E estranho como todo mundo pode fechar os olhos e lembrar sobre um alguém que mexeu tanto com a gente que depois que essa pessoa partiu de nossa vida, ainda ficamos com resquícios dela, do seu cheiro... principalmente quando estamos andando na rua e alguém passa usando um perfume minimamente parecido, e tudo volta como se nunca tivesse ido. ou o tom da voz, o tom melodioso que usamos quando estamos apaixonado, o estilo de roupa tudo, literalmente tudo se torna um gatilho de um alguém que esteve ali, e que definitivamente não está mais.
uma vez eu prometi a mim mesma que não confiaria meu coração a ninguém, porque para alguém acostumada a perder todos que ama, oferecer seu coração para uma pessoa, é o mesmo que oferecer uma arma mirando sua cabeça e confiar que a pessoa não vá apertar o gatilho.
Porém eu não cumprir a minha promessa, uma vez uma única vez quando ainda jovem demais, me permitir confiar, e eu amei de um jeito tão eu que quando tudo terminou, a cada canto que fui, a cada passo que dei... tudo me fazia lembrar dele.
Ele era dois anos mais velho que eu, e nos conhecemos no ponto de ônibus, todo dia conversávamos, sobre o dia, sobre o calor e sobre nada... até que me peguei um dia falando por todo o caminho sobre um livro que tinha lido, e ele ficou curioso, me perguntando sobre o que havia acontecido no final, e eu claro desesperada por atenção continuei, e foi assim por um tempo, até que um dia percebi que ficava ansiosa pra conversar com ele, que ficava triste quando ele não estava no ponto, foi quando percebi que não sabia nada além do nome dele, e que se ele simplesmente parasse de pegar a mesma linha que eu, nunca mais nos veríamos, foi assim que no dia seguinte pedir o número dele.
e por dois meses todos os dias conversando, ele mandava foto do cachorro que ele tinha, e eu as fotinhas dos meus gatinhos, as vezes sem motivos ficava ansiosa com o pensamento de perder aquela amizade que estava formando, porém não fazia sentido aquela sensação de perda, porque éramos bons amigos e até marcamos de sair, ele conheceu meus amigos, e eu conheci os amigos dele, e sinceramente eu acabei gostando e muito deles, menos de uma garota que pelo que sabia tinha sido no passado namorada dele, foi assim que em uma conversa com minha amiga, eu contei sobre como eu não gostava do jeito que essa garota ficava se jogando pra cima dele, sobre o quanto ele era incrível, e que estavamos até mesmo assistindo anime juntos. minha doce amiga como sempre perspicaz, percebeu na hora que eu estava gostando dele, não como amigo, e sim como um interesse amoroso, e claro eu neguei, neguei e neguei, até que um dia marcámos todos de irmos a um rodízio, e claro que a amiga dele iria, eu fiquei super irritada do momento que nos encontramos até metade da noite, quando ele começou a ignorar a garota pra ficar conversando comigo.
por um ano ficamos nessa de amizade, até finalmente ele se declarar... bem no modo dele, depois de encher a cara com os idiotas dos meus amigos, foi incrível... até que terminou.
no caso eu, afinal isso é muito meu estilo, quando eu começo a gostar demais, a amar, a sentir a necessidade de estar com a pessoa, algo em mim me obriga a deixar a abandonar, fugir como a maldita covarde que sou.
porém eu sabia disso sabia que seria uma péssima namorada, que no primeiro sinal de compromisso sério eu fugiria.
Eu sempre soube que seria um péssima namorada, que eu acabaria destruindo a pessoa com quem me relacionaria, e seria uma destruição tão lenta e bela que ele nem perceberia
Uma destruição que você só percebe quando já não tem mais volta
Eu seria aquela que o levaria a parques, levaria a livraria e o faria cheirar os livros novos, eu o acompanharia em uma caminhada a tarde sem um destino correto, eu o faria sentar debaixo de uma árvore e o ouviria falar, e que falaria sobre os livros que li, as aventuras que só vivi nas páginas,
Eu seria aquela que o sujaria com farinha enquanto cantava desafinada, próximo do fogão
Eu seria aquela que mostraria as receitas loucas que ironicamente dão certo, que eu já criei
E seria aquela que roubaria o último KitKat, apenas pra dar um pacote inteiro depois, apenas para não me sentir mal, que o faria esperimentar biscoitinhos amanteigados com chá, e o faria entender a complexidade dos feéricos de cada autor que já li
Eu seria aquela que combinaria roupa, só pra trocar de última hora, que ligaria falando sobre todos assuntos aleatórios possíveis, seria aquela que o faria amar o gosto amargo do café, s se encantar com os gatos.
Eu o faria admirar a arte das pequenas ações que ficam bem em fotos, eu seria aquela a acompanhar nos planos loucos
Faria as piadas mais idiotas
Contaria cada pintinha em seu corpo e depois as beijaria
Falaria sobre o futuro, como se ele estivesse a pouco de acontecer
O faria sonhar junto
E deixaria um música em sua cabeça
Desenharia ele, em versões mais diferentes
E escreveria sobre nós
Eu seria aquela que o tiraria da zona de conforto e o incluiria na minha
Eu seria aquela que se entranharia em seus objetivos, sonhos e desejos.
Seria aquela que o desejaria como louca e o faria entender minha necessidade de o ter
Eu seria a sua escolha mais correta e sincera,
E entenderia quando era a hora de esperar,
Eu seria aquela que o faria gostar de admirar a lua
De olhar as estrelas e desejar
E eu seria aquela que terminaria sem explicação.