No distrito de Dundrennan, em Kirkcudbright, ainda existe a persistente crença sobre uma dama sem cabeça que assombra o Vale Buckland. A seguinte narrativa, que me foi transmitida, empresta um maior relevo à tradição.
Há muito tempo, um fazendeiro de Monkland, acompanhado por um de seus empregados, retornava de Kirkcudbright bem tarde. O fazendeiro montava um pequeno pônei das Terras Altas e o lavrador ia a pé. Era cerca de meia-noite quando eles chegaram àquela parte de Buckland Glen, na altura em que uma pequena ponte cruza o Buckland Burn. Eles tinham acabado de cruzar a ponte quando, repentinamente, o pônei empinou e deu uma guinada, quase lançando o fazendeiro para fora da sela.
— O que há de errado, Maggie? O que está acontecendo com você, minha menina?
— Patrão, o senhor viu isso? —sussurrou o rapaz. —Veja, está ali de novo!
O velho olhou e, murmurando para si mesmo, sussurrou:
—Sim, está ali, meu rapaz! É verdade o que dizem. É o fantasma da dama sem cabeça. Ela foi assassinada no vale, naqueles tempos malignos. Vamos dar a volta e passar por Gilroanie. Não quero cair nas mãos de uma quadrilha.
Virando o trêmulo pônei, eles seguiram seu caminho ao longo da floresta que contorna o Buckland Burn, que leva à margem do lago Manxman, e chegaram em casa sem maior dificuldade do que controlar o pônei assustado.
O curioso foi que, uma semana depois, descobriram que duas pessoas de má reputação haviam ficado à espreita, com o propósito de assaltar, ou talvez fazer algo pior, numa curva solitária na estrada de Bombie, a cerca de quatrocentos metros da ponte de Buckland Brig. Os bandidos haviam descoberto que o fazendeiro fora a Kirkcudbright para sacar uma certa quantia e, se o súbito aparecimento do fantasma de Buckland não tivesse mudado seu caminho, outra tragédia poderia ter ocorrido naquela noite no Vale de Buckland.