Manuela: O que ela tá fazendo aqui? — a voz de Manuela surgiu bem ao pé do ouvido dele.
Psiquiatra: Então é ela que te obriga a cometer esses crimes? — a psiquiatra falou observando o semblante do rapaz.
Lentamente, Tomás direcionou o olhar para o chão e ficou fitando o tapete marrom.
Para ele a voz da psiquiatra estava em segundo plano, Tomás ouvia principalmente a própria respiração e a voz de Manuela, a voz dela não vinha da cabeça dele, vinha de fora, como se ela estivesse ali, só que sobreposta, do alto, fazendo sua voz sobressair sobre todos os demais ruídos daquela sala.
Manuela: Por que tá falando com ela? Quem essa piranha pensa que é pra dá em cima de você? Por acaso ela não sabe que você é só meu? E que deve confiar apenas em mim. — Manuela disse suavemente, de forma possessiva mas tranquila.
Tomás sentiu o corpo esfriar por um momento, como se de repente ficasse mais frio. Embora a sala continuasse com a mesma temperatura. Ele estava receoso, ele sabia o que Manuela estava tentando fazer, de novo… e ele não queria machucar mais ninguém.
Psiquiatra: Tomás? Você está bem? Consegue me entender? — a médica disse e Tomás levantou o olhar e fitou-a.
Tomás: Ela está aqui… — Tomás disse em voz baixa.
Psiquiatra: A Manuela? Ela está falando com você agora? — a psiquiatra perguntou e anotou alguma informação na prancheta.
Tomás: Sim. — Tomás respondeu em tom fraco, voltando a olhar para o tapete. Depois de engolir em seco ele continuou: — Ela não gosta que eu me aproxime de outras mulheres.
Psiquiatra: Hm.. então ela não quer que você fale comigo? — a médica indagou observando bem o comportamento dele.
Manuela: Por que tá falando de mim pra ela? — Manuela disse parecendo irritada. — Não tem que ficar falando da gente pras outras pessoas, para de falar com ela agora! — Manuela disse e Tomás respirou fundo, sentindo um nó surgir na garganta.
A psiquiatra notou o olhar abatido dele e anotou sobre isso.
Psiquiatra: Tomás, pode me dizer o que ela está falando pra você? — a médica disse em tom suave.
Manuela: Ela tá tentando te tirar de mim, Tomás, você não percebe isso? Não pode confiar nela, eu sou a única em quem você pode confiar! Eu dei a minha vida por você Tomás, eu sou a sua mulher. — Manuela falava, começando a deixar Tomás atordoado, ele quase não conseguia se concentrar no que a médica dizia, porque Manuela continuava falando sem parar.
Tomás passou a mão pelos cabelos e tentou recuperar o foco, sem muito sucesso.
Tomás: Ela não gosta de você. Ela tá falando tão alto, eu não… não consigo me concentrar. — Tomás disse, a médica notou que ele parecia confuso e atordoado, então tirou logo do bolso o controle de emergência, pro caso de precisar usar.
Psiquiatra: Respira fundo, Tomás, tenta focar só na minha voz. — a médica orientou.
Manuela: Para de falar com ela, Tomás! Por que tá fazendo isso? Você não me ama mais? — Manuela falava dissimulada, buscando deixá-lo culpado.
Tomás balançou a cabeça tentando afastar os pensamentos ruins e parar de ouvir a voz dela por pelo menos um instante.
Manuela: Acaba com ela, Tomás. Mata essa desgraçada. Olha só pra ela… — Manuela disse em um tom mais calmo, suave, tentando convencê-lo a se entregar àquela alucinação e perder o controle.
Tomás olhou para a médica e observou ela enquanto Manuela falava.
Manuela: Olha o que ela tá vestindo, ela se arrumou pra você. Olha bem pro pescoço dela, é tão branco e liso, ela sabe que você gosta disso. Ela tá te chamando pra isso. Vai lá Tomás, mata ela. Acaba com ela, ela tá pedindo por isso. — Manuela disse seduzindo Tomás com aquelas palavras, como sempre fazia quando o convencia a cometer um crime.
Psiquiatra: Tomás, acha que podemos continuar com a sessão? — a médica disse e Tomás voltou a olhar para os olhos dela.
Tomás: Ela tá pedindo pra eu te matar. — ele disse e a médica engoliu em seco, mas manteve a calma, ela tinha o botão de emergência nas mãos.
Psiquiatra: E você quer me matar? — a médica perguntou.
Tomás: Não. — Tomás disse e começou a chorar. — Eu não quero machucar mais ninguém. Mas, ela continua me pedindo. — Tomás disse e se encolheu um pouco no sofá, a voz dele estava embargada e as lágrimas desciam pelo rosto, ele parecia triste e pressionado de alguma maneira.
Psiquiatra: Tudo bem Tomás. Você só precisa ficar no controle. Lembre-se que a Manuela não tem poder nenhum sobre você. É apenas uma alucinação. — a médica disse tentando trazê-lo de volta a calma.
Manuela: Não escute o que ela tá dizendo, Tomás. Eu tô aqui! Sou eu e você tem que confiar em mim. Eu sei o que é bom pra você, ela não sabe de nada. Na verdade, tudo o que ela quer é te deixar com raiva. Você não percebeu? Ela quer que você mate ela, é só você ir lá e fazer. — Manuela disse. Tomás tapou os ouvidos com as mãos e começou a chorar mais alto.
A médica nem precisou acionar o botão de emergência, antes que ela pensasse em fazer isso, um dos agentes, que estavam escoltando Tomás, entrou na sala.
Policial: Tá tudo bem por aqui? — o agente perguntou assim que abriu a porta. Ao ver o estado de Tomás, como ele chorava igual uma criança, o agente decidiu entrar na sala e buscar entender o que estava acontecendo.
Policial: O que aconteceu com ele? Ele tá surtado? — o agente perguntou.
Psiquiatra: Não, não se preocupe, está tudo bem. Ele só está emocionalmente abalado, faz parte do processo. — a médica disse e o agente levantou uma das sobrancelhas, pouco convencido com a explicação dela.
Tomás: Sai daqui. Tira ela daqui! Eu vou matar ela se ela não for embora. — Tomás disse ainda chorando, se esforçando para não perder de vez o controle e fazer o que Manuela estava exigindo.
O policial não esperou mais, assobiou para o outro agente e o segundo policial entrou na sala também. Os dois fizeram menção de ir buscar Tomás mas a psiquiatra interveio.
Psiquiatra: Não, esperem! Não levem ele ainda, eu preciso fazer mais algumas perguntas. — a médica disse e se levantou, em seguida caminhou até o sofá e se aproximou cuidadosamente de Tomás.
Psiquiatra: Tomás, consegue me ouvir? — a médica perguntou olhando para ele. Tomás fechava os olhos com força ainda tapando os ouvidos com as mãos.
Manuela: Ela tá perto de você, Tomás! Tira ela daí agora! — Manuela literalmente gritou, fazendo os ouvidos de Tomás até doerem por um instante.
Psiquiatra: Tomás, eu preciso que você preste atenção em mim, tenta se concentrar na minha voz.
Tomás: Não! Para! — Tomás exclamou e gritou em desespero ao ouvir a voz de Manuela esbravejar de novo.
Ao verem isso, os agentes ignoraram o pedido da Médica e foram buscar Tomás, imobilizaram ele e o algemaram novamente.
Psiquiatra: Esperem, esperem! — a médica disse e parou na frente de Tomás.
Psiquiatra: Tomás, me escute, você tem o controle, não é a Manuela de verdade quem está falando com você, é a sua própria mente te enganando, você precisa focar nisso, entendeu? — a médica disse e Tomás olhou para ela, ele estava um tanto ofegante e os olhos avermelhados por conta do choro. Tomás olhou bem no fundo dos olhos dela e sorriu rapidamente.
Tomás: Ela está implorando pra eu matar você. — ele disse e a psiquiatra pôde notar tanto no olhar, quanto na voz dele que a Manuela tinha conseguido convencê-lo, e se os agentes não tivessem algemado Tomás, com certeza ela tentaria matá-la agora.
Policial: A sessão acabou doutora, vamos levar esse psicopata de volta pra cela. — o policial disse e os dois escoltaram Tomás para fora. Deixando a médica sozinha na sala.
A psiquiatra caminhou devagar até a poltrona e se sentou. Ela respirou fundo e ficou algum tempo refletindo a respeito do caso de Tomás.
obs: pequeno trecho de um roteiro completo que escrevi, mas ainda não decidi se devo publicá-lo.