Khosme Junqueira Salles e o seu Nicanor
Khosme Junqueira Salles, mais conhecido como Sr Salles, sabe aquele cidadão tranquilo, de olhar sereno, de sorriso fácil, boa conversa, raciocínio lógico perfeitos, boa praça, assim defino nosso grande amigo Salles (um grande amigo de infância).
Embora Salles tivesse esta vasta gama de qualidades e virtudes, ele também tinha seu lado Urso, nervoso, lampião e seus 3 minutos de Mike Tyson, o homem era bravo.
Na época de molecada ele tinha o apelido de sulfite, era branquinho até umas horas que chegava a ser quase transparente, nos momentos de timidez parecia uma maçã de tão vermelho que ficava, a vida foi seguindo e por diversas vezes seus amigos sem stress, presenciaram certa dificuldade que ele tinha em andar, meio manquitolando tipo songão mas sempre devagar a passos de tartaruga, em determinado momento ele calçava seu sapato igual uma sandália já nem estava aí se fosse estragar ou não, pois ele não aguentava ficar muito tempo calçado, isso foi por muitos tempo e anos praticamente a juventude toda.
Salles tinha uma anomalia no pé direito que não lhe permitia calçar um sapato ou tênis da forma correta, não dava para correr, andar rápido e jogar bola, nem pensar. Quando passava pela rua com aquele jeitão songão parecendo um Lobisomem, sempre tinha um que gritava:
__ Êh Salles, você tá dando mancada! (era só risadas, moleque sabe como são néh)
Conforme foram passando os anos, a coisa foi piorando, com o tempo o “calo“ do Salles parecia o sexto dedo, ele fazia questão de andar de andar sempre de chinelos, na impossibilidade, já tinha uns pares de calçados com uns furos, para que não incomodasse o seu sexto dedo e ele ficasse bem ventilado e confortável.
Se por ventura qualquer pessoa quisesse ficar inimigo do Salles era só dar uma raspadinha no calo (Nicanor) dele, nem precisava pisar em cheio, outro detalhe quando entrava no ônibus rapidamente tratava de colocar o seu calo (Nicanor) embaixo do banco para evitar alguns dissabores.
Naquela segunda-feira de manhã estava muito frio, Salles tomou seu banho, seu café e saiu para o trabalho, com muito custo chegou no ponto de ônibus e esperou por aproximadamente 15 minutos, enfim chegou a sua condução, ao entrar no ônibus que se encontrava lotado, Salles ficou um pouco apreensivo com o ônibus lotado e o seu sexto dedo exposto naquele corredor, mas logo um passageiro levantou e ele rapidinho tratou de sentar, a sua preocupação era com o “Nicanor” (apelido antigo que se dava às calosidades) foi tão grande que ele esqueceu de colocar o pé embaixo do banco, no ponto seguinte sobe uma senhora bem pesadona (bem roliça) e meia desajeitada, cada freada que o ônibus dava ela passava raspando quase zunindo no sexto dedo do Salles porém, chegou um momento que o motorista exagerou na velocidade e pisou fundo no breque, foi uma freada muito brusca, aquela senhora com a sua dificuldade física, foi pra frente, foi para atrás, tentou segurar mas não deu, seus braços não tiveram força suficiente e não aguentaram, ela com toda a sua carga corporal foi projetada pra cima do pobre “Nicanor“. O sexto dedo tomou aquela pisada cinematográfica, e o Salles ficou numa felicidade que até perdeu o rumo, cantou o hino da China de trás pra frente, suou muito, quase chorou e na sequência mandou um sonoro:
__ Aiiiii meu pé! “Sua vaca“! Segura essa merda! Porra!
Naquela altura Salles todo vermelhão, nervoso, já tinha perdido a linha, estava completamente fora de controle e continuou com o seu repertório de ofensas, chamando ela de fdp, vai se fu#*+, vai tomar no seu C*+ sua gorda casas da banha... E não se contentando em xingar, levantou desnorteado e deu bicuda no traseiro da senhora, conclusão, foram todos parar na delegacia. Salles estava fora de si!
Chegando lá no Distrito Policial, Salles com estava com a cara fechada, zero de sorriso, estava visivelmente irritado, afim de brigar, com o "Nicanor" latejando e mancando mais do que o normal, ficou sentado bufando igual um nelore quase espumando, aguardando para ser ouvido sem falar uma palavra.
A senhora dentro da sala do Dr delegado falava em voz alta que não estava entendendo aquela reação, só porque tinha dado um pisãozinho no pé daquele animal ele foi tão agressivo, tão mal educado que não precisava tudo aquilo, na opinião da senhora o Salles excedeu.
O delegado vendo que se tratava de um caso meio corriqueiro, conversou por mais alguns minutos e dispensou a dona que concordou em não prosseguir mais com a ocorrência, em seguida chamou o Salles, que levou quase 3 horas se arrastando para carregar aquele sexto dedo até a presença da autoridade, ao entrar na sala do delegado ainda com a cara de poucos amigos, óculos na ponta do nariz, suspensório e nenhum de sorriso nos lábios, foi convidado a sentar, ali permaneceram em silêncio enquanto o delegado colocava o papel na sua Olivett para registrar o depoimento do Salles.
O delegado quebrou o silêncio perguntando o porquê que o Salles tinha cometido aquele ato agressivo, Salles já com a bola mais baixa com um pouco de dificuldade esticou a perna e pediu para o delegado dar uma olhada no menino. Quando ele viu o calo do moço, arregalou os olhos ele falou:
__ Jesus do céu! O que que é isso meu amigo? O senhor precisa mandar amputar esse calo meu camarada! Deu uma pausa para esfriar e finalizou a conversa da seguinte forma:
__ Sabe Salles com todo respeito, com um calo deste tamanho, uma senhora igual aquela tivesse pisado no meu, no seu lugar teria feito a mesma coisa, aliás teria quebrado o ônibus inteiro, mas pelo amor de Deus, não repita isso novamente seu moco….. Pode ir embora e cuide dessa criança 😂 um grande abraço Salles!
OPoet@LuízKon'Z
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