UM POUCO DO NOSSO AMOR
Sábado de Carnaval
Sou Nancy, hoje acordei com uma sensação muito boa de que algo irá acontecer. E teria que ser hoje! Embora sei que paixão de carnaval não passa da quarta-feira de cinzas. Mas hoje preciso de todo jeito aproveitar as oportunidades.
Ideias para fantasia... nenhuma. Então, optei por algo mais extrovertido, diferente do que habitualmente costumava vestir. Um short na cor terracota em tom para o laranja e uma regata em seda javanesa que combinava alguns detalhes com o short, e assim, fui tentar me divertir e cair na folia.
ENQUANTO ISSO, COM LUÍS
A turma combinou de nos encontrarmos no galpão de meu tio, para assim, prepararmos as bebidas e começarmos a noite com uma maior empolgação.
_Ei Luís, como você irá para a avenida? – me perguntou um de meus colegas
_ Assim mesmo, como estou – me afastei um pouco e fiz sinal com a mão de cima abaixo.
Estava com uma calça em brim surrada e uma camiseta branca, toda suja de carvão, graxa, etc..
Logo percebi sua cara de desapontamento, mas hoje valia tudo, hoje eu precisava me divertir depois da semana que passei, e sempre minha relação com meu pai não estava das melhores, trabalhava para ele, e estava ficando desgastante.
A NOITE TÃO ESPERADA
Susy chegou até onde estávamos, com cara de poucos amigos, seu relacionamento com Klauss nunca bombou, e ela estava cansada de tentar, assim que chegou já avisou
_Nancy, estou indo embora, se quiser ficar...
_Também estou indo – assim que me levantei, esbarrei em alguém e ao virar para pedir desculpas, percebi que o rosto era conhecido – Desc...
Ele me segurou pelo cotovelo para que eu não desequilibrasse e caísse ali mesmo. Seu toque no meu braço me fez perder o raciocínio e o chão, parece que ele tinha um ímã, e eu não conseguia puxar o braço novamente.
_Podemos conversar? – perguntou ele me olhando nos olhos profundamente, aquilo ia dar m***a.
_ Você não vai embora Nancy? – interveio Susy, observando que Luís não estava nem em seu melhor aspecto, e além de tudo estava alterado pelo álcool. Susy se sentia um pouco responsável por Nancy, mas percebeu que a intenção da amiga não era ir embora naquele momento.
Luís ao observar que havia ali uma força contra, resolveu explicar:
_Eu só vou conversar com ela, não irei arrancar pedaço – levantou a mão direita – Prometo. – no mesmo instante, lancei um olhar para Susy de que estava tudo bem, e que logo estaria de volta.
Fomos até a praça, que era o lugar mais calmo naquele momento, já que o carro de som estava com toda a empolgação e todos ali, bastante animados.
LUÍS
Se fosse em tempos atrás, Nancy me enxotaria dali como um cachorro sarnento, mas eu como não sou bobo, aproveitei para preparar meu campo. Há tempos estou tentando ganhar essa menina, sou amigo de seu pai, temos os mesmo gostos pela pescaria e outras coisas que não vem ao caso nesse momento. Nesse momento, só quero olhar pra ela, só queria a ter em meus braços, expor meus anseios, e se tudo der certo, começarmos a nos relacionar.
Certa vez mandei recado através do irmão dela dizendo que estava interessado...
_ Pois pode dizer a ele, que o dia em que aceitar ser sua namorada, estarei louca, podem me internar no hospício.
Já tentei até chamá-la de Tia para chamar sua atenção, porque ela já deu aula para as crianças na igreja. Mas senti em seu olhar, um ódio tremendo, e cada vez mais ela me evitava.
Peguei em sua mão uma vez, em uma oportunidade doida, observei que ela ficou muito desconcertada, mas não conseguia retirar suas mãos da minha, então, resolvi tentar, e lutar por essa atração que sabia que ambos, tanto eu quanto ela, sentiam.
Eu tinha que arrumar um jeito da gente se aproximar, então, quando teve outro evento na cidade, não resisti.
Estavam na mesa minha família e a dela, tudo conjugado para ela conhecer meu outro lado, ao invés daquele rapaz que sempre a irritava.
Chovia muito, e como o recinto era coberto por lona, o único lugar que não goteirava, adivinhem... era ao lado de Susy
Tudo perfeito para preparar o meu caminho. Obrigado destino, agora fica por minha conta e risco.
Resolvi colocar pétalas em seus ouvidos, direcionando os assuntos para aquilo que ela gostaria de ouvir, e assim, conhecer meu outro lado.
Sei que ela imaginou que iria ficar alugando seu ouvido aquela noite, mas consegui me controlar e queria conhecê-la melhor.
Quando nos despedimos, senti um alívio muito grande quando olhei em seus olhos e percebi que aquele fogo de ódio, não existia mais. Faltei pular e dar um soco no ar, simbolizando a vitória.
Mulher não me faltava, mas Nancy era muito diferente, ela parecia um vaso se cristal que ao simples toque tudo poderia ser colocado a perder.
Foram vários anos de muita luta, e essa oportunidade hoje, eu não poderia deixar escapar, nunca... Afrontei até sua amiga, que se dane, mas estávamos ali, EU e ELA.
Procuramos um banco para sentar.
Para ficar mais de frente à ela, resolvi sentar mais na ponta, para encarar seu olhar. Joguei até a lata de cerveja fora no meio do caminho, essa menina mexe comigo.
Segurei sua mão, e aquela sensação chegou até meu coração, a encarei e abri o jogo;
_ Nancy, me chamo Luís, meus defeitos você sabe bem quais são, gosto de beber e fumar que já tentei várias vezes, mas não consigo parar. Há tempos que anseio por esse momento, mas não queria te assustar, e hoje com essa roupa de mendigo, venho aqui te perguntar – enchi o peito de coragem e perguntei – Aceita namorar comigo?
Senti seu olhar me examinando de cima abaixo, não acredito que não conseguirei alcançar meu objetivo. Vendo sua indecisão, resolvi expor mais ainda a situação:
_ Se acaso a resposta for sim, no começo, pelo menos nesse começo, teremos que namorar escondido de seus pais.
Nancy
O olhei espantada, meus pais nunca colocaram empecilho em meus namoros, mas também, nunca havia levado nenhum pretendente para apresentá-los.
Encarei Luís de cima abaixo. Me deparei naqueles braços musculosos que a camiseta branca revelava. Como seria estar em seus braços?
Qualquer mulher em sã consciência diria NÃO àquela situação. Se estava louca, devia estar mesmo, algumas pessoas iriam me recriminar, pois além dos trajes, ele estava alterado pelo álcool.
Mas desde há muito tempo, tive medo desse momento, não queria dizer não a Luís, pois achava que ele não conseguia ninguém, e isso acabaria com sua alto-estima.
_ Outro item é a idade – continuou ele - Hoje tenho 23, e você, nem chegou a maioridade, está com 16 anos. Uma diferença considerável de 7 anos. Mas se não tentarmos, como saberemos se damos certo ou não?!
E agora? Ele deu a última cartada, a que estava escondida na manga, e isso, ele tinha razão, senão tentarmos, como conseguiremos saber?
Quer saber? Que se dane a opinião dos outros...
_Está certo! Já que é assim, aceito tentar namorar com você...
Acho que ele nem acreditou na resposta, seus olhos brilharam e com a outra mão segurou minha nuca, acho que por medo de fugir do beijo, virar o rosto sei lá...
Nossos lábios se tocaram, primeiramente suave, que sensação boa, nunca havia sentido nada comparável, me lembrei da alegria em meu peito quando amanheceu e agora ela se concretizava.
LUÍS
Nem acreditava que esse momento tão esperado estava se concretizando. Vendo que ela correspondia ao beijo, resolvi matar minha sede e aprofundei ainda mais pedindo passagem para um beijo mais íntimo, mas percebi que ela recuou, então, para não perder o clima, resolvi suavizar o beijo deixando somente uma brincadeira de lábios.
_Você é linda!!! – disse ao me afastar um pouco o rosto dela – Nunca me cansaria de olhar pra você.
...
Nancy
Continuamos nos encontrando, alguns encontros ele ia, em outros, ele burlava. Não sabia que Luís não gostava de encontros diários. Mas achava que se ele gostasse de mim, teria que ser todos os dias.
Até que ele me deixou no vácuo por 3 vezes. Então resolvi acabar com tudo. Meu coração, não vou mentir pra vocês, está vazio. Parece que algo foi arrancado, apunhalado.
...
Mais um final de semana chegou, resolvi curtir a solidão sozinha, escutando minhas músicas, minhas amigas saíram, mas resolvi me resguardar em casa, em meu quarto. Quando o telefone tocou, minha mãe atendeu, e me entregou
_Pra você – estranhei muito, quem queria falar comigo naquele momento?
_Por que você está me evitando?
Ao escutar sua voz rouca do outro lado, meu coração deu um sobressalto no peito.
_Não estou te evitando – respondi com raiva
_Então porque não saiu?
_Porque não quero ora bolas.
_Estava te esperando, e você não apareceu.
_Pode continuar esperando aí, logo aparece outra. Porque eu não quero mais... - não sei onde arrumei coragem, já estava com os olhos marejados e desliguei o telefone.
Meia hora o telefone tocou de novo, mas avisei pra minha mãe que não iria atender.
NO DOMINGO
Continuei a curtir a fossa. Não estava nada fácil. A noite chegou, e novamente estou eu em casa. Por incrível que pareça, meu pai também. O telefone toca, minha mãe atende e me passa o aparelho.
Estremeço ao escutar a voz rouca de Luís novamente, agora sem paciência.
_ Liguei pra saber como você está
_ Estou bem, por quê?
_ Então por que está em casa ainda e não saiu?
_ Não quero sair, e nada nem ninguém vai me fazer mudar de ideia, e não quero conversa, se quiser conversar, eu passo para meu pai. Você conversa com ele.
_ Você não teria coragem, precisamos conver...
_ Pai pra você... – entreguei o aparelho para ele
Acho que a conversa não foi muito amigável, sei que nunca vi a cara de meu pai com aquele aspecto. Se virou a mim e respondeu:
_ Tá vendo!! Fica dando confiança, olha o que dá... – falou bravo mesmo.
_ Não vou mais pai. – respondi, e fechei a porta do quarto.
Luís sabia dos meus horários, e no dia seguinte me cercou na rua, quase tomei um susto quando ele veio sorrateiro e segurou minha mão, e aquela sensação me traiu novamente, parecia como uma corrente elétrica que percorria cada pedaço de meu corpo.
_ Seja lá o que fiz ou o que deixei de fazer eu peço perdão. Mas você foi entregar o telefone para o seu pai, minhas pernas tremeram todas, mas foi bom, pelo menos vou tomar coragem, e vamos resolver essa nossa situação. Posso pedir sua mão em namoro?
Aquilo me deixou sem, chão
_ E quanto aos furos nos encontros?
_ Vou tentar ao máximo comparecer a todos.
_ Combinado – afirmei – Vamos tentar mais uma vez...
Luís roçou meus lábios nos seus...
...
DEPOIS DO PEDIDO
_ O que te prometi quando nossa situação se resolvesse? – tentava lembrar alguma coisa relacionada a isso, mas não consegui – Que iríamos comer uma pizza, aliás, italianos gostam de pizza.
Então ele me tomou em seus braços, seu beijo se tornou mais exigente, sua língua forçou passagem, e eu, bem resolvi me entregar a essas sensações que agora, depois de tanto tempo ainda me arrepiam. Sentir seu abraço, suas mãos a me percorrerem as costas, acendem ainda mais nossa paixão. Cada toque íntimo que trocamos, há sempre novas formas de nos amarmos. E a cada dia que se passa, ainda nos descobrimos em novas formas de apaixonarmos e trocar carícias.
O segredo entre ele e meu pai?... Fica para uma próxima oportunidade.