bem casada com Mike!" Falava para si mesma para tentar dispersar os pensamentos que começavam a perturbar.
Assim que terminou o sorvete, foi para casa.
Em frente ao prédio, encontrou a Sra. Jhonson que cuidava de algumas flores do pequeno canteiro. A cumprimentou alegre e entrou.
Ao chegar no topo da escada, inconscientemente, como se uma força a chamasse, olhou para a porta do apartamento de Peter, que estava semi aberta. Havia conversa lá dentro. E de repente, o Sr. Jhonson saiu, dando de cara com ela, e logo atrás dele, Peter.
"Nossa!" Foi o que conseguiu pensar quando seu corpo todo estremeceu e sua intimidade deu sinal ao vislumbrar o tronco nu, forte, mas não exagerado, com a pele bronzeada ainda com gotículas de um banho recém tomado.
Estranhamente se sentia atraída, coisa que nunca tinha acontecido depois que conheceu Mike.
— Sra. Byant? — O homem mais velho a vez voltar a si. — Está tudo bem?
— S-sim, Sr. Jhonson — respondeu desviando o olhar da sua perdição para o senhor.
— Parecia tão distante.
— Não é nada. Sabe a gente fica quando tem coisas a resolver.
— Verdade, menina.
— Com licença — pediu e entrou rapidamente em seu apartamento.
Estava se sentindo confusa. Não conseguia entender como aquele homem conseguia mexer com ela daquela forma. E para não ficar pensando, resolveu cuidar dos afazeres domésticos, mas o celular tocou.
Era seu marido avisando que não poderia almoçar e casa por conta de uma importante reunião. Ela compreendera e disse que não via a hora de estar nos braços dele. Logo se despediram.
Manu fez algumas tarefas sempre procurando tirar Peter dos pensamentos quando ele surgia. Preparou uma pequena refeição. Comeu. Deitou no sofá e acabou pegando no sono.
Manuella acordou com um sobressalto e ofegante. Ela estava sonhando, mas não se lembrava com o que ou com quem. Só sentia seu corpo em ebulição. Então resolve ir tomar um banho frio para se recompor.
Seu corpo estava quente e excitado. A medida que se ensaboava, ficava ainda mais. Era como se pedisse por um toque. Deslizou a mão por sua pele acariciando alguns pontos sensíveis. Foi aí que recordou do sonho, onde mãos ávidas, grandes e fortes a tocavam. Havia sonhado com Peter.
Se sentiu culpada. Parou aquelas carícias antes que chegasse a um ponto sem volta e terminou o banho. Logo depois foi preparar o jantar para seu esposo.
Estava quase terminando o jantar e conversando com sua mãe quando Mike chegou. Ela se despediu dela e foi dar atenção a ele.
Com aquela recepção calorosa, o casal começou a trocar carícias apaixonadas. Mike sabia onde tocar em sua esposa para fazê-la sentir prazer; e ela também. Foi aí que ela sugeriu de tomar banho juntos. Pois assim ela achava que apagaria aquela chama.
***** CONTINUA *****
Saudações leitores!
Obrigado por lerem!
Resolvi dividir esse conto em mais partes para não ficar tão extenso e cansativo a leitura.
Espero que tenham gostado até aqui.
Fiquem à vontade para comentar e deixar sua opinião.