Peço desculpas por qualquer erro que possam encontrar, essa é a primeira vez que conto minha história. Espero que gostem...
Nasci em novembro de 1984 , a mais velha de cinco irmãos... Porém por não ter condições financeiras e psicológicas minha mãe acabou criando somente o meu irmão mais novo. Até meus seis anos fui criada por meus avós maternos. Além de minha mãe, minha avó tinha mais dois filhos, meu tio Luiz que era o mais velho e meu tio Paulo.
A adoção...
Na década de noventa infelizmente estava tendo muito tráfico de crianças para exterior e após denúncia ao Juizado de Menores de Araxa ficou decidido que eu seria adotada pelo meu tio Luiz que morava em uma cidade vizinha a nossa, sendo assim logo ele veio me buscar pra minha nova casa e assim partimos.
E naquele dia meu coração ganhou um pai e uma mãe , pois foi assim que instintivamente os chamei e chamo até hoje .
Minha irmã caçula ...
Numa família de já seis filhos ainda havia espaço pra mim em seus corações, mas minha maior emoção foi ao saber que minha irmã caçula já sabia de minha vinda mesmo antes dos meus pais, como que por instinto ou dom divino ela sempre falava que ganharia uma irmãzinha e tudo que lhe era dado pra comer ou brincar ela me citava em suas falas, sempre guardava metade de tudo porque sua irmãzinha estava vindo, mesmo meus pais adotivos falando que não teriam mais filhos ela insistia até que um telefonema confirma tudo aquilo que minha caçulinha previu aconteceu.
Adolescência complicada...
Meus pais me criaram na doutrina cristã, íamos à igreja duas vezes por semana, sempre os seguia com muito gosto. Na escola sempre fui inquieta, desatenta porém nunca repetia de ano.
Éramos seis filhas e um filho, e desde que me lembro sempre fui muito ligada ao meu irmão, adorava aprender as coisas com ele, mas também brincava com minhas irmãs. Na minha adolescência fui um pouco rebelde pois logo que fiquei moça já queria namorar, porém apesar de apressadinha eu era muito ingênua e assim meus pais conseguiram me segurar até meus dezoito anos , aí tudo começou.
O casamento.... Wagner
Me casei com dezoito anos e oito meses, apesar de ter sido simples foi tudo bonito, meu vestido de noiva era perfeito em meu corpinho miúdo ( pesava apenas 49 kg na época).
A cerimônia foi somente no cartório de registro civil pois devido a nossa doutrina não casamos em igrejas, mas fiz tudo bonitinho, vestido branco com pequenas pérolas, um buquê de rosas vermelhas maravilhoso e padrinhos.
Porém não durou muito pois devido a problemas psicológicos não consegui consumar meu casamento e após dezoito meses de tentativas frustradas resolvemos nos separar . Voltei a morar com meus pais e assim fiquei por mais alguns meses e resolvi voltar pra minha cidade natal. Nesses quinze anos que vivi com meus pais adotivos voltamos a ter contato com minha mãe biológica pois ela havia se casado e morava com meus avós e portanto voltei a morar com eles. Aí tudo mudou, me deixei levar por tudo aquilo que nunca havia feito devido a minha criação religiosa. Cortei e pintei meus cabelos , comecei a usar calças e shorts ( nunca havia usado) aprendi a gostar de bebida alcoólica e ir a boates pra dançar até que conheci meu segundo marido.
Ricardo ...
Trabalhava como atendente em uma loja de variedades, lá conheci Ricardo, me encantei por aqueles olhos verdes, sua voz era linda, assim que me dirigiu seu primeiro sorriso me apaixonei. Em quinze dias de namoro recebi convite pra morarmos juntos, me senti amada, porém receosa contei a ele de meus problemas psicológicos e me surpreendi com a resposta: Temos várias formas de fazer amor ... mergulhei de cabeça nesse relacionamento.
Foram três anos de casamento (falo casamento porem como eu ainda não havia conseguido divórcio não poderia me casar no civil portanto só morávamos juntos) . Porém descobri que o sentimento dele não era amor, mas sim posse, em poucos meses nos mudamos pra Uberaba . Aqui me senti em casa, parecia que havia nascido nessa cidade, logo arrumamos emprego porém devido a excesso de ciúmes acabamos por nos separar e minha vida sexual continuava na mesma pois mesmo sem ser completo ele não aceitava o fim do relacionamento, passamos mais de ano em quartos separados acostumados com a companhia um do outro, talvez por falta da família fomos levando nosso relacionamento até que não dava mais e assim lá estava eu solteira e virgem ainda com meus vinte e cinco anos, foi aí que desisti de me relacionar, não queria mais magoar ninguém e nem criar falsas esperanças.
Neto...
Solteira e com bom salário comecei a frequentar boates, churrasco com amigos e até arrumei uma amiga pra dividirmos apartamento e acabamos nos tornando como irmãs... minha vida era trabalho e baladas e foi assim por alguns meses até que o destino colocou uma pessoa no meu caminho que eu nunca imaginei me relacionar, não só pelos treze anos a mais que eu, mas pelo perfil dele , um pouco calvo, aparência descuidada. Mas a convivência foi nos aproximando e aquela corrente que eu arrastava desde meus dezoito anos ele conseguiu quebrar ( se é que me entendem kkk).
Não sei se por gratidão ou carência mais uma vez mergulhei em um novo relacionamento, primeiros meses me senti uma princesa, faltava pouco adivinhar meus pensamentos, porém após um ano de casados ( meu divórcio havia saído porém não nos casamos no civil) tudo mudou, aumentou a bebedeira, as discussões, passei a ser tratada da pior maneira possível sendo constantemente humilhada devido ao meu aumento de peso, com tudo isso eu passei a ficar cada vez mais descuidada pois por mais que me arrumasse sempre escutava críticas então me afastei de espelhos, balanças me isolando aos poucos. Foram mais três anos da minha vida e eu já desistindo de ser feliz, cansada de tentar agradar fugi literalmente desse relacionamento, estava decidida a viver só. Após muitos conselhos de amigas comecei a me cuidar, voltei a me arrumar, curtir minha vida.
Wellington...
Aproveitei mais a vida, foram dois anos trabalhando e passeando muito até que através de um grupo de whatsapp conheci o Wellington. Após vários dias trocando mensagens resolvemos nos encontrar, nessa época eu havia me mudado pra cidade do Prata e ele morava a setenta km. Nos conhecemos e iniciamos um namoro porém devido a distancia comecei a ter problemas com folgas e pedi demissão e acabei voltando pra minha cidade natal, voltei a morar com minha mãe biológica , sempre mantendo contato com meus pais adotivos pois sempre tive eles em primeiro lugar, tinha e tenho muito respeito e gratidão por tudo que fizeram de mim.
Em menos de mês de namoro em um de nossos encontros eu não retornei, arrumei um emprego e fomos morar junto. Ele tinha dois filhos um casal, me aceitaram muito bem, eu cuidava deles em suas visitas como se fossem meus, Wellington era diferente de todos meus ex , muito sistemático, acho que devido sua infância difícil somente ele a mãe e uma irmã que não morava com eles mas sim com uma madrinha em outra cidade ele não sabia demonstrar sentimento chegava até ser egoísta em alguns sentidos, mas com quatro meses após o início de nosso relacionamento sofremos um acidente de moto que me deixou debilitada por dois anos sem conseguir trabalhar devido a problemas na minha recuperação e ele foi meu porto seguro, foram dois anos de muita luta entre consultas fisioterapia exames até que fui diagnosticada com depressão transtorno de ansiedade, sendo assim além de ortopedista eu fui encaminhada ao psicólogo e psiquiatra.
Nos mudamos pra minha amada Uberaba, fui liberada pelo ortopedista e logo voltei a trabalhar. Passado alguns meses após muito estudar Wellington prestou um concurso federal e ficou entre os primeiros selecionados, saindo uma vaga para o Mato Grosso, apesar de ficar feliz por sua conquista devida a enorme distância eu não quis acompanha-lo , eu não suportaria ficar tão longe de minha família. Decidimos então nos separar após pouco mais de três anos juntos .
Chegaaaa...ops... Tiago
Realmente me dei conta que o problema deveria estar em mim, após quatro relacionamentos e nenhum passar de quatro anos eu deveria realmente ser o problema e assim lá estava eu solteira e decidida a continuar assim.
Livre leve e solta, trabalhando muito, quase pirando pois fiquei sem plano de saúde e consequentemente sem minhas terapias e remédios. Estava me afundando, realmente já avistava o fundo do poço quando mais uma vez o destino me surpreendeu, porém a surpresa foi enorme pois Tiago apareceu na minha vida pra literalmente me fazer pagar tudo que eu não suportava em um homem, barba grande, aparência de malandro( apesar de trabalhar mais de quinze horas por dia) as gírias etc... Mas foi nesse ser tão diferente de tudo que eu admirava que eu encontrei o amor, foi nele que vi meu futuro. Diferente de todos meus relacionamentos anteriores com ele não tive pressa, não tive insegurança. Namoramos por nove meses, Tiago tem duas filhas, a mais velha Jennifer que morava com a avó e a mais nova Yasmim que mora com a mãe em outro estado. Assim iniciamos um relacionamento diferente de tudo que já havia vivido, com nove meses de namoro resolvemos morar juntos e formamos nossa família pois Jennifer veio como uma luz na minha vida, apesar da pouca idade( pouco mais de doze anos) ela se tornou mais que filha pra mim, hoje me orgulho em dizer que somos mãe e filha, melhores amigas, confidente. Com três anos de casados descobri que estava grávida, foi um.choque pois quem me conhece sabe que devido aos meus traumas eu tinha pavor de ter filhos por medo do parto,mas aceitei minha gravidez e comecei a me cuidar pois devido a idade e meu excesso de peso era considerada uma gravidez de risco , porém antes da oitava semana tive um aborto espontâneo e perdi meu bebê e me afundei novamente em uma depressão profunda e mais uma vez Tiago me puxou do fundo do poço, voltei a trabalhar e pouco depois fui diagnosticada com transtorno bipolar, mas não me abalei , continuei seguindo a vida comecei a me erguer novamente graças ao meu malinha, pois apesar da aparência de bruto quem o conhece sabe do imenso coração que ele tem. Hoje estamos indo pra cinco anos de relacionamento,sem brigas, sem discussões, sempre revolvendo tudo com diálogo paciência e muito respeito. Minha princesa está caminhado pra dezessete anos e sinto que logo vai querer voar sozinha, mas temos total certeza que demos uma ótima base pra ela se apoiar sem ter medo de alçar seus vôos . Tiago e eu lutamos juntos pra alcançar nossos sonhos e apesar de ainda não ter superado meus traumas sei que ele foi colocado na minha vida pra me salvar, pois o amor que sentimos um pelo outro é o que me faz continuar a querer viver a querer lutar por mais um dia, sou muito grata a Deus por tudo pois sou a prova que o amor cura qualquer ferida.!!!
Muito obrigada !!