WHEN EVERYTHING LOOKED LOST

[Dad, I need your help, because without you I'm nothing. Just an empty and weak body, walking and walking the wrong ways. These are shameful ways in your eyes and I know they are wrong, but I cannot break free from this evil that consumes me every day and pulls me from your arms. I thought life was easier...]
Quando tudo parecia perdido...
...Deus me enviou você.
Adriele: Significa “rebanho de Deus”, “assembleia de Deus”, “a que pertence à congregação de Deus” ou “Deus me ajuda”, “Deus é meu auxílio”.
Tem origem hebraica e seu significado resulta da junção dos elementos eder, que significa “rebanho, bando”, e el, que significa Deus.
[PAI, eu preciso da sua ajuda, pois sem Ti eu nada sou. Apenas um corpo vazio e sem valentia, andando e percorrendo caminhos... Caminhos esses que são vergonhosos aos seus olhos e eu sei que são errados, mesmo assim eu não consigo me libertar desse mal que me consome a cada dia e me afasta de seus braços. Pensei que a vida fosse mais fácil…]

Eu chego em casa por volta das três da manhã, bêbada e tropeçando nos meus próprios pés, derrubando tudo pelo caminho.
— Adriele, você andou bebendo? — Ops… acho que acordei a mamãe. — Meu Deus… olha o seu estado!
— Mamãe… jamais diga o nome D’Ele em vão! — Coloco meu dedo em frente em seus lábios, a calando. — Não foi assim que a senhora e o papai sempre me ensinaram, desde pequena? — me apoio no sofá para não cair.
— Não vem com essa agora, Adriele Pietra! — ela tira o meu dedo para longe do seu rosto — Seu pai teria vergonha de te ver neste estado.
— É… ainda bem que ele está morto, não é? — me olha de cima a baixo negando com a cabeça e se afasta com os olhos marejados. Fecha o seu robe e passa por mim voltando para o seu quarto — Mãe… me desc… — ela se vira para mim e estende uma mão no ar, me dizendo para parar.
— Sei que está sendo difícil para você… está sendo para mim também. Até ontem ele estava aqui com a gente e hoje… — a mulher que sempre se mostrou forte se desmonta a minha frente, secando algumas lágrimas que descem pelo seu belo rosto — Ele foi tudo para mim e no momento que eu mais precisava da minha filha aqui comigo, ela estava num bar enchendo a cara.
— Eu sinto muito, eu só não consegui estar lá no enterro dele. Meu pai era o meu melhor amigo. — me deixo cair no chão — Ter a certeza que ele não vai voltar mais, assim que o caixão dele fosse enterrado.
— E acha que foi fácil para mim, ver o amor da sua vida dentro de uma caixa de madeira bem polida sendo engolido pela terra? Saber que a partir de agora o meu lado esquerdo da cama sempre vai estar vazio, o guarda roupa com mais espaço. Sem poder sentir o cheiro dele pelo quarto. Não ver e ouvir mais o sorriso e a gargalhada alta dele, ouvir sua voz. Senti seus abraços, seus carinhos, seus beijos. — ela suspira cansada. Seu semblante ganhou uns dez anos a mais com a morte do papai. — Compartilhamos da mesma dor filha — ela se aproxima de mim, me abraçando.
— Por quê? Ele era tão jovem ainda. Papai sempre foi um homem bom, educado, gentil, respeitoso. Temente a Deus. Por que justo ele? — Me deito em seu colo, deixando ela passar as mãos pelos os meus cabelos.
— Eu não sei… Talvez foi por ele ser um cara bom demais para esse mundo. Nada acontece se não for dos planos de Deus.
— Eu não… não me conformo com os planos D’Ele. Estou chateada com Deus no momento e magoada. Revoltada até.
— Meu bem, se virar contra Ele, não vai trazer seu pai de volta — me viro para ela encarando seu olhar triste e perdido.
— Como a senhora consegue ainda ter fé, depois do que aconteceu? Perdemos o Nicolas à três anos atrás para o câncer e agora o papai em um acidente de carro. Deixei de acreditar em Deus, depois da morte do meu irmão gêmeo. Larguei a igreja e comecei a sair para festas e baladas e a beber com os amigos da faculdade, para o desgosto dos meus pais e boa parte dos nossos familiares e vizinhos, que também eram cristãos.
— Deus tem sido a única força que me manteve em pé dia após dia, depois que perdemos seu irmão. E é o que me está me dando força neste momento também. — ela toca o meu rosto — Não há nenhum caminho para o Reino dos Céus que seja fácil. Sempre terá provações e muitas das vezes vamos querer desistir e parar. Seguir o caminho que é mais fácil e doce. Porém no fim se mostra amargo. Aprendi isso do jeito mais difícil.
Eu conheço a história da mulher que me faz carinho e me consola apesar da sua dor.
Minha mãe teve uma vida difícil, fugiu de casa aos quatorze anos por sofrer abusos do seu padrasto e teve que lidar com o descaso de sua mãe, que fingia não ver nada e a chamava de mentirosa todas às vezes que ela tentava mostrar quem realmente era o homem que a mesma tinha levado para dentro de casa.
Passou fome na rua, foi obrigada a se prostituir para ter o que comer. Apanhou, fez coisas que ela se envergonha até hoje. E julgou muito a Deus por tudo isso.
Como pode um cara se dizer “pastor” e abusar de sua enteada. E uma presbítera ser “cúmplice” de um ato tão repulsivo desse?
Aos seus dezessete anos, foi parada por um garoto na rua que lhe entregou um folheto que dizia uma simples frase: “Nada acontece se não estiver nos planos de Deus.”
E logo em baixo um versículo da Bíblia:
“Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês’, diz o Senhor, planos de fazê-los prosperar e não de causar dano, planos de dar a vocês esperança e um futuro.”
Quando minha mãe leu aquilo, seu mundo parou. Ela só pediu por uma resposta naquele dia e Deus estava lhe dando uma naquele momento. Seus olhos marejados se levantaram até os do garoto dois anos mais velho que ela ainda parado ali na sua frente. Olhos verdes, pele branquinha. Cabelos escuros num corte baixo e sorriso gentil. Se sentiu envergonhada pela roupa que vestia, por estar imunda, cabelos desgrenhados e uma maquiagem chamativa, totalmente borrada.
Meu pai gentil e amoroso fez um convite a minha mãe de que ela fosse a igreja na qual ele ia com seus pais. Para não ficar preocupada com as roupas, pois ele tinha umas em casa que cairiam muito bem nela. Roupas de sua irmã mais velha que não lhe cabiam mais. Poderia tomar um banho, comer algo decente e acompanhar eles no culto do dia seguinte. Ele insistiu todas as semanas, até que ela aceitasse, poderia pagar ela, caso esse for um problema. Não querendo ofendê-la, já que parecia que a tal cafetina dela estava de olho na conversa dos dois.
Depois de dois meses e meio com o meu pai chamando ela, enfim minha mãe aceitou. Ela estava encantada por ele, seu sorriso, sua gentileza. Por fim, ele salvou ela da vida que ela tinha. Mostrou a ela a versão correta de um pastor decente. Como a igreja em si, deve se portar diante de Deus. Sua fé foi renovada. Meus avós paternos adotaram minha mãe. Eles dois não se desgrudaram mais, e ficaram juntos por quarenta anos.
Até o maldito acidente arruinar tudo. Até Deus resolver levar não só o meu irmão a três anos atrás, agora o outro, meu melhor amigo, meu progenitor, meu herói, meu confidente, meu pai também. As duas pessoas mais gentis e amorosas e boas, que eu tanto amava e continuo ainda amando, que sempre vou amar e sentir falta.
— Vem vou levar você para tomar banho e tirar essas roupas fedendo a bebida e cigarro. — Me ajuda a levantar.
— Eu posso andar até o banheiro sozinha mãe — tento convencer a ela e a mim mesma.
— Não, não pode não. Do jeito que está é capaz de cair no corredor e ficar por lá mesmo. — Ela me leva até o banheiro de baixo e me ajuda a tirar minhas roupas.
— O banho eu posso tomar sozinha. Fica tranquila… Dona Aurora — minha mãe ignora os meus protestos e me arrasta para dentro da banheira, como se eu ainda fosse uma garotinha de cinco anos de idade.
Aurora: Significa “o nascer do sol”, “o raiar do dia”, “a que nasce do oriente” ou “aquela que brilha como o ouro”.
Aurora é um nome do latim aurora, com um significado bem evidente: “aquela que é como o nascer do sol”.