Meu nome é Jéssyca e venho contar um pedacinho da minha história... SIMBORA.
Tenho 14 anos, sou praticamente filha única, por que praticamente? Sou filha do terceiro casamento do meu pai e minha mãe, pode gerar só a mim, tenho irmãs e um irmão do outro casamento do meu pai, mas, não somos muito próximos. Como a caçula do meu pai e única que ele criou desde o nascimento a cobrança e “proteção” chega a sufocar, sempre fui estudiosa, a garota certinha, só que meu pai nunca soube se expressar, era tudo na base do grito, ameaça e muitas vezes um “corretivo”, isso me aproximava cada vez mais da minha mãe, eu tinha sim amigas, mas, apenas no colégio, pois eu não podia sair, shopping, cinema, essas coisas de adolescente... Nunca podia, pois eu iria virar uma vagabunda, com toda essa situação comecei a ter o que hoje sei um leve depressão, eu não sabia o que era e sempre que eu falava o que eu estava sentindo era visto como frescura, então eu me isolei, chorava todas as noites me sentia um patinho feio no mundo, porque todas minhas amigas já estavam namorando e eu? Tinha medo de chegar perto de algum menino, meu pai descobrir e me bater. Assim, tirando as minha amigas mais próximas no colégio, ninguém se aproximava da garota estranha, sim me tornei a garota estranha, comecei a ouvir músicas de rock e passar lápis nos olhos... eu lembro que não podia passar esmalte preto ou vermelho, meu pai falava que era coisa de puta, o que eu fazia? Passava corretivo na unha e o esmalte preto por cima, saindo de casa passava a aula assim, e na hora de ir embora ia no banheiro e tirava. Rsrsrsrs.
Eu já tinha perdido meu BV, mas não aceitei namorar eu tinha muito medo, até que um dia, conheci no ônibus que eu ia para a escola e voltava para um rapaz, assim que o vi me espantei...já ouviu falar em mediunidade, destino... pois é... quando tem que ser, não tem como fugir... Eu vinha sonhando com um moreno que tirava meu juízo nos sonhos, já havia 5 meses, sabe aquelas brincadeiras de escola de com quem vamos nos casar? Eu sempre colocava o garoto do sonho... e imagina minha surpresa quando dou de cara com ele dentro daquele ônibus? Isso me tirou o eixo fiquei desnorteada e contei para minha mãe, no dia seguinte ela foi até a escola comigo e ele estava lá novamente, ela disse que realmente ele era lindo e o bonito não parava de me encarar. Minha mãe não me proibiu de falar com ele, ou beijar ele, só pediu para que eu tomasse cuidado e não deixasse meu pai descobrir.
Alguns dias depois, ele veio falar comigo e ficamos, e ele passou a pegar o ônibus todo dia, eu não tinha celular então não tinha como ficar conversando com ele, era só naquele momento, lembra que eu disse que era muito estudiosa? Pois é eu ganhei uma vaga para fazer curso de francês, inglês e o pré-enem na faculdade federal da minha cidade e o então segunda e quarta eu tinha aula de inglês, terça, quinta e eu tinha aula do pré-enem e sábado eu tinha aula de francês só folgava sexta e domingo, eu saia da escola ia para casa de ônibus almoçava, tomava banho e ia para a faculdade fazer meus cursos, chegava exausta e ainda precisava fazer as tarefas de escola e cursinho, mas e daí eu dava conta, acho que por isso hoje faço muitas coisas ao mesmo tempo e assim surgiram brechas para que eu visse ele, a faculdade era longe de casa, mais de 1 hora de ônibus e ele morava perto da minha casa então tínhamos todo o trajeto para ficar juntos e nisso passaram 5 meses, sim a gente começou a namorar ele me deu aliança e tudo mais, aliança essa que eu não usava em casa de forma alguma.
Alguém me viu com meu moreno e foi logo contar a meu pai, quem advinha o que aconteceu? Apanhei é claro, lembro que minhas pernas ficaram marcadas por uma semana com as marcas do cinto do meu pai, com isso tentei terminar com meu moreno, mas, ele foi tão atencioso e carinhoso que eu ali acreditei que ele me amava de verdade e meu coração que era frágil devido a depressão escondida que eu passava, se entregou foi aí que tudo aconteceu... Comecei a descer meus muros e a entregar a ele meu coração a ele e assim nos aproximamos mais, começamos a ter mais cuidado, fiz 15 anos e meu pai me mudou de escola para ficar mais fácil para ele me vigiar, foda-se se a escola que eu estudava era vista como uma das 3 melhores no ensino médio, a vantagem ali era prender em uma gaiola a filha que tinha por obrigação ser perfeita e fazer tudo que ele queria. Me tirar da escola que eu tive que fazer uma prova difícil para ser aprovada, me tirar meus cursos que eu ganhei com tanto mérito, me fez me afastar mais do meu pai e ali nasceu uma magoa que até hoje carrego comigo, não entra na minha cabeça como a pessoa pode pensar tão pequeno a ponto de prejudicar o futuro da própria filha apenas para ter controle, não isso não entra na minha cabeça, eu queria fugir de casa, meu moreno não deixou, eu era nova, o que iria fazer da vida, ele era menor de idade também ainda não tinha um emprego fixado então, combinamos que assim que ele fizesse 18 anos e arrumasse um serviço iriamos morar juntos, com raiva do meu pai e muito apego ao meu moreno, cedi a ele minha virgindade e advinha o que aconteceu com a sortuda aqui? Na minha primeira vez a camisinha estoura, e o que mais? Eu fico grávida, sim, grávida aos 15 com um pai controlador eu percebi as mudanças em meu corpo e falei para o moreno, ele planejou tudo, falou com os irmãos dele iriamos fugir para a cidade dele, que era no interior do interior, uma cidade pequena, iriamos morar com seu pai. Então esconderíamos isso e se não estivesse grávida, iriamos embora assim mesmo, eu havia desistido dos meus planos de fazer faculdade, quando meu pai me tirou da escola boa e do curso, eu me senti como se ele tivesse jogado um balde de água com gelo em meus sonhos, eu senti que eu não merecia ser feliz e assim desisti de fazer faculdade.
Quase um mês se passou e o moreno começou a fazer um “bico” em uma distribuidora de bebidas para juntar o dinheiro das passagens para irmos embora, o pai dele já havia arrumado o quarto que iriamos ficar, estava super feliz iria ser avô, chegou o dia que a minha regra deveria vir, e eu sofria muito nesses dias, de não conseguir levantar direito e meu fluxo era intenso, para que ninguém desconfiasse eu colocava o absorvente para ir para escola mesmo sabendo que não iria vir nada, pois é ela não desceu e foi mais um comprovação que ali tinha um bebê dentro de mim. Meu pai foi viajar, para a chácara dele que era em outra cidade, tomei banho para ir para a escola, “troquei” o absorvente, e fui almoçar, quando fui ao banheiro escovar dente após o almoço, me deparo com meu absorvente aberto dentro do lixinho do banheiro, ali senti o sangue todo fugir do meu corpo, apenas pensei. – FERROU, FUI DESCOBERTA – sai do banheiro com as pernas bambas, a gente ia no dentista, fiz de conta que não vi e segui minha rotina, peguei meus cadernos coloquei na mochila para fazer um trabalho lá na sala de espera, ela não disse nada, quando chegamos no portão ela disse:
- Quando a gente chegar, vamos conversar.
- “Tá” bom mãe.
Minha vontade era sair correndo, chorar, além
do medo do que meu pai faria, era saber que eu a decepcionaria e isso em machucava... ah detalhe, eu tive com meu moreno apenas a primeira vez, a camisinha estourar me causou um trauma enorme. Seguimos para o dentista, fizemos nosso tratamento, voltamos para casa, toda a tarde passou em um silencio enorme, o que eu mais queria era falar para o meu moreno, mas eu não tinha a “porr*” de um celular, assim que vi a frente da minha casa, meus olhos já encheram d’agua. Entramos.
- Vai tomar banho e depois estarei te esperando aqui na sala – Minha mãe me disse e foi tão fria em suas palavras, que doeu tanto, entrei no banheiro e chorei, chorei tanto até que resolvi enfrentar ela de vez, eu não sabia o que fazer para mudar meu destino, contar a ela, decepcionar ela, me preparei até para o que meu pai faria comigo, me vesti e me sentei no sofá de frente a ela, ao olhar em seus olhos, meus olhos encheram d’agua novamente.
- O que você fez? – Perguntou minha mãe.
- Nada.
- Porque sua menstruação não desceu e não adianta mentir, eu sei que não veio.
Na hora eu começo a chorar
- Quando aconteceu? Por que não me contou?
- Eu tive medo mãe, foi só uma vez.
- Oh minha filha só uma vez e aconteceu? Você está grávida não está?
- Acho que sim mamãe.
- Vem cá.
Ela me abraça e chora junto comigo, logo depois quando ela se afasta ela levanta minha camisa e olha para ela e passa a mãe.
- Meu bebê está carregando um bebê? Eu vou ser vó, meu Deus...
Ela beija minha barriga
- Oi bebê, mesmo que não era a hora, vou te amar muito, filha amanhã iremos a ginecologista para saber como esse bebê está e de quanto tempo está, agora se prepara porque seu pai não vai reagir bem.
E assim foi feito, no dia seguinte fomos a ginecologista, fiz o BHCG e lá deu positivo, fiz o ultrassom, e adivinha, estava de 2 meses de gestação, não era pra ser tanto tempo, mas isso é assunto para outra história, o que de fato interessa aqui, é que apesar de toda conturbação que veio em seguida quando meu pai descobriu, minha mãe sofreu junto comigo a cada atitude mal pensada do meu pai que me levou para outra cidade para esconder de todos minha gravidez, porque ele ficou envergonhado da filha dele, ser “uma puta que engravidou aos 15 anos de um cara qualquer”, sim eu ouvi isso dele. Fiquei 4 meses longe de minha mãe, meu namorado, pai da minha filha e isso destruiu o meu futuro relacionamento que tentamos ter, minha gravidez foi tão conturbada que minha princesa nasceu de 7 meses, perfeita, saudável, fiquei casada por 2 anos com o pai dela, entre idas e vindas, foi um caos, mais ela me confortava, ela me fez amadurecer de tal forma, que se não fosse ela, não sei o que seria de mim hoje e por ela me tornei a mulher que sou hoje, defendo ela de tudo e de todos e ninguém ouse pensar em mexer com ela porque a leoa que existe em mim sai fácil, fácil.
Mãe, eu te amo e sempre irei te amar.
Filha, tenho orgulho em ser sua mãe.
Desejo a todas as mães um feliz dia das mães e sei que cada uma tem uma história para contar. Essa é um pedacinho da minha.
Um beijo no coração da Jéssyca Gil (Gilzinha)