Minha família sempre foi um pouco problemática,mas eu não me importava com isso,pois já estava acostumado. Digo problemática em termos de sempre que todo mundo se reunia havia brigas e muita confusão, isso pode parecer normal, porque família é assim mesmo,mas não com a minha,era diferente, as coisas saíram do controle quando o meu tio esfaqueou o meu irmão,apenas por causa de uma discussão besta sobre futebol. Ele não morreu,se é o que quer saber,apenas teve que fica um bom tempo no hospital, minha mãe estava realmente irritada,queria denunciar meu tio, até porque o que ele fez é um crime,mas minha avó a impediu, disse que não precisava de tanto,que era apenas uma discussão besta,mas foi aí que decidimos parar de fazer as reuniões, já que sempre acontecia algo ruim, minha avó discordou, disse que a reunião familiar era sagrada,e que não deveria ser "suspensa" mas depois de um tempo convenceram ela. Eu achei um máximo, sempre era obrigado a ir e sempre odiava está ali,mas depois de um mês sem reuniões,algumas coisas ficaram estranhas,como a maioria da família ficar doente de repente, e não era uma doença qualquer,como uma gripe, ninguém nem sabia o que era,eu fui o único que não peguei a doença misteriosa, não sei porquê, a doença era bem estranha, e eu tinha muita medo de pegá-la, então ficava o dia inteiro trancado no meu quarto, só saia para ir a escola, minha avó decidiu que tinhamos que voltar com a reunião familiar,eu achei bem estranho,todos estavam doentes, não deveriam poupar forças? E por que a minha avó insistia tanto em fazer essa reunião, não era nada demais, a não ser um monte de gente brigando. Eu disse a minha mãe que não iria, porque eles estavam todos doentes,e iam acabar passando para mim, disseram que ninguém poderia faltar, e que era melhor eu ir de máscara então. Assim fiz, novamente fui obrigado a ir, minha mãe sempre consegue me trazer é impressionante, dessa vez foi diferente, não teve nenhum tipo de confusão,eles só ficaram dentro de uma sala rezando, eu achei bem estranho, porque raramente eles fazem isso, falei pra minha mãe,que não iria rezar com eles, mas algo me intrigou, minha mãe foi até meu ouvido e sussurrou
_ " Nem mesmo se quisesse eu deixaria você entrar naquele lugar "
Foi aí que eu percebi que a minha família estava muito estranha, todos estavam aflitos pelo o meu aniversário de 18 anos, que seria em 3 dias, eu já não conseguia dormir,porque ficava apenas pensando,no porque a minha mãe ter dito aquilo,era só uma sala de oração normal né? Era isso que eu pensava,era isso que eu queria acreditar. Dois dias se passaram, agora meu aniversário estava mais perto, não iria me importar tanto,se não fosse os meus familiares, aquilo já estava me estressando e eu não obtinha as respostas que procurava, então tomei coragem e fui questionar minha mãe, que estava fazendo um bolo na cozinha.
_ " Mãe, por que todo mundo está tão nervosos com o meu aniversário ?"
Ainda mexendo o bolo,sem nenhuma atenção na conversa,ela me responde
_ " ah filho..deve ser porque vão sentir saudades de quando você for embora "
_ Mas mãe, não pretendo ir embora agora, ainda preciso arrumar um emprego "
Depois disso ela apenas ingnorou minha fala e voltou a mexer o bolo
_ "Esse bolo é pra mim?"
Perguntei curioso já que a página do meu bolo favorito dos livros de receita estava aberto
_ " sim.. amanhã vai ser um dia muito especial para você filho"
Disse enquanto esboçava um sorriso
Voltei pro meu quarto com a certeza plena que havia algo muito errado com todos, minha mãe é sempre tão agitada,e extrovertida, além de ser uma cozinheira de mão cheia, sempre soube fazer todo tipo de comida,era muito estranho ver ela seguindo um livro de receitas. eu ainda não sabia o que estava de errado com a minha família e por isso estava com medo que o amanhã chegasse,mas ele chegou. Não preguei os olhos a noite toda,pensei em possíveis coisas que poderiam acontecer hoje,mas na verdade não acreditava em nenhuma delas, então tomei coragem e fui me arrumar para a minha " festa" tomei banho, peguei qualquer roupa do agrado de minha mãe e desci, todos estavam prontos já, apenas me esperando, ninguém me desejou " feliz aniversário" mas nem importei, porque a última coisa que esse aniversário séria é feliz, então logo nos chegarmos na casa da minha avó,o lugar que sempre acontece essas reuniões, todos mais tristes que nunca, pareciam que estavam em um velório, mas minha mãe em específico parecia meio nervosa, só via ela surrando algumas coisas para mim vó,elas pareciam irritadas,tentei me aproximar mas escutei pouca coisa,porque logo depois elas perceberam que eu queria ouvir a conversa, a única coisa que eu ouvi,foi minha vó dizendo
_" Você não acha que dói em mim também? não se esqueça que eu também já passei por isso!!"
Eu já não aguentava mais tanto mistério, porque eles estão tão estranhos ? Eu sabia que se continuasse parado não iria obter nenhuma resposta, então aproveitei que todos estavam focados em outras coisas e decidi entrar naquela sala, entrei e ela era bem bizzara,para variar,mais uma coisa estranha,nem ficava surpreso mais.
Ela tinha uma iluminação vermelha,como aquelas salas que são usadas para as fotos Polaroid serem secadas,o que fazia o lugar ser meio escuro, mas o mais bizzaro do lugar era o altar de Santos, não reconhecia nenhum deles,mas algo me chamou atenção, ouvi um barulho que era similar a de um choro,mas parecia esta abafado, procurei pelo o cômodo e na segunda sala achei uma porta que era meia escondida, tanto que para você entrar no cômodo você deveria entrar engatinhando, caso fosse alto, sabia que o choro vinha dali, então quando entrei por completo, percebi que o choro era de uma criança, ela era bem pequena deveria ter entre 7/8 anos,entrei em desepero,não sabia o que fazer, uma criança estava amarrada na minha frente,e provavelmente isso era obra da minha família,eu não poderia simplesmente tirar ele de lá e passar com ele na frente de todos, então desamarrei ele e tentei acalma-lo,mas tudo que ele sabia dizer era que queria sua mãe, então depois de acalma-lo um pouco pedi para que ele ficasse embaixo do altar escondido
_ " escute só,fique aqui e não saia por nada,entendeu?"
Ele acentiu com a cabeça
Voltei pra " festa" e todos estavam a minha procura, dessa vez eles estavam meio felizes, perguntei o motivo da felicidade e apenas mudaram de assunto,eu estava pensando em maneiras de ajudar o garotinho,mas sem chance,todos estavam sempre ao meu redor, então tive uma ideia,era arriscada mas valia,peguei o esqueiro e taquei fogo no sofá da sala, enquanto todos tentavam apagar o fogo dentro da casa,eu peguei o garotinho no colo e sai o mais rápido que pude de dentro da casa,para ninguém perceber,como dariam a minha falta simplesmente,pedi para o garoto correr até achar alguém e pedir ajuda,assim ele fez,fiquei aliviado que ele estava a "salvo" mas lá estava eu,com a família que sequestrou uma criança para fazer sei lá o que. Voltei pra dentro da casa para não darem falta de mim, conseguiram apagar o fogo a tempo,eu já sabia que iriam conseguir pois o tecido da capa de sofá não iria queimar por muito tempo, então todos voltaram para fora.
_ " como um incêndio acontece assim do nada?"
Para disfarçar entrei na conversa
_" É Mesmo né,mas tem certeza que não deixou nenhuma vela acesa e se esqueceu"
_"absoluta, posso estar velha mas não caduca "
Percebi que um dos meu tios entrou na sala de altar, então era questão de segundos até descobrirem que o garotinho sumiu,assim foi, depois de um tempo meu tio saiu de dentro da sala, gritando que havia sumido, meus familiares entenderam e perguntaram como, já que ele estava amarrado,eu fingi que não sabia de nada e perguntei
_" sumiu o que tio ? o que estava amarrado?"
Minha mãe tentou disfarçar dizendo que era um cachorro,mas meu tio olhou pra mim e disse
_" ele estava amarrado,era impossível ele sair de lá e ainda sumir por questão de minutos assim,a não se que alguém o ajudou"
_"E-u não fiz nada,do que vocês estão falando ?"
*Retruquei
"Você foi o único que não estava na sala tentando apagar o fogo, não finja que não sabe!!"
Todos olharam pra mim,e foi medonho, minha mãe gritando diz
_"Idiota! Se tivermos sacrificado ele não teríamos que fazer isso com você"
Eu estava muito confuso,por mais que não havia dúvidas que a minha família participava de uma espécie culto,bom pelo menos era isso que parecia.
Mas era pior,ele não só participavam,eles era os criadores daquilo tudo,e como prova de devoção,eles sempre sacrificavam o filho mais novo no seu aniversário de 18 anos, mas parece que eu iria ser uma exceção, não sei por que mas minha família queria sacrificar uma criança no meu lugar.
Então em vez de ficar ali eu corri, até ser acertado por algo em minhas costas.
Quando acordei estava amarrado, estava de noite, meus familiares estavam a minha volta
_"Que pena que acordou filho, não queria que estivesse ciente nesse momento"
_"...eu não quero fazer isso"
*Minha mãe disse deixando a estaca de lado*
Minha avó pegou a faca dizendo
_" Depois de anos sabendo o que tinha que fazer,vai fraquejar agora? "
_"Então..deixe que eu faço!!"
*Ela pega a estaca irritada*
Fim!