Violeta, era uma criança calma, com
paciência pra dar e vender. Diziam até as más e boas línguas que a calmaria
parecia ter nascido no dia em que a mãe
da garotinha lhe deu a luz, de tanta paz
que ela exalava. Sorrisos sempre sendo
carregados em seu rosto.
Bem, ela era.
transmitia paz até o momento em que, Toninho, outro garoto de sua idade, começou a ignora-la sem motivos plausíveis.
- Olha, ali está ele!
Disse sua amiga, apontando para o garoto concentrado em arrumar seu armário, ele sempre fora muitíssimo organizado em tudo, isso chamava a atenção dela, além da beleza exuberante que ele carregava consigo, claro.
Sentiu as mãos de Karen lhe empurrarem e em um solavanco foi parar perto demais do garoto de corte básico e nada original.
Violeta quis revirar os olhos, mas conteve-se. Na verdade nem focou-se nisso, já que estaria ocupada demais pensando em como abordaria o garoto.
Toninho não disfarçou a careta em confusão quando a garota, ergueu a mão em sua direção, dando um de seus adoráveis sorrisos, que de acordo ao seu pai poderia fazer qualquer um derreter-se pôr si apenas com aquele apetrecho.
A morena estava tão empolgada, que
nem mesmo percebeu o olhar de desgosto
que lhe foi jogado.
- Olá, Toninho! como você está? e como passou as férias?
Respirou fundo. Relaxando de acordo com o tempo que o garoto passara calado, apenas olhando para a mão que lhe era estendida. O cenho franzido.
Violeta recolheu o braço ao notar que estava sendo deixado no vácuo, o que lhe causou certa confusão e dúvida.
- Ok, você não gosta de toques. Eu já devia ter imaginado, perdoe minha indelicadeza.
Mas se você quiser, podemos andar pela escola antes das aulas começarem, estamos no começo do ano certo? seria uma boa idéia apreciar os corredores, quem sabe algo possa ter mudado do ano passado para este!
Prometo ficar longe, nada de apertos, ou qualquer outra coisa que envolva nossas mãos enlaçadas.
Tentou novamente, enquanto enrolava uma mecha de seu cabelo escuro entre os dedos buscando pôr coragem. Porém, falhou.
Violeta estava sendo motivo de piada ao
redor. Todos riam, disfarçavam, mas era
inevitável não perceber o clima.
Até mesmo a garota percebeu, porém, preferiu ignorar imaginando ser algo inventado pelo seu subconsciente tímido que tentava boicotar a si mesma.
Iria conseguir sair com Toninho, e jogaria na cara das outras pessoas que rondavam o corredor, e que ainda era a pessoa mais simpática do mundo, pois em qualquer circunstância, não perdia o controle e muito menos a postura.
Contudo, minutos depois foram o
suficiente para a garota perceber, que
não manteria sua tão famosa postura por
muito tempo.
- Nem te conheço, garota.
Foi o que ouviu do garoto à sua frente, observando-o virar novamente para seu armário pegando apenas o necessário para a aula que logo seria anunciada pelo sino. Logo após tranca-la, tendo a visão de suas costas enquanto o mesmo se distanciava.
Gargalhadas foram ouvidas.
Gargalhadas que fizeram-na chorar.
Ele ouviu lhe chamarem de chorona, defendeu-se mentalmente dizendo que
não era, enquanto em seus olhos, lágrimas já escorriam a rodo.
Talvez ele só estivesse com vergonha de estar em um ambiente totalmente novo. Era o que se forçava a pensar enquanto buscava uma resposta plausível.
Naquele mesmo dia Violeta decretou que sim, o garoto no qual ela havia conhecido, tinha mudado, e não era para melhor.
E a Violeta nunca mais iria chorar por ser mal tratada, por um garoto de corte engraçado, e nem ao menos estiloso.
Só que dias depois, chorou ao ver o Toninho saindo com outra garota que não fosse ela.
O problema sou eu? Por que ele não gosta de mim?
Eu sou chata? Por que ele me ignora?
a garota dizia para si mesma em forma de uma prece muda, enquanto tentava encontrar a resposta para tudo em seu subconsciente, falhando miseravelmente em sua pequena pesquisa interior.
Desabafou no banheiro da escola, sentado na tampa
do vaso.
Descobriu que o tão conhecido Toninho Rodrigues era o início da sua falta de empatia ao próximo.
Aconteceu de repente; Violeta em semanas, já não tinha mais a calmaria caminhando ao seu lado. Já que ela havia sido roubada de si, a fazendo então desenvolver os tão famigerados ódios.
Ódios dos quais o fez passar a andar de cara fechada pelo os corredores. Deixando de lado seu sorriso bonito, e educado.
Toninho havia despertado uma Violeta que em anos, todos descobriram ser a pior de todas.
Antes, carregava sim todo amor do mundo em seu coração, puro e bondoso, mas agora, o ódio também habitava logo ao seu lado, mas dessa vez, era diferente, ele reinava em seu corpo.
E esse ódio que só aumentou gradativamente com o passar dos anos.