Por muito tempo eu anseio encontrar o cavaleiro que puderas me liberta desta torre, em outras histórias, talvez, eu poderia ter esperado o meu cabelo crescer para poder fugir, mas, meu coração grita por um robusto rapaz que há de me salvar, meu coração grita para que em seus enormes braços eu poderei descansar em paz, meu coração grita para que enfim eu seje amada, esperarei aqui nessa janela todas as noites, para assim ver a face daquele que eu hei de amar do fundo do meu coração, confesso que a angústia de que talvez demore mais do que minha vida permite me deixa desconcertada, mas as esperanças eu não deixarei morrer.
Em uma certa manhã, acabei por ouvir barulhos estranhos do lado de fora de minha janela, como eu estava achando peculiar tais barulhos, decidi ir ver o que estava acontecendo, em meio à um pequeno acampamento não muito longe da torre, se encontrava ali!O homem de meus doces sonhos, porém, logo aparecera uma moça, não muito bonita, ela era manca, muito magra e tenho certeza de que ela nem conseguira cuidar da própria aparência, pelo o menos, não saberia como começar, entretanto, aquele jovem maravilhosamente belo estava a acompanhando, ao ver os gracejos que ele jogava em cima dela, eu não pude deixar de ranger os dentes de frustação:
-Como um homem tão belo fica com alguém tão desmerecedora?Por que ele simplesmente não vem ver o que o alto da torre possui?
Simplesmente não poderia descer da torre, se eu pudesse, com certeza iria pular em cima daquela pirralha sem graça e me atiraria nos braços de meu amor, mas como nada podia fazer, apenas me torturei vendo aquela cena pavorosa de afeto, quando escureceu, eu vi que o meu amor foi juntar lenha, enquanto aquela sem-sal se sentava ao lado da fogueira com um livro que de lonje pude reconhecer "O Grande Amor De Lucinda":
-Devo admitir, pelo o menos possui um bom gosto para livros.
Não demorou muito para que meu amor chegasse com um grande punhado de lenha e alguns peixes, que ele deve ter pescado do lago não muito longe daqui, acabei por jantar com eles, eu da minha janela com uma canja de legumes e cogumelos, eles com os peixes que pescaram, após a refeição me retirei para poder dormir.
Na manhã seguinte, novamente fui espiar aquele amor tão horroso que eles possuíam, primeiro a sair da barraca foi a feiosa, ela estava toda alegre limpando a sujeira da fogueira e depois foi preparar a refeição do meu amor, ela tomava cuidado para não deixar a comida fervendo por muito tempo, porque senão o caldo ficaria muito grosso:
-Pelo o visto, também sabe cozinhar, interessante.
Depois que o caldo estava pronto, vi o meu amor sair da barraca, ele estava com os cabelos despenteados e com a expressão de sono, logo a mocinha pegou uma concha e uma cuia, colocou delicadamente a refeição do meu amor e depois foi se servir, eu peguei um pouco de salada de frutas e fui comer os vigiando novamente, depois disso eu continuei à observa-los por um tempo, de novo, ele a tratava como se fosse sua rainha e ela corava com o tratamento de afeto, não aguentando ver aquilo, comecei a arquitetar um plano para poder me libertar, dia após dia eu via eles se gracejando e enquanto isso, eu tentava cada vez mais me libertar de minha prisão, até que um dia, eu finalmente consegui me libertar, corri pela floresta até encontrar o acampamento deles, mas...
-ARGH!Pare com isso!!!
-Sua imoral, como você ousa!
Não pude acreditar no que via, e-ele estava batendo nela?Foi uma visão horrível, a jovem babava sangue enquanto aqula desgraça a segurava pelos cabelos, senti tanta pena da coitada, que não pude evitar de sentir pena dela, ele estava irreconhecível, sua expressão de furia e seus músculos rígidos para bater na menina, simplesmente pavoroso, acabei por não aguentar e intervi:
-Pare com isso!Ela não merece esse tipo de tratamento!
-Mas olha só o que temos aqui, essa sim possui valor.
Esse asqueroso me agarrou, tentou me beijar, mas na hora eu o chutei e o soquei, acabou que o que eu treinava para usar nela acabei por usar nele, ela se prostava assustada, apenas assistindo o seu namorado sendo espancado por uma completa desconhecida, consegui no final o deixar desacordado, eu a peguei pela a mão e mandei ela arrumar as suas coisas, nós nos mandamos para de colta para minha torre, ficamos assustadas demais para sequer fugir para mais longe.
Agora não estou mais sozinha em minha torre, vivo com a jovem e confesso que é bem melhor ter uma amiga, do que um ser repugnante como aquele.