Eu puxava as cordas as amarrando a madeira do navio, estávamos em alto mar, fazia três dias que saimos da terra firme e que tudo que tiamos pela frente era água e mais água.
posso dizer que sou um homem do mar, desde bem pequeno meu pai me levava para suas viagens deixando minha mãe preocupada, mas ela entendia que meu pai apenas queria me tornar o que ele era: um grande Capitão. Infelizmente não pude me tornar o que ele desejou por motivos fúteis que não desejo lembrar no momento. Mas, voltando. Gosto do mar. Não é atoa que vivo viajando em um navio a vários anos. Com meus 24 anos de vida, nunca pensei em algo além de trabalhar em um navio, juntar dinheiro e finalmente ter o meu próprio navio. Ser o capitão e ser o que meu pai sempre quis. Infelizmente ele não estará aqui para ver isto acontecer mas sei que ficaria contente.
Neste exato momento acontece uma grande tempestade, nunca vi igual. Sei que estamos passando por uma parte do mar perigosa, mas já passamos aqui várias vezes e nunca houve tal acontecimento. Existe uma lenda que fala que há cada cinco anos uma tempestade dessa ocorre, e que, no mar se abre o buraco onde tudo que estiver perto é puxado para dentro, dizem que existem homens (e mulheres) peixes, que assim que qualquer objeto que caia lá dentro é destruído por eles. Lendas! Nada mais que isso. Me preocupo mais com o que pode acontecer conosco. A água está forte, fazendo ondas enormes que se chocam a madeira fazendo com que o navio balance violentamente nos abrigando a nos segurar em algo.
Olho para o céu e vejo a escuridão, mesmo ainda sendo dia, está escuro como a noite, assustador!
- ACHO QUE NÃO CONSEGUIREMOS!
Um dos tripulantes diz, gritando pois o barulho não nos deixa ouvir bem. Olho na direção do homem que gritara a segundos atrás e o vejo se segurar ao navio olhando para baixo onde a agua se choca em tudo e em todos. Em um segundo ele está se segurando, e no outro é jogado com força contra os barris pela água. É como se estivéssemos sendo atacados. Penso que a lenda talvez seja real, não deveríamos ter vindo por esta rota.
- PARA DE FALAR BABOSEIRAS!
O capitão grita segurando a roda do leme a girando de um lado para o outro.
Me seguro mais firme na corda que amarrei minutos atrás prestando ateção em todos correndo e caindo, se segurando em tudo que podem, sendo arremessados pela a água. Sairemos vivos dessa?
Lembro-me de minha mãe neste momento. De quantas vezes ela me contou a lenda, de todas as vezes que disse sobre o acontecimento a cada cinco anos. Lembro-me dela dizendo que era um fenômeno maravilhoso, ela me contava uma versão diferente da lenda que ouvi tantas vezes todos falarem. Talvez ela me contasse de uma forma diferente para que eu não me assustasse, oras eu era um garotinho de oito anos, acreditei na história dela, mas olhando agora o estado que me encontro devo dizer que esta versão da lenda que todos falam e que ela tanto negou me parece mais real, se é que a lenda é real.
Vejo que um dos marujos que se segurava ao meu lado estava em apuros. A corda em que ele se apoiava arrebentava pouco a pouco, ele iria cair no mar. Desperado gritei para poder avisa-lo antes que fosse tarde demais.
- TOME CUIDADO! A CORDA EM QUE ESTÁ SEGURANDO IRÁ SE PARTIR!
Ele me olhou e depois para a corda. Estiquei minha mão para puxa-lo para perto de mim para que pudesse se segurar na mesma corda que eu. Ele esticou a mão e eu o puxei, na mesma hora uma onda forte se chocou em nós, felizmente ele já segurava firme na corda, infelizmente eu não. Me desequilibrando cai na água, as ondas eram fortes, não tive como nadar de volta ao navio. Eu estava afudando, meu corpo se debatia lentamente a agua entrava em minha boca. Senti meu olhos arderem pois queria chorar, tentava gritar mas minha voz não saia. Ainda de olhos abertos via que eu era puxado cada vez mais para o fundo, meu ar sumia, mas antes que eu pudesse desmaiar vi alguém se aproximar de mim e uma mão segurar a minha.
Não vi muito bem pois meu desespero não permitia, mas parecia um homem, ou era uma mulher? Seus cabelos eram longos e ele parecia está sem roupas. O que aquela pessoa fazia no mar naquela situação. Não era nenhum do navio que eu estava, era alguém nunca visto por mim. O que fazia tão fundo no mar, ele ou ela morreria sem ar assim como eu.
Não consegui mas pensar em nada pois desmaiei não vendo nem sentindo mais nada.
Acordo em uma cama, sinto minha cabeça doer e também que meu corpo ainda está molhado. Me sento na cama e percebo que estou em um dos cômodos do navio. A porta está aberta e posso observar um pouco do que acontece lá fora.
- Este é o navio em que eu estava antes do acidente! - Murmuro para mim mesmo. Levanto-me da cama e devagar saio para fora, ainda estou tonto e por isso me seguro nas paredes de madeira. Ao sair, vejo os tripulantes andarem de um lado para o outro arrumando a bagunça que a tempestade havia causado.
Ainda era dia, acho que se passou apenas algumas horas. Ando em volta me sentindo confuso até que sem querer tombo em alguém.
- Olhe por onde anda, garoto. - Um dos homens fala. Não lembro seu nome mas sei que foi o mesmo que foi jogado nos barris pelas ondas quando elas entravam no navio.
- Desculpe - Saio de sua frente e ele passo por mim segurando alguns objetos que devem ter caído.
Ando um pouco mais e vejo o rapaz que eu ajudei. Não conheço muitas pessoas daqui mas percebo que ele deve ter minha idade.
- Olá - Falo e ele me olha.
- Ah, você é o homem que me ajudou ontem! - Ele sorri e o olho confuso. Ontem? Pensei que só haviam se passado algumas horas. - Você caiu na água, como se salvou? Tentei ir ajudá-lo mas tive medo que ao me soltar acabasse caindo na água também. - Sua expressão mudou para preocupado. - Você está bem?
- Si-Sim! - Um pouco sem saber o que pensar o respondo. - Você sabe quem me salvou? Eu não lembro de muito, desmaiei pouco tempo depois de cair no mar.
- Não sei, sinto muito.- Era óbvio que ele não saberia já que estava me perguntando como eu estava.
- Tudo bem - Sorri sem mostrar os dentes. - Qual seu nome? - Pergunto pois sinto que ele é diferente dos outros.
- Mik.
- Mik?
- Sim! Bom, esse é meu apelido. Eu não sei meu nome verdadeiro, não tenho pais. Então todo mundo me chama assim. - Deu de ombros.
- Oh! Sinto muito. - Digo surpreso. Não imaginava que ele também não tinha pais, mas diferente de mim não os conheceu, já eu tive a sorte de conhecer e conviver com eles.
Mik apenas sorri dando-me a clara certeza de que não é nada demais o que eu disse (mesmo que seja), também sorrio aliviado por não ter tocado em um assunto delicado.
- Você trabalha muito tempo com isso? - O pergunto depois de ficarmos calados por uns minutos. Enquanto eu pensava no que falar com ele o ajudava a amarrar as cordas que se soltaram do navio.
- Com o quê? Em um navio?
- Sim.
- Não tanto tempo assim. Sabe, comecei nisso por não ter outra escolha, precisava de um trabalho e este foi o único que me apareceu. Não gosto muito de ficar no mar, me sinto assustado. - Ele fez uma cara assustado e depois sorri, mas seu sorriso logo some e ele me olha estranho. - Mas por que esse interesse todo em mim? Pelo pouco tempo que trabalho com isso percebi que ninguém aqui é amigo de ninguém e que todos são grossos uns com os outros e só conversam por não terem o que fazer.
- Sou diferente. - Sorri. - Também percebi isso, mas sério, eu quero ser eu amigo. Você me parece diferente dos outros, assim como eu.
Ele me encara por poucos segundos antes de sorri.
- Também acho você diferente. E sim, quero ter você como amigo! Será ótimo ter alguém para conversar.
Conversamos por longos minutos, acho que horas. Mas uma coisa não saía de minha mente: quem me ajudou? Como vim parar aqui outra vez? Fico em dúvida. Encarando o mar escuro, este lugar é sempre escuro, eu penso em tudo. Poderia inguinorar mas realmente quero agradecer quem me salvou.
Vejo o capitão passar por perto de mim. Mik tinha ido buscar seu jantar que estava sendo servido. Normalmente jantamos antes do sol se pôr, pois precisamos está prestando atenção em tudo a noite. Dividimos o trabalho ao meio, metade da tripulação faz a vigia até meia noite e a outro da meia noite para o dia, para que não aja nenhuma surpresa como: um ataque de piratas. Por isso jantamos todos cedo, para que os que não vão vigiar durmam cedo para começar a trabalhar a meia noite. Ando até o capitão que estava parado observando a lua, fico ao seu lado esperando que ele perceba minha presença e assim que isso acontece e ele me pergunta o que quero eu respondo:
- Eu queria saber se o senhor sabe quem me salvou da água. Acho que deve saber que... Ontem no meio da tesmpestade acabei caindo para fora do navio.
- Sim eu sei disso - Ele me olha já que antes olhava para o céu. - Mas não sei como você foi salvo.
- Como assim? - O pergunto confuso.
- Você estava jogado aqui dentro desmaiado, completamente molhado. Um dos homens disse que viu você cair e pensamos que estava morto.
- Ah... - Não sei o que dizer. De repente uma memória vem em minha cabeça, acho que sonhei com isso, não entendo, me parece tão real. Tinha um peixe me obervando, ele me puxava? Que sonho maluco eu tive. Lembro-me que alguém me salvou mas parecia um peixe. Devo ter batido a cabeça. - Obrigado por me explicar. - O agradeço e me afasto. Ando um pouco indo para a outra ponta onde fico a observar a água. Estamos parados, mas vejo uma movimentação rápida embaixo da água, uma calda, é um peixe. Me assusto quando sua calda aparece fora a água, está escuro mas pelo brilho da lua posso ver um pouco.
Seja lá que peixe for deve ser enorme, não é algo pequeno.
Fico a observar o peixe que não se mostra muito mas derepente vejo que estamos sendo cobertos por nevoeiros que dificultam minha visão, mas ainda dava para ver o peixe, até que vejo algo que me deixa supreso.
Há alguém lá embaixo? Não! Impossível! Devo parar de pensar nas histórias que minha mãe me contava. Não dar para ver bem e por esse dificuldade o peixe some sem eu me dar conta.
Saio de lá, pelo menos isso me ajudou um pouco a esquecer que quase morri ontem. Ando até onde os outros estão mas antes que possa chegar até lá escuto o capitão falando com alguém em seu escritório.
- Então estamos perdidos? - Reconheço a voz, é um dos homens que o capitão mais confia, sempre estão conversando e ele é o segundo a mandar no navio.
- Sim. Desde a tempestade que nos perdemos, saimos do percurso e não sei mais onde estamos. - Vejo um pouco deles por trás da porta. O capitão tem seus dois pés apoiados em cima da mesa enquanto conversa com o outro que está sentado em sua frente.
- E agora, o que faremos? - O homem pergunta preocupado.
- Não sei, mas não fale nada para os outros. Não quero que saibam disso, pelo menos não agora. - Óbvio que não quer, pelo que conheço dele é um homem orgulhoso que não admite que erra.
O que iremos fazer? Estamos perdidos, como voltaremos para a terra firme? Penso enquanto olho para eles. Me aproximo um pouco mais para ouvir melhor.
- Esse lugar onde estamos é estranho, a lua, as estrelas, deveríamos seguir por elas mas é tudo tão diferente. Me preocupo não saber para onde estamos indo. - Oh não! E agora?
Pela minha preocupação acabo me aproximando demais acabando por abrir a porta me mostrando para eles.
- O QUE FAZ AQUI?
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ATENÇÃO! O restante será escrita e postada no meu perfil como uma novel