Miranda estava voltando para casa. Ela carregava consigo uma mochila com alguns pertences dentro, usava calças compridas, uma camisa de mangas longas e calçava botas revestidas em lã, também vestia um casaco. O dia não estava mais frio do que o normal, mas ela gostava de estar bem agasalhada mesmo assim. Miranda parou em um posto de gasolina e entrou na loja de conveniências.
Ela foi direto ao fundo da loja, onde avistou uma cesta com as fitas adesivas que ela gostava de colecionar.
Miranda deu uma olhada nos rolos de fita de diferentes cores, ela pegou dois deles em uma mão e ao fazer menção de sair usou a outra mão para pegar mais alguns e os escondeu no bolso do casaco. Ela então seguiu até a frente da loja, pegou um pacote de batatas chips e foi até o caixa pagar pela compra. Ao sair da loja, Miranda abriu a mochila e guardou o pacote de batatinhas junto com mais cinco ou seis pacotes que ela havia furtado de outras lojas por onde passou, durante o trajeto. Nessa loja, como as batatinhas ficavam perto do caixa, ela preferiu pagar pelo pacote, mas saiu no lucro pois tinha surrupiado algo que lhe interessava mais, as fitas.
Miranda tinha suas obsessões particulares, que é melhor nem tentar explicar.
Miranda saiu do posto de gasolina e seguiu pela estrada, quando estava a um quarteirão de casa, para cortar caminho, ela decidiu passar por um parque que tinha ali.
Enquanto atravessava, uma criança arremessou um brinquedo nela. Miranda procurou ao redor para saber qual deles tinha sido.
"Oh meu Deus, me desculpe!" uma babá disse, em seguida puxou uma garotinha e a encarou.
"Gabriela, sabe que não pode fazer isso! Que coisa feia, eu vou dizer tudo à sua mãe quando voltarmos." A babá disse repreendendo a menina, que não deu a mínima.
"Cala a boca, sua chata!" A menina disse e se afastou da babá. A moça ficou claramente sem jeito, e então voltou a olhar para Miranda.
"Desculpe mais uma vez, ela tem se comportado mal o dia todo, não é nada com você." A babá buscou se justificar, Miranda esboçou um sorriso compreensivo.
"Tudo bem, não precisa se preocupar, eu tenho irmãos mais novos, sei como é."
"Que bom que entende. Desculpa mais uma vez."
"Está tudo bem, eu já vou indo." Miranda disse voltando a andar.
Ao chegar em casa, Miranda tirou as botas e pendurou o casaco em um cabideiro perto da porta.
Ela então caminhou até a cozinha. Colocou a mochila em cima do balcão e tirou dela os pacotes de batata chips e as fitas adesivas.
Miranda, abriu a geladeira e pegou uma garrafa de água, abriu ela e começou a beber alguns goles. Ela então caminhou tranquilamente até o corredor dos quartos e seguiu até o final dele. Ao chegar na última porta, que era a porta que levava ao porão, Miranda tirou uma chave do bolso da calça e destrancou a porta, em seguida desceu as escadas calmamente.
Diogo que estava lá embaixo, amarrado com várias cordas, despido, sedento e faminto por ter ficado ali por três dias, ao ver ela tentou gritar mas não conseguia por conta da mordaça que tinha em sua boca, ele também tentou se debater mas era um esforço vão, já que as amarras estavam bastante firmes.
Miranda parou na frente dele e bebeu mais um gole de água.
Em seguida disse: "Olá querido. Como foi o seu dia?"
Ela perguntou indiferente ao sofrimento dele.
Ele tentava se arrastar para longe dela, mas mal conseguia se mover.
Miranda inclinou a cabeça levemente para o lado, observando o desespero dele. Ela quase achou aquilo engraçado, mas não o suficiente para lhe arrancar mais que um mero esboço de sorriso. Ela então colocou a garrafa no chão e voltou a andar em direção a escada.
"Eu vou buscar umas coisas. Não saia daí, eu já volto." Ela disse e dessa vez sim achou graça do próprio trocadilho. Afinal ele não podia mesmo ir a lugar algum. Ela riu rapidamente enquanto subia os degraus da escada.
Assim que ela saiu, Diogo avistou a garrafa d'água no chão cerca de um metro a frente. Ele tentou se arrastar até lá e alcançar a garrafa. Ele estava realmente sedento, desde que foi trancado ali dentro, Miranda havia lhe dado água apenas duas vezes e não mais do que o suficiente para ele não sucumbir a desidratação.
Miranda foi até o quarto dela, pegou uma caixa de ferramentas debaixo da cama, também pegou um cobertor novinho que havia comprado no dia anterior e voltou para a cozinha, ela então pegou um dos rolos de fita e desceu para o porão novamente.
Quando chegou ela viu que Diogo tentava miseravelmente alcançar a água que ela tinha deixado no chão. Miranda sorriu e disse: "Voltei meu bem."
Ela então colocou as coisas que trouxe no chão e se agachou para se aproximar dele.
"Você está com sede? Por que não disse logo?" Ela falou e pegou a garrafa de água. Diogo olhou para ela aterrorizado e começou a chorar ao ver ela começar a despejar a água nos pés dele, apenas para tortura-lo.
"Só pra você se refrescar um pouquinho." Ela disse e sorriu pra ele. Diogo continuava chorando já completamente sem esperanças de ser libertado daquele lugar, ele sabia que Miranda era a pessoa aparentemente mais confiável daquela cidade, ninguém nunca desconfiaria dela, mesmo que todos estivessem procurando por ele agora, nunca chegariam ali a tempo de resgatá-lo.
"Okay, tudo bem. Eu vou ser legal com você dessa vez, toma." Ela disse levando a garrafa de água até a boca dele, tirou a mordaça e lhe deu de beber. Diogo estava desesperado por um pouco de água, tanto que não aproveitou para gritar ou usar os dentes para se defender de alguma forma, ele apenas começou a beber da água com uma ferocidade que marcava ainda mais seu estado lamentável.
Miranda olhava aquilo satisfeita. Ela parecia apreciar a fragilidade dele.
A água acabou antes que ele pudesse realmente matar a sede, já que Miranda havia derramado metade dela.
Diogo estava ofegante, ele olhou para ela e voltou a chorar, estava tão desorientado que de novo nem pensou em gritar. Miranda deixou a garrafa de lado e voltou a amordaça-lo.
"Espero que tenha aproveitado. É a sua última dose de qualquer coisa." Ela disse sorrindo docemente. Diogo sentiu o corpo estremecer ao ouvir isso. Ele tentou se debater novamente, Miranda deixou que ele o fizesse, ela se levantou e foi buscar as as coisas que tinha trazido.
Ela trouxe para perto dele a caixa de ferramentas, o cobertor e o rolo de fita.
Ela se ajoelhou ao lado dele, abriu calmamente a caixa de ferramentas e pegou de dentro dela uma tesoura. Diogo se esforçava ao máximo para se afastar dela, mas Miranda não tinha dificuldade nenhuma em puxá-lo de volta para perto.
Ela pegou a fita adesiva e puxou alguns centímetros da fita, cortou-a e em seguida colou-a no pescoço dele, ela fez isso mais três vezes até que formou um quadrado como uma marcação. Diogo não fazia ideia do que ela pretendia com aquilo, ele tentava se mexer e atrapalhar, mas Miranda parecia paciente em grudar e desgrudar as fitas até que ficasse do jeito que ela queria. Quatro linhas de fita formando um quadrado que marcava o perfeito lugar onde Miranda iria perfurar a pele dele.
Ela fez os quadrados com a fita em outras partes do corpo dele também. Todas partes que lhe interessavam em seu experimento de tortura.
O rapaz continuava a chorar e o som do choro dele apenas a deixava ainda mais relaxada.
Ao terminar de fazer as marcações, Miranda pegou de dentro da caixa de ferramentas, uma chave de fenda pontiaguda, ela brilhava tanto como se tivesse acabado de ser polida. Era a ferramenta preferida dela.
"Olha só pra isso." Miranda disse mostrando a ferramenta para o rapaz. "Linda, não é? Você é tão sortudo por ela ter te escolhido." Miranda disse alegremente. Diogo nunca chorou tão amargamente como naquele instante. Ele sabia que o momento havia chegado, era agora que ele partiria e não conseguia imaginar jeito pior de isso acontecer, pois ele estava ali sozinho, nas mãos daquela psicopata, ninguém que ele amava sabia onde encontrá-lo e ele nunca mais veria nenhum deles novamente, era a maior frustração de todas saber que tinha desperdiçado tanta coisa em sua vida. Ele morreria, e não tinha nada do que se orgulhar, apenas motivos de arrependimento rodeavam toda a sua história.
"Você está pronto?" Miranda disse suavemente olhando para o rosto dele. Diogo apenas fechou os olhos, parando de lutar. Mesmo sendo inacreditável, ele se sentia grato, por saber que tudo finalmente iria acabar.
Miranda sorriu em êxtase, vendo que ele tinha se rendido.
"Será divino. Eu prometo." Ela disse e cobriu o rosto dele com o cobertor.